Mostrando postagens com marcador Manejo Racional. Mostrar todas as postagens

Intoxicação por Uréia

O que é

É uma intoxicação aguda, causada pelo consumo de uréia na dose recomendada por animais que não foram adaptados previamente; por acesso acidental, sendo ingerida em grandes quantidades (no caso de animais já adaptados); quando há erros de dosagem e falta de homogeneidade em mistura nas rações. É caracterizada por incoordenação motora, tremores musculares, colapso e morte.

Outros fatores que podem contribuir para a intoxicação são: a deficiência de carboidratos digestíveis na ração, a baixa qualidade da forragem consumida ou debilidade orgânica do animal por fraqueza ou jejum.

Como reconhecer

Os sintomas iniciam-se após 20 minutos podendo chegar até 1 hora após a ingestão da uréia. O animal fica apático, com dor abdominal intensa, tremores musculares, incoordenação, salivação excessiva (baba espessa), micção e defecção freqüentes, respiração acelerada, fraqueza, timpanismo, mugidos altos, enrijecimento dos membros anteriores, prostração, tetania generalizada, convulsões (debatem-se muito), colapso circulatório, asfixia, e morte provavelmente por parada respiratória devido ao excesso de amônia.

Muitas vezes o animal intoxicado é encontrado morto ou se sobrevive é por um período de mais ou menos 4 horas após a ingestão da uréia.

Como tratar

O tratamento deve ser feito o mais rápido possível, aplicando-se vinagre (ácido acético a 5%) na dose de 3 a 6 litros por animal e repetindo-o com o reaparecimento dos sintomas. Deve-se administrar o vinagre através de garrafas, colocando o bico da garrafa no canto da boca e deixar o líquido descer goela abaixo permitindo a deglutição do animal. Não puxar a língua do animal, pois o líquido poderia ir para o pulmão e causar asfixia e posteriores danos pulmonares. Este procedimento irá baixar o pH, diminuir a hidrólise da uréia, impedindo, assim, sua absorção.

O tratamento mais eficaz é a rumenotomia para o esvaziamento imediato e completo do rúmen, mas só é viável quando acomete um pequeno número de animais, devido ao rápido curso da doença.

Outros medicamentos poderão ser usados para alívio dos sintomas, tais como, soluções de cálcio e magnésio, soluções de glicose e laxativos.

Segundo o professor Enrico Lippi Ortolani, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, uma simples mistura de soro fisiológico e diurético administrada por via intravenosa pode impedir a morte de bovinos intoxicados por amônia. A ação é eficaz, hidrata o boi e elimina a toxina do sangue.

Como evitar

O conhecimento correto antes da adoção de um esquema de alimentação suprida com uréia é de primordial importância. A adaptação gradual do animal às dietas com uréia, assim como uma correta homogeneização da mistura, a fim de obter uma ingestão regular, são as medidas mais indicadas para a prevenção do problema. Recomenda-se um período de adaptação de duas a quatro semanas, em função do nível e forma de fornecimento da uréia.

Não fornecer aos animais uréia dissolvida em água para beber. A diluição de uréia em excesso de água pode fazer com que ocorra o acúmulo da solução no fundo do cocho, a qual, uma vez ingerida, acarretará em intoxicação dos animais, mesmo que estes já estejam adaptados. Esta prevenção deve ser tomada também nos dias de chuva, quando o sal mineral adicionado de uréia pode sofrer o mesmo processo. Deve-se ter uma inclinação leve do cocho, com um furo na extremidade mais baixa, para eliminar, via escoamento, a água do cocho, aproveitando o sal mineral.

O total de uréia fornecido aos animais não deve exceder a 3% do concentrado ou 1% da matéria seca da ração.
Animais que ficaram mais de três dias sem receber uréia devem passar por um novo período de adaptação, visto que a tolerância é perdida rapidamente.

Quando a uréia se constitui na principal fonte protéica, é necessário fornecer aos animais sal mineral de boa qualidade à vontade, a fim de evitar a busca e o consumo exagerado de uréia.

Bem-estar de bezerros. Parte 2: Nutrição e Sanidade

O bem-estar e a saúde dos bezerros estão se tornando cada vez mais importantes, visto que bezerros saudáveis têm maiores chances de expressar seu potencial produtivo, quer seja para a produção de carne ou de leite. Para garantir o bem estar destes animais, é necessário considerar não somente aspectos relativos ao ambiente, instalações e transporte, mas também relacionados à nutrição e sanidade.

Um programa satisfatório de nutrição deve assegurar que o bezerro tenha crescimento positivo, em reposta ao fornecimento de dieta líquida e dieta sólida, e acesso diário à água. Além disso, bezerros recém nascidos devem receber uma dieta líquida que forneça energia e proteína suficientes para garantir sua manutenção e seu crescimento satisfatório. Existem muitas dietas que são adequadas para o crescimento do bezerro, mas para assegurar seu bem-estar é necessário avaliar os resultados do programa de alimentação adotado ao invés de analisar rações específicas. O crescimento é considerado satisfatório de acordo com o sistema de produção com taxas de ganho de peso variadas. Fêmeas de reposição devem apresentar uma condição de escore corporal entre 2,0 (ao nascer) e 3,75 (no pré-parto) durante todo seu período de crescimento.

O fornecimento do colostro tem papel crucial na prevenção de doenças e na nutrição do bezerro na sua fase inicial de vida. O colostro é uma fonte de proteína e energia altamente digestíveis, possui anticorpos que garante imunidade ao animal até que seu próprio sistema imune passe a ser funcional, além de enzimas que auxiliam no desenvolvimento do trato gastrointestinal. Existem três maneiras de fornecer o colostro aos bezerros recém nascidos: aleitamento natural, aleitamento através de mamadeira ou por sonda oroesofágica. Estudos recentes demonstram que bezerros deixados para mamar o colostro diretamente da mãe apresentam maiores falhas na transferência de imunidade passiva (em torno de 60%), 20% de falha quando foram alimentados por mamadeira e menor falha (10%) quando alimentados por sonda oroesofágica. No entanto, vale ressaltar que o procedimento de alimentação pelo método oroesofágico cria certo desconforto ao animal, havendo necessidade de treinamento para sua realização de forma que a minimizar os danos à laringe e esôfago do animal. O principal problema com a mamada natural é que não se tem garantia de consumo em quantidade adequada, além da qualidade do colostro, o que resulta em falha na transferência de imunidade passiva.



Figura 1. Consumo de colostro através de mamada direta, fornecimento através de mamadeira ou sonda oroesofágica.

Do ponto de vista de bem-estar animal, o colostro é necessário para o funcionamento adequado dos processos fisiológicos do bezerro, além do seu consumo ser um evento natural na sua vida. Para assegurar o bem-estar do bezerro, o colostro pode ser fornecido através de vários métodos desde que sejam asseguradas quantidades adequadas de energia, proteína e anticorpos ao animal. No manejo do colostro também é importante que sua ordenha seja realizada de forma a minimizar as contaminações com bactérias e outros patógenos, como Mycobacterium paratuberculosis (bacilo de Johne) ou Mycoplasma que causam doenças que podem aumentar as taxas de mortalidade. Para isso, o úbere da vaca deve estar limpo durante as primeiras amamentações do bezerro, no caso da colostragem natural; ou no momento da ordenha, no caso do fornecimento através de mamadeira ou sonda. Após a coleta, o colostro deve ser imediatamente armazenado sob refrigeração ou congelado para evitar o desenvolvimento de agentes infecciosos, podendo-se utilizar garrafas plásticas ou sacos plásticos como recipiente.

O fornecimento de água a vontade, desde os primeiros dias de vida, é um requisito básico para o sucesso do programa de alimentação de animais jovens. A disponibilidade de água é importante para o bem-estar do bezerro primeiramente para saciar a sede do animal e segundo porque a sua ingestão tem alta correlação positiva com a ingestão de alimentos sólidos como o fornecimento de concentrado, que auxilia no desenvolvimento do rúmen. Pesquisas demonstram que bezerros recém nascidos recebendo água à vontade desde o início do seu nascimento têm apresentado consumo normal de leite e promovido uma diminuição nos hormônios indicadores de estresse crônico.

Bezerros podem ser alimentados com a dieta líquida (leite ou sucedâneo), através de mamadeiras ou balde. Além disso, a dieta líquida pode ser fornecida em quantidades controladas ou a vontade, divididas em 2 a 3 refeições. Embora os requerimentos nutricionais do bezerro possam ser atendidos por qualquer um dos métodos de fornecimento, os aspectos comportamentais e sociais do bezerro são afetados pelo sistema de alimentação. Isto é ser observado em bezerros alimentados através de mamadeiras que após serem aleitados apresentam o hábito de descansar mais cedo que bezerros aleitados por balde. Bezerros criados em grupos e aleitados através de alimentadores automáticos apresentam maior interação social. No entanto, deve existir a preocupação com a relação de bicos disponíveis por bezerro, pois isso pode resultar em maior interação competitiva entre os animais, o que poderia acarretar em maior disputa no momento do aleitamento, havendo assim diminuição do tempo de alimentação e ingestão de leite.

A disponibilidade de alimentos sólidos também contribui para o bem-estar do bezerro, pois está correlacionado não só com o atendimento das exigências protéicas e energéticas para crescimento adequado, como também com processos fisiológicos como o desenvolvimento do rúmen. Em bezerros recém-nascidos este é um processo fisiológico normal e é por sua vez considerado necessário para seu bem-estar. O acompanhamento do desenvolvimento ruminal é importante para o bezerro leiteiro, pois quando ocorrer o desaleitamento, o bezerro deve ter um rúmen funcional para a digestão de dietas sólidas e assim manter um bom estado nutricional e adequadas taxas de crescimento. Bezerros alimentados com dietas sólidas e consumido mais grãos, são desaleitados mais cedo, confirmando que a disponibilidade de alimento sólido é importante para o desenvolvimento do rúmen e o crescimento do animal.



Figura 2. Animais jovens com acesso a água e concentrado desde a primeira semana de vida.

Além do manejo alimentar, o programa de bem-estar deve promover a saúde dos animais com práticas de prevenção de doenças, como a colostragem e as vacinações, além de rotina de diagnóstico e tratamento precoce de animais doentes. O programa de saúde do bezerro leiteiro inclui: nutrição, higiene, vacinas, treinamento de tratadores e protocolos de tratamento. A eutanásia também é um requisito do programa de bem-estar: bezerros gravemente debilitados e feridos devem ser criteriosamente avaliados para a tomada de decisão da utilização ou não da eutanásia.

O programa de saúde deve ser específico para cada fazenda leiteira ou rebanho e deve ser desenvolvido por um médico veterinário dentro de um relacionamento válido entre cliente/paciente. Vacinas e tratamentos adequados são determinados pelo veterinário e proprietário dentro de cada sistema de produção, lembrando que um programa de bem-estar não requer produtos específicos. Para manter a sanidade do rebanho é necessário um sistema funcional de monitoramento constante. Os componentes básicos para garantir a sanidade dos bezerros para um programa de bem-estar incluem: treinamento de funcionários para executar tarefas e reconhecer doenças e lesões, observações diárias das instalações para manutenção de limpeza e eventuais reparos que possam surgir para prevenir lesões e, finalmente, desempenho de tarefas como vacinação, tratamentos veterinários, descorna e, se necessário, eutanásia.

Produtores que atenderem à maioria dos requisitos dos programas de nutrição e sanidade terão maiores probabilidades de serem bem sucedidos na condução do programa de bem-estar de seus bezerros. Programas de manejo que consideram o bem-estar de bezerras e novilhas de reposição garantem adequadas taxas de crescimento e entrada destes animais em lactação mais precocemente e com maiores chances de expressar seu potencial de produção.

Para ler a parte 1 "Bem estar de bezerros: Instalações", clique aqui.

Referências

Carolyn Stull & Jim Reynolds. Calf Welfare. Veterinary Clinical Food Animal, v.24, p.191-203, 2008.

Carla Maris Machado Bittar

Professora do Depto. de Zootecnia - ESALQ/USP
--------------------------------------------------------------------------------
Gustavo Guilherme Oliveira Nápoles

Mestrando em Ciência Animal e Pastagem, Depto. De Zootecnia, ESALQ-USP

Projeto da Embrapa pode ajudar agricultores e pecuaristas a diversificar suas atividadades

A integração lavoura pecuária promete resolver um problemão que muitos criadores enfrentam nessa época do ano: a falta de comida pro gado.

Bem-estar de bezerros. Parte 1: Instalações

Muitos fatores contribuem para o bem-estar de bezerros em fazendas leiteiras, incluindo instalações e ambiente; manejo nutricional e sanitário; manipulação e interação com o tratador; dinâmica de rebanho; e práticas comuns de transporte, de descorna, remoção do teto e eutanásia.

Garantir e avaliar o bem-estar de bezerras em fazendas leiteiras é um desafio complexo, especialmente porque a terminologia e os fatores que contribuem para avaliar o bem-estar dos animais de produção, como os bezerros leiteiros, não foram claramente definidos dentro da comunidade científica.

Bem-estar tem sido descrito como um estado dinâmico, pois processos fisiológicos tais como o envelhecimento, as respostas imunológicas e hormonais, o crescimento e o estresse, podem apresentar flutuações normais, cíclicas, circadianas. Também em constantes alterações em sistemas de criação estão as influências ambientais, tais como temperatura e umidade, os programas nutricionais, ou sociais e comportamentais, interações com animais contemporâneos e tratadores que podem influenciar o bem-estar dos bezerros. Esta situação dinâmica e interdependente representa um desafio em avaliar o bem-estar do bezerro leiteiro. Trabalhos científicos têm sugerido uma metodologia para avaliar o bem-estar dos animais de produção agrícola que utilizam um sistema integrado de indicadores, incluindo patologias, alterações fisiológicas, desempenho ou produção, além de parâmetros comportamentais. Outra abordagem multidisciplinar para avaliar o bem-estar reconhece três componentes básicos, incluindo a fisiologia (saúde, doença e produção); mente animal (sentimentos, sofrimento) e a natureza animal (comportamento e condições naturais).

Segundo pesquisadores ingleses "bem-estar é um termo amplo que engloba o físico e o bem-estar mental do animal. Qualquer tentativa de avaliar o bem-estar, portanto, deve considerar os sentimentos dos animais que podem ser derivadas de sua estrutura e funções e também do seu comportamento." Assim, o conhecimento do comportamento do bezerro leiteiro auxilia na avaliação do bem-estar dos bezerros em fazendas leiteiras. O comportamento inclui os comportamentos básicos de repouso, em pé, comendo, bebendo, ruminando, andando e brincando. A duração e frequência destes comportamentos mudam com a idade, e são influenciados por fatores como o tipo de piso e da disponibilidade de espaço.

Certas medidas de desempenho têm sido correlacionadas com o comportamento ou com as atividades diárias dos animais. Por exemplo, proporcionar um ambiente adequado para o descanso tem resultado em aumento médio no ganho diário de bezerros leiteiros jovens. Outras medidas comportamentais podem não mostrar correlações estatísticas com parâmetros de desempenho importantes para o produtor de leite, mas podem ser usadas como medidas de bem-estar. A expressão do comportamento de brincar em bezerros tem sido sugerida como um indicador de bem-estar positivo, porque animais jovens de muitas espécies são motivados a jogar, uma vez que suas necessidades primárias são satisfeitas. Fornecer maior espaço disponível para os bezerros, criados individualmente ou em grupo, aumenta apenas a duração e o tipo de brincadeira locomotora (ou seja, saltar, correr, e empurrar com a cabeça) em comparação com os bezerros alojados em áreas menores.

Ambientes satisfatórios para bezerros recém-nascidos e em crescimento devem proporcionar conforto físico, térmico, psicológico e comportamental. Cada uma dessas áreas pode ser uma fonte de estresse para os bezerros, que posteriormente podem predispor os animais a comprometimento de sua resposta imunitária, das taxas de crescimento, e finalmente do bem-estar propriamente dito.

Embora o conforto térmico e físico do ambiente para bezerros tenha sido amplamente avaliado, apenas recomendações gerais foram desenvolvidas para satisfazer as necessidades psicológicas e comportamentais específicas de bezerros leiteiros. As necessidades psicológicas e comportamentais em um ambiente incluem a ausência de frustração, o sentimento de segurança e ausência de possibilidade de lesão, comportamento social de rebanho e interações com o tratador adequadas.

O conforto térmico inclui um ambiente com temperatura amena e sem extremos de temperatura. O estresse por frio ou calor afeta bezerros mais jovens, doentes ou feridos de forma muito mais severa do que animais saudáveis e mais velhos. O conforto térmico para os animais é quantificado como a zona térmica neutra, que varia de 15° C a 25° C para bezerros jovens. Dentro da zona térmica neutra, o bezerro mantém a temperatura corporal (homeotermia) por constrição ou dilatação dos vasos sanguíneos, alterando posturas e comportamentos para conservar ou dissipar o calor, além de alterações nas propriedades isolantes da pelagem. Abaixo de 15 º C (temperatura crítica inferior) o bezerro começa a desviar a energia para manter sua temperatura corporal, de forma que energia extra deva ser incluída na dieta.

Outros fatores que podem afetar a zona térmica neutra de um bezerro são a espessura e teor de umidade da pelagem do animal e a capacidade de se adaptar a baixas temperaturas ao longo do tempo. O estresse por frio também pode ser responsável por diminuir a taxa de absorção do colostro em bezerros recém-nascidos.

A temperatura crítica superior (25° C) ocorre quando o bezerro não consegue dissipar o calor metabólico de forma suficiente para se manter em homeotermia. Geralmente, o consumo de ração é voluntariamente reduzido, diminuindo o calor produção gerado pela digestão e absorção dos nutrientes, o que acaba resultando em redução no desempenho.

O conforto físico do ambiente inclui o espaço disponível, a qualidade ou as condições do espaço, e as superfícies com as quais o bezerro tem contato. O espaço disponível para o bezerro deve ser suficiente para permitir a comportamentos normais de alimentação e consumo de água, repouso e excreção, além de locomoção. Bezerros (nascimento a 2 meses) alojados em baias ou abrigos individuais devem ter aproximadamente 10 m² de espaço, enquanto bezerros alojados em grupos devem ter um mínimo de 8,5 m² por animal.

Uma vez que bezerros passam a maior parte do seu tempo deitado, as condições da área de descanso são importantes para o bem-estar dos bezerros. Baias coletivas ou abrigos individuais situados ao nível do solo são geralmente providos de cama natural para os animais. Dependendo do clima e do tipo de revestimento, materiais de cama são opcionais para a elevação da instalação de forma que animal se deite em local sempre seco e limpo, características importantes da área de descanso. Pisos sem cama devem prover atrito suficiente para evitar escorregamento.

A qualidade do ar também é importante para o conforto físico do bezerro. Altas concentrações de gases tóxicos tais como amônia, podem causar danos ao epitélio pulmonar. Esses gases são frequentemente associados com o acúmulo de urina e esterco ou a circulação de ar limitado em espaços fechados. O limite máximo de 25 ppm de concentração de gás amônia tem sido sugerido para as instalações de bezerros.

Os objetivos gerais das instalações para bezerros são a proteção dos extremos térmicos e climáticos, acesso adequado ao alimento, garantir a segurança no que diz respeito a ferimentos e controlar a saúde e bem-estar dos bezerros. Tanto os sistemas de instalação individual quanto em grupo podem ser projetados para atender a todas estas necessidades. No entanto, muitos tipos de instalação podem atender todas estas premissas em relação ao bem-estar, mas o sucesso ainda depende de gestão adequada.

A maioria das instalações nos Estados Unidos atualmente não segue regulamentação quanto ao tipo ou tamanho, muito embora tenhamos uma sinalização de que este tema será debatido pelo consumidor num futuro próximo. Por outro lado, a União Européia está começando a regulamentar as instalações para bezerros com necessidade de espaço que permita que os animais se virem ou se deitem sem tocar em qualquer lado da instalação ou deitar-se sem tocar no lado oposto do recinto. Bezerros em aleitamento são muito suscetíveis a patógenos, mas abrigos individuais podem minimizar a propagação da doença, uma vez que reduzem o contato entre animais. Abrigos individuais ou baias coletivas permitem que o tratador observe os animais periodicamente e faça o diagnóstico de problemas de saúde e alterações no consumo de alimento de forma individual, além de permitir a contenção do animal no caso de necessidade de tratamento ou práticas de manejo. A desvantagem dos abrigos individuais é que os animais não podem interagir e esse isolamento pode ter impacto no desenvolvimento de comportamentos sociais dos animais.

Bezerros recém-nascidos são normalmente alojados individualmente em abrigos, normalmente colocados diretamente no solo, com pequena área externa para locomoção dos animais. Estes abrigos são geralmente construídos em fibra de vidro, polietileno ou madeira. Bezerros podem escolher entre o ambiente exterior ou interior, e são amarrados ao abrigo ou este tem uma cerca de perímetro. Em algumas situações existe a necessidade de colocação de cama, como palha ou serragem, para manter o bezerro seco e confortável. A correta limpeza e gestão da cama em abrigos individuais é muito trabalhosa e acaba não funcionando de forma adequada. Quando o bezerro é removido de um abrigo, este deve ser limpo e higienizado, além de ter a cama substituída antes da colocação de outro bezerro. Durante período de chuva, o solo imediatamente fora do abrigo pode ficar enlameado devido à má drenagem do solo, havendo necessidade de realocação para aliviar as condições de barro. Essa possibilidade de deslocar abrigos individuais auxilia a redução de estresse pelo frio.

Já as baias coletivas são baseadas no princípio de que os bezerros leiteiros são animais de rebanho, e o alojamento em grupo permite o desenvolvimento de comportamento social. O alojamento coletivo permite o exercício e o jogo entre bezerros dentro do grupo. Normalmente, de dois a seis bezerros são agrupados para facilitar a observação de cada animal. Conforme os animais crescem, estes pequenos grupos podem ser combinados. Além disso, alojamento coletivo pode reduzir a mão de obra envolvida com o tratamento de bezerros, além de ser um ambiente mais rico em estímulos quando comparado ao alojamento individual. Uma desvantagem deste tipo de alojamento é a possibilidade de desenvolvimento de mamada cruzada, que é um comportamento considerado problemático e que pode resultar em lesões no umbigo ou úbere do animal mamado. Além disso, alguns animais desenvolvem o hábito de beber urina associado ao comportamento de mamada cruzada. Já tratamos em outros radares algumas práticas de manejo que podem reduzir este problema, principalmente em animais já desaleitados.

Tem crescido a adoção de alojamento coletivo como consequência da popularização dos sistemas automáticos de aleitamento. Nestes sistemas o animal pode consumir leite ad libitum ou com quantidade programa e controlado por computador de acordo com sua idade e manejo nutricional. Embora muitos trabalhos venham mostrando benefício deste tipo de alimentação por ser semelhante à maneira como o animal se alimentaria normalmente, estes sistemas podem ter várias desvantagens. Diarréias e doenças respiratórias podem se espalhar mais rapidamente quando este tipo de alojamento e de alimentação é adotado. A concorrência por um número limitado de bicos pode alterar comportamentos de alimentação, especialmente quando ocorre a introdução de novos animais ao grupo. Além disso, esses sistemas podem dificultar o tratador no que se refere ao acompanhamento do consumo de alimentos de forma individual de bezerros dentro do grupo.

De maneira geral, qualquer tipo de instalação para bezerros pode ser adequado do ponto de vista de bem-estar desde que atenda as premissas básicas de local limpo e seco, acesso ao alimento e água, sombra, controle de temperaturas extremas e interação com animais contemporâneos.

No próximo radar técnico vamos tratar de bem-estar de bezerros leiteiros do ponto de vista nutricional. Até mais!

Referências

Carolyn Stull & Jim Reynolds. Calf Welfare. Veterinary Clinical Food Animal, v. 24, p. 191-203, 2008.

Autores:

Carla Maris Machado Bittar
Professora do Depto. de Zootecnia - ESALQ/USP
--------------------------------------------------------------------------
Lucas Silveira Ferreira
Aluno de Doutorado em Ciência Animal e Pastagem - ESALQ/USP

Conheça o manejo de jumentos e éguas

O manejo de jumentos e éguas em uma fazenda produtora de mulas e burros não é um trabalho simples. Há detalhes que as pessoas de fora do ramo dificilmente imaginam.

Bezerra, novinha, precisa de quantos litros de leite por dia?

Na criação de gado leiteiro o bezerro precisa ser apartado da mãe depois do nascimento. Telespectadora quer saber quantos litros de leite devem ser dados a um animal de 15 dias.

Preço pago ao produtor de leite de Goiás cai mais de 20%

O preço pago ao produtor de leite em Goiás caiu mais de 20% em quatro meses. Assim como os produtores de outras regiões do país, os goianos têm encontrado dificuldades para se manter na atividade. Um novo programa da Federação de Agricultura do Estado pretende atuar na gestão de riscos e custos da pecuária de leite

Reino Unido: indústria lança plano de bem-estar animal

Uma estratégia inovadora liderada pela indústria visando o bem-estar das vacas leiteiras no Reino Unido foi lançada na última semana. A estratégia chamada Dairy Cow Welfare, que inclui um plano de ação da indústria, destaca a performance de bem-estar nas fazendas britânicas e identifica o potencial para mais melhorias dentro da indústria.

Desenvolvida pela União Nacional dos Produtores Rurais (NFU, sigla em inglês), em conjunto com a Associação Veterinária Britânica, DairyCo, Holstein UK e Associação Real de Produtores Britânicos de Leite e Grupo de Saúde e Bem-Estar de Bovinos (CHAWG, sigla em inglês), a estratégia segue as recomendações feitas no ano passado pelo Grupo de Bem-Estar Animal Rural para melhorar o bem-estar de vacas leiteiras.

A estratégia tem cinco metas principais: melhorar o bem-estar das vacas leiteiras; estabelecer um grupo de prioridades fixadas pela indústria; determinar metas e áreas de responsabilidade; reconhecer que o bem-estar é dependente dos funcionários rurais; e gerar mais entendimento entre os consumidores e uma percepção mais positiva sobre bem-estar de vacas leiteiras na Inglaterra. O progresso será revisto anualmente pelo CHAWG.

O presidente do braço do setor leiteiro da NFU, Mansel Raymond, disse que as fazendas leiteiras britânicas já operam com altos padrões mundiais de bem-estar animal, mas que existe espaço para melhora. "Essa estratégia é única em determinar uma visão e um plano de ação para melhorar o bem-estar onde todos deverão participar", disse Raymond.

"É justo dizer que a indústria nem sempre tem uma base de evidências que precisa para se armar contra alegações negativas, e essa estratégia é o primeiro passo na identificação de qualquer lacuna em nosso conhecimento e na tomada de ações coordenadas para cuidar disso", completou.

O presidente do CHAWG, Tim Brigstocke, disse que o bem-estar das vacas leiteiras é uma das prioridades do grupo pelos próximos 12 meses e que a estratégia fornece um foco e um plano para a indústria sobre como as melhorias podem ser obtidas.

O veterinário do Governo britânico, Nigel Gibbons, descreveu a iniciativa da indústria no desenvolvimento de uma estratégia ambiciosa e encorajadora, reconhecendo o duro trabalho já feito pelos produtores de leite britânicos, mas também identificou onde mais melhorias podem ser feitas.

As informação são do Farmersguardian.com, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

Estudo mostra que investimento tecnológico em produção leiteira é mais rentável do que aumento de rebanho

Investir em tecnologia para elevar a produção de leite é mais lucrativo do que aumentar o rebanho. Essa é a conclusão de um estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Os custos da modernização são altos, mas podem dobrar os lucros no longo prazo


Pergunte ao Rural Técnico - Colostro para silagem

Nesta quarta, dia 4, saiba como armazenar o colostro para fazer silagem. A repórter Priscilla Ferreira mostra quais são as vantagens de utilizar a sobra do colostro para a alimentação dos animais

Técnica Rural - Suínos e Aves - Gestão ambiental no consórcio com pecuária de leite

A alta demanda por água e a geração de dejetos são apontadas como os principais obstáculos para a expansão da suinocultura. O Técnica Rural visitou uma granja que conseguiu transformar esses problemas em solução. A limpeza das instalações é feita com água da chuva, e os resíduos dos suínos são aproveitados por produtores de leite na forma de adubo orgânico. O consórcio entre a suinocultura e a pecuária leiteira favorece as duas atividades

Bezerra nasce sem as patas dianteiras na Paraíba



Para conseguir sobreviver, Combraínha, como é chamada pelo dono, precisa de um carinho todo especial. O caso aconteceu na cidade de Santa Cruz, no sertão do estado.

É possível reduzir a dor e o estresse durante o procedimento de descorna?

De maneira geral, os animais de fazendas leiteiras são descornados com o objetivo de ser evitar acidentes, principalmente com tratadores, além de lesões a outros animais, numa eventual disputa no rebanho.

Assim, para se evitar o seu crescimento, os chifres e o tecido circundante são retirados utilizando-se uma variedade de métodos, como a cauterização por calor ou química e a cirurgia. Recomenda-se que a descorna seja feita quando a bezerra tenha idade inferior a 3 meses, devido a mais rápida cicatrização. Entretanto, o procedimento deve ser evitado durante as semanas anteriores e posteriores ao desaleitamento, período de intensas alterações na rotina de vida do animal. A recomendação de descorna antes dos 3 meses de idade é importante porque, após este período, com o desenvolvimento dos chifres, haverá necessidade da remoção cirúrgica, um processo bem mais trabalhoso e doloroso ao animal.

A escolha do método depende em grande parte da experiência e preferência do produtor, entretanto, a utilização do ferro quente e a cauterização química são os métodos mais utilizados. A prática de campo mostra que quando se opta pela utilização do ferro quente, é necessário maior atenção e trabalho, principalmente devido à necessidade de contenção do animal durante o procedimento, além da dor pós-operatória durante as horas seguintes e problemas com inflamações em situações de procedimento realizado de forma inadequada.

Atualmente, é crescente o apelo da sociedade em relação às práticas de manejo visando o bem-estar animal. Assim, estudos têm mostrado que a administração de uma combinação de anestésico local e drogas anti-inflamatórias podem reduzir a dor e o sofrimento associado ao procedimento de descorna. A administração de um anestésico local pode reduzir os comportamentos associados com a imediata resposta à dor (por exemplo, abanar a cauda, movimentos de sacudir a cabeça, coices) e os indicativos de dor pós-operatória (esfregar a cabeça insistentemente, sacudir a cabeça e orelha, além de apatia).

Embora seja bem estabelecido que os anestésicos locais sejam eficazes na redução da resposta à dor imediata após a descorna, seu uso na maioria das vezes parece ser insuficiente por duas razoes principais. A primeira delas é que as bezerras respondem à dor não só devido ao procedimento de descorna, mas, principalmente, pelo estresse devido à necessidade de contenção. Um segundo aspecto negativo é que o anestésico não fornece alívio adequado da dor pós-operatória. Por isso, após cerca de 2 ou 3 horas da administração, os animais começam a sentir dor local.

Entretanto, poucos estudos com a administração da pasta cáustica foram desenvolvidos. Um destes estudos mostrou que o comportamento relacionado à dor nos animais com a utilização da pasta cáustica é bastante semelhante ao método com o ferro quente (Morisse et al., 1995).

Com base nestes questionamentos, uma equipe liderada pelo professor D.M. Weary (Vickers et al., 2005) desenvolveu um estudo bastante interessante, com o objetivo de avaliar os efeitos do método de descorna (ferro quente ou pasta caustica) no comportamento de bezerras leiteiras no pré e pós procedimento.

O estudo avaliou 36 bezerras, criadas de maneira semelhante, alimentadas com sucedâneo comercial 2 vezes ao dia (5% do PV), com livre acesso a água e concentrado inicial.

Em seguida, os animais foram divididos em 4 grupos, de acordo com um tratamento testado, em 2 experimentos distintos, e o comportamento de cada grupo foi avaliado nas 12 horas seguintes, após a descorna:

Experimento 1:

1) Pasta cáustica + sedativo + anestésico local;
2) Pasta cáustica + sedativo (sem anestésico local).

Experimento 2:

1) Ferro quente + anestésico local
2) Pasta cáustica + anestésico local

Os resultados do experimento 1 mostraram que os animais tratados somente com sedativo apresentaram pouca inquietação e comportamento típico de dor durante as 4 horas após a aplicação da pasta. Entretanto, os animais tratados com sedativo e anestésico local apresentaram intenso comportamento relacionado à dor, exatamente no período entre 1 e 4 horas após a descorna, quando o efeito anestésico da medicação começava a perder efeito (Figura 1).



Clique na imagem para ampliá-la.

Figura 1. Comportamento de bezerras (número de vezes por hora, realizando atividade relacionada à dor) descornadas com a utilização de pasta cáustica, com ou sem a administração de sedativo.

No experimento 2, as resposta foram semelhantes, em relação ao tempo de respostas de dor, que foram mais frequentes entre 1 e 4 horas após a descorna. Neste experimento, observou-se que os animais descornados com a utilização do ferro quente apresentaram, nas primeiras horas, maior inquietação, com maiores transições entre a posição deitado e em pé neste período e comportamento de balançar a cabeça. Porém, em relação ao comportamento de esfregar (coçar) a cabeça, não foram observadas diferenças entre os animais tratados com o ferro quente ou com a pasta cáustica, embora ambos apresentassem este comportamento (Figura 2).





Figura 2. Comportamento de bezerros (número de vezes realizando atividade relacionada à dor) descornados com a utilização de ferro quente ou pasta cáustica, com a administração de sedativo.

Em resumo, os resultados destes experimentos mostram que, em relação à resposta à dor, a utilização da pasta cáustica ou do ferro quente apresenta respostas semelhantes.

Outro resultado interessante é em relação à administração do anestésico local com o objetivo de diminuir a dor do procedimento. Neste trabalho, ficou evidente que a aplicação do anestésico, conforme previsto, não resultou em alívio da dor, principalmente nas primeiras horas após a descorna. Com base nos resultados deste trabalho, podemos concluir que a administração de sedativo parece resultar em melhor conforto e reduzir o estresse do animal no momento da descorna. Por outro lado, embora os resultados sejam positivos, sua utilização necessita de acompanhamento de um veterinário, para assim evitar problemas decorrentes da sua utilização incorreta.

Bibliografia consultada

Faulkner P.M.; Weary, D.M. Reducing pain after dehorning in dairy calves J. Dairy Sci 83:2037-2041, 2000.
Morisse, J.P., Cotte, J.P. Huonnic D. Effect of dehorning on behavior and plasma cortisol responses in young calves. Appl. Anim. Behav. Sci. 43:239-247, 1995.
Vickers, K.J.; Niel, L.; Kiehlbauch, L.M.; Weary D.M. Calf response to caustic paste and hot-iron dehorning using sedation with and without local anesthetic J. Dairy Sci. 88:1454-1459, 2005.


Comentários

Práticas de manejo que reduzam o estresse animal são de extrema importância para o bem estar e, consequentemente para desempenho animal. Bezerros passam por várias práticas que resultam em estresse e que podem reduzir o seu desempenho quando mal realizadas. São exemplos destas práticas, a separação do bezerro de sua mãe logo após o nascimento, o desaleitamento, aplicação de vacinas e vermífugos, mudanças no manejo alimentar e instalações. É primordial que novas técnicas de manejo sejam aplicadas de forma a reduzir o estresse animal, que pode ser percebido por alterações marcantes no comportamento, de forma a otimizar o desempenho e a saúde animal.

Fonte: MilkPoint

Autores:
Carla Maris Machado Bittar
Professora do Depto. de Zootecnia - ESALQ/USP
--------------------------------------------------------------------------
Lucas Silveira Ferreira
Aluno de Doutorado em Ciência Animal e Pastagem - ESALQ/USP

Técnica Rural - Suínos e Aves - Integração entre avicultura e plantio de florestas

Veja no programa a integração entre a avicultura e o plantio de florestas. Saiba como o uso da madeira está presente na produção de frango de corte desde o início até o final da cadeia. Conheça também o exemplo de um avicultor da região de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, que já colhe os frutos desta integração. E ainda, as dicas dos especialistas sobre o plantio de árvores na propriedade avícola

Técnica Rural - Gestão e Inovação - Fitoterapia Animal II

Aprenda receitas para usar plantas medicinais na prevenção e cura de doenças dos animais de sua propriedade

Veterinária diz qual o número de galinhas por galo

Um único galo dá conta de cobrir quantas galinhas? A veterinária Alessandra Maria da Silva esclareceu a dúvida do seu Manoel Agenor, do município de Queimados, no Rio de Janeiro.


Leilão virtual da Girgoiás fatura mais de R$ 200 mil

Entidade girista do Estado de Goiás promoveu leilão virtual pelo canal Terraviva com recinto montado na cidade de Anápolis, onde criadores goianos acompanharam os remates em “noite de Queijos e Vinhos”.

 
Cassio Paiva (Leiloeiro), Rosimar Silva (Girgoiás), Mário Neto (Intrerural) e Wesley (Champion), comandaram o leilão virtual da Girgoiás, dia 25 de junho de 2010, direto da cidade de Anápolis

 
 

Valdeci Antônio Coimbra, criador em Ouro Verde (GO), comprou a obra de arte e o lote mais valorizado do leilão


Goiânia (GO) – “Sucesso absoluto”, com esta frase o criador Athos Magno, ex-vice-presidente da Associação Goiana dos Criadores de Gir – Girgoiás, definiu o leilão da Girgoiás, dia 25 de junho, transmitido ao vivo pelo Canal Terrraviva, direto de Anápolis, onde foi montado um recinto com criadores de Goiás, Brasília e Minas Gerais.

O leilão faturou mais de R$ 200 mil com a venda de 39 lotes, entre animais, prenhezes, aspirações, uma dose de sêmen do touro Everest e uma obra de arte (um quadro). O leiloeiro foi Cássio Paiva e a Leiloeira foi a Interural, de Uberlândia (MG). Mário Neto, da Interural, comandou pessoalmente a mesa operadora do recinto em Anápolis (GO).

Segundo Rosimar Silva, presidente da Girgoiás, idealizador do leilão, “fizemos uma grande mobilização nacional em favor do Programa de Melhoramento Genético da Raça Gir em Goiás, realizado pela Girgoiás, Assogir e Embrapa Gado de Leite e o leilão pela TV foi o grande evento do resultado das doações feitas pelos criadores”. Ao todo, foram 118 doadores em diversos Estados Brasileiros.

Além do leilão na TV, a Girgoiás também realiza um leilão eletrônico na Internet por meio do www.canaldelance.com, que também doou os serviços de hospedagem do leilão. Rosimar informa que nem todos os animais e aspirações foram comercializados no leilão virtual, “ainda temos alguns machos, aspirações e fêmeas para vender, por que não foi possível vender tudo em um único dia”.

Repercussão
Athos Magno, criador em Nova Crixás (GO), ex-presidente da Girgoiás, foi o mais entusiasmado com o resultado do evento. Ele resumiu o resultado com um “sucesso absoluto”. Para ele, “a Girgoiás mostrou para o Brasil que tem o apoio nacional para os seus propósitos, mostrou que tem credibilidade, prestígio e apoio para desenvolver o Programa de Melhoramento Genético – teste de progênie -, além disso, mobilizamos os criadores de gir do Estado e mostramos também que nossa união é sólida, alegre, espontânea e duradoura”.

Bráulio Moraes, criador em Jandaia (GO), doador de um dos lotes disputados durante leilão (lote 7 – Gaita Fiv GirSeis), cuja mãe encerrou lactação com quase 10 mil quilos de leite (sem ajuste), também ficou entusiasmado com o resultado financeiro e político do leilão, “foi um sucesso realmente, a Girgoiás está de parabéns pela capacidade de mobilizar o Brasil em prol de uma causa justa, mostramos para o Brasil que os criadores de Goiás estão unidos, determinados a trabalharem pela raça e, o que é melhor, tem o apoio do Brasil para isso”.

Onofre Ribeiro, criador em Paraopeba (MG), também não economizou elogios à Girgoiás, “foi um evento maravilhoso, que resgata um sentimento de luta coletiva pelo bem da raça, sinto-me honrado em participar desse grupo de Goiás por meio de um touro que está em teste de progênie lá em Goiás”.

Doador do leilão, criador de gir em Santa Helena de Goiás, Alcides Rodrigues Filho, governador de Goiás não esteve no recinto, devido a compromissos oficiais, telefonou para o presidente da Girgoiás para cumprimentar pelo resultado dizendo que “Goiás se ente honrado por ter aqui uma entidade tão atuante e prestigiada como a Girgoiás”.

Valdeci Antônio Coimbra, novo criador no município Goiano de Ouro Verde, presente no recinto do leilão, comprou dois lotes (a obra de arte e a prenhez irmã completa da Gemada da Genipapo) e lançou em vários, disse que “ficou muito satisfeito em ver a união dos criadores e a forma como fui recebido pelo presidente da Girgoiás, acho que serei muito feliz no meio desses novos companheiros em Goiás e acho que está iniciativa foi muito acertada, por isso podem contar sempre comigo para colaborar no crescimento da raça em Goiás”, finalizou.

Fonte: Site da Gir Goiás

Como saber se a colostragem da minha bezerra foi realizada da forma correta?

Garantir a transferência de imunidade passiva durante as primeiras horas de vida é essencial para a sobrevivência de bezerras recém-nascidas. A transferência de imunidade passiva é determinada, principalmente, pela quantidade e qualidade de colostro consumida pelas bezerras nas primeiras 24 horas após o nascimento. Entretanto, infelizmente, determinar falhas de transferência passiva nas fazendas é relativamente difícil e quando estas são detectadas, muitas vezes os animais já adoeceram ou morreram.

De acordo com os principais trabalhos de pesquisa nesta área, uma colostragem é considerada inadequada quando a concentração de imunoglobulinas (IgG) no sangue das bezerras é inferior a 10 gramas de IgG por litro de soro (ou 1.000 mg/dl de soro).

Atualmente, um método bastante interessante e prático vem sendo utilizado para estimar, de forma indireta, o grau de transferência de imunidade passiva em bezerros, baseado na utilização de um refratômetro portátil (Figura 1), equipamento de custo relativamente baixo.



Figura 1. Exemplo de refratômetro portátil

O refratômetro funciona medindo o "brilho" de um feixe de luz quando este passa através de uma amostra de líquido. O equipamento então mede a quantidade de luz que é refratada, ou seja, "desviada" durante o caminho do feixe de luz pelos constituintes da amostra. Assim, quanto maior a quantidade de proteína da amostra, mais luz é "desviada" e, assim, o refratômetro faz a leitura.

Embora o refratômetro não seja fabricado para avaliar a quantidade de IgG no sangue, ele faz isso indiretamente, medindo a quantidade de proteínas totais. Como em bezerros recém-nascidos existe uma estreita correlação entre as imunoglobulinas absorvidas e o total de proteína no sangue (já que nas primeiras horas de vida a maior parte da proteína consumida no colostro é IgG), pode-se inferir que o valor obtido por leitura no refratômetro pode estimar a absorção de IgG pelos animais.

Os resultados com a utilização do refratômetro sugerem os seguintes valores de leitura de proteína total para estimar o nível transferência de imunidade passiva em bezerros:

- >5,5g/dL: transferência passiva de sucesso
- 5,0-5,4 g/dL: transferência passiva moderada
- <5,0 g/dL: transferência passiva insuficiente Porém, é importante ressaltar que valores de proteína no soro de 5,0 g/dL equivalem a cerca de 1.000 mg/dL (ou 10g/L) de concentração de imunoglobulinas (IgG) no sangue, valores considerados ótimos e equivalentes a uma boa colostragem. Assim, os resultados das leituras podem ser utilizados com menor rigor, sem afetar a eficiência do método, considerando então que valores >5 g/dl são indicadores de sucesso na transferência de imunidade passiva.

O refratômetro é bastante preciso na aferição do índice de luz refratada, o que está intimamente relacionada com a taxa de proteína total no sangue. Porém, alguns pontos devem ser considerados para que os resultados sejam os mais próximos da realidade, tais como:

- A qualidade do instrumento: alguns equipamentos podem ser suficientemente precisos em uma aferição geral da proteína total. Entretanto, podem não ser ideais para diferenciar pequenos incrementos, como por exemplo, valores entre 5,1 e 5,2. Porém, ao comprar um refratômetro, deve-se ter em mente de que se trata de mais uma ferramenta para melhorar a gestão na criação dos animais, e não de um equipamento preciso.

- A idade do animal: a relação entre a proteína sérica total e IgG sofre alterações com o avanço da idade das bezerras. Absorção de proteínas da dieta, ou seja, que não são IgG vindas do colostro, podem resultar em "falsos positivos". Portanto, é essencial determinar as medidas do refratômetro em bezerras com idade entre um dia e menos de 3 dias de idade. Também é importante aguardar até pelo menos 24 horas de idade, para realizar a primeira avaliação, para assegurar uma completa absorção de IgG.

- Tipos de proteínas absorvidas: no colostro normal, a relação entre IgG e outra proteínas que não são imunoglobulinas é bastante constante. Assim, é importante sempre lembrar que a relação entre a medição pelo refratômetro e transferência passiva nem sempre é precisa.

Quando os resultados mostrarem baixos níveis de proteína no soro alguns pontos devem ser considerados como a qualidade do refratômetro, a temperatura da amostra e, claro, a qualidade do colostro fornecido e o tempo após o nascimento para o fornecimento. Certifique-se que o refratômetro esteja funcionando corretamente e utilize-o com cuidado. Também tenha cuidado com sua manutenção regular e calibração, de forma a aumentar sua vida útil.

Uma vez que as medidas nos refratômetros são dependentes da temperatura da amostra, diferenças de temperatura podem ter um impacto significativo nas leituras de refratômetro. Assim, é importante se atentar às recomendações do fabricante. Por último, mas o mais importante é avaliar a qualidade e a quantidade do colostro fornecido às bezerras. A adequada colostragem também envolve a avaliação da qualidade do colostro com a utilização do colostrômetro, por exemplo. Lembre-se que para o sucesso da colostragem, de maneira geral, as bezerras devem consumir pelo menos 5 % do seu peso ao nascimento.

Assim, o refratômetro é um instrumento útil na gestão de programas de fornecimento de colostro para animais recém-nascidos. Entretanto, para que os resultados com a sua utilização sejam satisfatórios, é importante o conhecimento da forma correta de utilização e interpretação dos resultados. Também, é importante ressaltar que, do ponto de vista prático, o método é bastante eficiente, e mesmo que seus resultados não sejam, podem ser utilizados na tomada de decisões no manejo de bezerras durante os primeiros dias de vida.

Literatura consultada:

Quigley, J. Using a refractometer. Calf Notes, 2001, 5p.
Quigley, J. Calf age, total protein and FPT in calves. Calf Notes, 2001, 5p.

Autores:
Carla Maris Machado Bittar
Professora do Depto. de Zootecnia - ESALQ/USP
--------------------------------------------------------------------------------
Lucas Silveira Ferreira
Aluno de Doutorado em Ciência Animal e Pastagem - ESALQ/USP

Globo Rural acompanha a visita de Monty Roberts, o encantador de cavalos

O cowboy americano, que através de seu método já iniciou mais de 20 mil cavalos e vendeu mais de seis milhões livros, fez muita gente chorar na sua passagem por Brasília.

Monty Roberts agora vai tentar um desafio: destraumatizar um cavalo

Monty Roberts agora vai tentar um desafio: destraumatizar um cavalo

Página inicial Postagens mais antigas