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PR: ausência de chuvas deve reduzir produção

A ausência de chuva e o calor intenso têm preocupado produtores de leite do Paraná. Segundo a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), as vacas holandesas reduzem a produção por sofrerem com o calor registrado nesse mês. Em todo o Paraná, existem cerca de 114 mil produtores de leite, segundo dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes).

"Por enquanto não registramos problemas na produção de leite no Paraná, mas acredito que se a estiagem continuar certamente teremos reflexos negativos na produção", explica Maria Silvia Digiovani, assessora da Comissão de bovinocultura de leite da Faep. Segundo ela, não é apenas o Paraná que vai sofrer as consequências caso não chova. "Em outros estados a seca também está presente. Exemplo disso é Minas Gerais, o maior produtor de leite do Brasil", relaciona.

Previsão do tempo

De acordo com o Instituto Tecnológico Simepar, a tendência é que uma frente fria comece a romper o bloqueio atmosférico que gerou as temperaturas altas e os baixos índices de umidade no Paraná. "Por conta da entrada de uma fraca frente fria, as temperaturas poderão baixar um pouco a partir de hoje. Depois disso poderemos ter chuvas", explica a meteorologista Ana Beatriz Porto.

As informações são do Paraná Online, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.


Setor de leite quer fiscalização maior do governo nas importações dos EUA

Produtores brasileiros vão pedir ao governo uma fiscalização maior nas importações de leite em pó e soro dos Estados Unidos. A alegação é que a prática está prejudicando o setor. O assunto foi discutido durante a 10ª edição do Simpósio Internacional sobre Produção Competitiva de Leite que acontece em Uberlândia, Minas Gerais

NZ: produtores aumentam lucro, mas seguem cautelosos

A lucratividade da produção leiteira na Nova Zelândia aumentou bastante em 2009/10 comparado com o ano anterior, mas a confiança dos produtores permanece frágil, informou um relatório do Ministério da Agricultura e Silvicultura (MAF, sigla em inglês) do país.

O gerente regional do MAF para a região da Ilha Norte da Nova Zelândia, Phil Journeaux, disse que um maior pagamento pelo leite e menores gastos com mão de obra rural ajudaram a restaurar a lucratividade do setor. "A maioria dos produtores teve um ano financeiro ruim em 2008/09 e, com a previsão de baixos pagamentos no começo de 2009/10, os produtores mantiveram um controle muito rígido nos gastos", explica Journeaux.

A previsão para essa safra permanece positiva, mas a lucratividade cairia levemente à medida que os produtores investissem em itens que foram prorrogados ou tiveram investimento reduzido nas duas últimas safras, como fertilizantes, reparo e manutenção.

A produção de leite nacionalmente aumentou em 2009/10, com uma queda na Ilha Norte devido à seca, compensada pelos aumentos na Ilha Sul. Entretanto, a seca deverá impactar no começo da nova safra com uma menor produção nas áreas atingidas, segundo o relatório.

Journeaux disse que a previsão para 2010/11 é positiva, com os produtores animados com as boas previsões iniciais de pagamento. Embora os produtores estivessem otimistas sobre o futuro, esse otimismo era frágil, dadas as recentes flutuações no pagamento e pressões de dívidas, disse ele. "Os produtores estão nos dizendo que as coisas estão parecendo melhores, mas que eles continuam cautelosos e que mudanças relativamente pequenas nas receitas ou gastos poderiam afetar seus planos de despesas".

O relatório de monitoramento de fazendas do MAF é compilado a cada ano, baseados nos retornos das fazendas leiteiras e indústrias representativas.

As informações são do NZ Herald Online, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

Bezerra, novinha, precisa de quantos litros de leite por dia?

Na criação de gado leiteiro o bezerro precisa ser apartado da mãe depois do nascimento. Telespectadora quer saber quantos litros de leite devem ser dados a um animal de 15 dias.

Preço pago ao produtor de leite de Goiás cai mais de 20%

O preço pago ao produtor de leite em Goiás caiu mais de 20% em quatro meses. Assim como os produtores de outras regiões do país, os goianos têm encontrado dificuldades para se manter na atividade. Um novo programa da Federação de Agricultura do Estado pretende atuar na gestão de riscos e custos da pecuária de leite

Começa no Paraná a Agroleite

Esta é a 10ª edição da feira, que é uma das maiores do país no setor. Este ano, as novidades tecnológicas são destaque. O evento tem ainda palestras técnicas e leilão.

UE pressiona Índia para abrir mercado de lácteos

A Índia está sob intensa pressão para abrir seu mercado aos produtos lácteos, especialmente queijos, da União Europeia. Porém, a Índia tem defendido a ideia de que o leite e os queijos devem ser excluídos dos acordos de livre comércio que estão sendo negociados com a UE.

A Índia teme que a abertura de seu mercado acabe levando os pequenos produtores rurais a uma pobreza profunda. Entretanto, oficiais da UE defenderam seus esforços para obter a liberação dos mercados agrícolas da Índia em meio às queixas de ativistas, dizendo que a UE tem mostrado preocupação com a pobreza rural da Índia. Na Índia, o setor de lácteos assume importância crítica uma vez que fornece trabalho e renda aos agricultores que não possuem terras. Porém, os fabricantes de queijos europeus querem o fim da proteção aos produtores indianos.

Quando as negociações de livre comércio entre UE e Índia foram iniciadas em 2007, a Associação Europeia de Lácteos disse que as tarifas impostas pela Índia aos alimentos importados eram tão altas que não eram realistas. Porém, analistas acreditam que a remoção dessas tarifas faria com que os agricultores indianos não conseguissem resistir à competição.

Eles também disseram que a UE quer incluir os lácteos dentro do acordo com a Índia por causa da crise enfrentada pelos produtores de leite europeus. De acordo com o representante do Serviço Europeu de Pesquisa, Paul Goodison, a UE está querendo obter qualquer abertura de mercado em uma tentativa de compensar os problemas enfrentados pelos produtores de leite no mercado doméstico.

As informações são do Fnbnews.com, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

ARG: indústrias advertem que preço poderá baixar

Nos últimos dias, as grandes indústrias de lácteos da Argentina começaram a comunicar a seus fornecedores que, a partir desse mês de agosto, começarão a aplicar uma baixa aos preços pagos ao produtor. Analistas do setor de lácteos informaram que o valor da matéria-prima poderia ficar em torno de 1,20 a 1,25 pesos (US$ 0,30 a US$ 0,31) por litro durante os últimos meses desse ano.

"Em agosto, prevê-se que o preço médio fique em 1,35 pesos (US$ 0,34) por litro, enquanto que, para a primavera, a baixa poderia ser ainda maior", disse o coordenador da Área de Lácteos do Movimento dos Consórcios Regionais de Experimentação Agrícola (CREA), Marcos Snyder. "O abastecimento a nível interno foi se reacomodando nos últimos meses a partir de uma maior produção. Essa situação inevitavelmente se traduz em um ajuste nos preços".

O preço médio de referência do leite pago ao produtor informado pela Sub-secretaria de Lácteos da Argentina passou de 0,997 pesos (US$ 0,25) por litro em dezembro de 2009 para 1,404 pesos (US$ 0,35) por litro em junho. Indicadores elaborados pelo Governo de Santa Fé mostram uma evolução similar.

"A baixa no preço do leite não deveria ser tão dramática", disse o analista do setor, José Quintana. "A referência seguirá sendo o mercado internacional (que agora se mantém sustentado)".

Nas últimas semanas, as principais grandes cadeias de supermercados começaram a reduzir os preços atacadistas dos queijos comprados de pequenas e médias indústrias leiteiras com o propósito de oferecer preços atrativos para diversificar vendas e manter calmos os agentes da Secretaria de Comércio Interior.

Em 05/08/10 - 1 Peso Argentino = US$ 0,25393
3,93125 Peso Argentino = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)

As informações do Infocampo, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

PR: vaca holandesa vermelha e branca é a aposta para aumentar teor de sólidos

Depois de consolidar os Campos Gerais como a bacia leiteira mais produtiva do país, com médias acima de 35 litros por animal ao dia, os pecuaristas da região tentam melhorar o valor nutritivo do leite. Para isso, aprimoram o manejo das vacas, investem em tecnologia e, mais recentemente, partem para opções como a vaca holandesa vermelha e branca. O animal ganhou status de estrela da Agroleite 2010, que começa hoje e segue até sábado em Castro, no Paraná.

A vaca holandesa vermelha e branca até produz menos leite que a branca e preta, mas pode render mais se o critério for o teor de sólidos. A produção leiteira desse animal é mais "pesada" e apresenta maior valor nutritivo, características valorizadas na comercialização do produto. A diferença entre o preço do leite menos e mais concentrado passa de 5% nos Campos Gerais. O desafio tem sido encontrar animais que, através da qualidade, compensem a redução na quantidade ordenhada.

A grande maioria dos animais da raça holandesa nasce preta e branca. No entanto, com a identificação de touros pretos e brancos que possuem o gene recessivo da cor avermelhada, esse quadro passou a mudar. O cruzamento controlado permite tornar o rebanho leiteiro mais heterogêneo, informa a Associação Brasileira Criadores de Bovinos da Raça Holandesa. O animal também é mais resistente ao calor, o que significa menor gasto com o resfriamento dos estábulos. Sentindo-se mais confortáveis, as vacas leiteiras rendem mais.

A matéria é de Ismael de Freitas, publicada no jornal Gazeta do Povo/PR, resumida e adaptada pela Equipe MilkPoint.

NZ abre mercado para mais produtos lácteos europeus

A União Europeia (UE) comemorou a decisão do Governo neozelandês de abrir seu mercado doméstico aos produtos elaborados com leite cru do bloco europeu. O Comissário para a Saúde e Política do Consumidor da UE, John Dalli, elogiou o trabalho da Comissão e dos Estados Membros visando obter essas mudanças.

Até então, os produtos lácteos tinham que ser pasteurizados ou tratados com calor para serem vendidos na Nova Zelândia. Dalli explicou que a nova abertura política veio como resultado de uma maior cooperação entre Nova Zelândia e UE.

A cooperação começou com a estruturação do Acordo Veterinário UE-Nova Zelândia, pelo qual as autoridades fizeram uma avaliação de risco do consumo do queijo Roquefort e certos queijos duros feitos com leite cru, que levaram a uma importante autorização em 2008. Em 2009, a Nova Zelândia fez outra avaliação de risco de todos os produtos com leite cru. A mesma foi finalizada e foi estabelecido um padrão sanitário de importação (IHS, sigla em inglês).

Representantes da UE estimularam autoridades neozelandesas a completar seu trabalho de avaliação em junho de 2010 para permitir que queijos feitos com leite cru fossem apresentados no Fine Food NZ, evento de alimentos e bebidas realizado em junho. Isso foi conseguido e, no final, 15 variedades de queijos feitos com leite cru de sete países da UE foram mostradas em stand.

A Comissão disse que a Nova Zelândia é o primeiro país a aceitar os produtos europeus feitos com leite cru com base na equivalência estabelecida entre padrões da UE e da Nova Zelândia.

As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

Pergunte ao Rural Técnico - Colostro para silagem

Nesta quarta, dia 4, saiba como armazenar o colostro para fazer silagem. A repórter Priscilla Ferreira mostra quais são as vantagens de utilizar a sobra do colostro para a alimentação dos animais

Estratégia de comunicação afeta sucesso no controle da mastite

Os programas de capacitação e treinamento para controle de mastite têm sido muito usados para promover a prevenção da doença em rebanhos leiteiros. Grande parte dos esforços para o controle da mastite tem sido aplicada no desenvolvimento de materiais educacionais (cartilhas, folhetos, cartazes, checklists, protocolos de tratamento), treinamentos, demonstrações, dias de campo e palestras de especialistas com base no que há de mais atual e cientificamente comprovado.

No entanto, quando nos deparamos com a realidade, os resultados destes programas de treinamento e capacitação estão abaixo das expectativas, uma vez que temos atualmente, em média, cerca de 30-40% de vacas com mastite subclínica nos rebanhos brasileiro. Tal situação é similar aos estudos feitos na década de 1980 e 90. Desta forma, para que estas medidas de controle surtam efeito é necessário, além de embasamento científico, que os produtores efetivamente as coloquem em prática. Ou seja, além da real eficiência de uma prática de manejo, é necessário motivação por parte do produtor para que seja aplicada.

Simplificadamente, os estudos indicam que existam duas formas básicas de comunicação quando se busca uma mudança de comportamento (neste caso podemos entender esta mudança como adoção de uma medida de controle de mastite por parte do produtor). A primeira forma é direta e pode ser chamada de tradicional, pois é baseada na premissa de que os produtores tomam decisões racionais e levam em consideração o embasamento científico de uma determinada medida de manejo. A segunda forma é indireta e conhecida também como periférica, já que leva em conta as dicas, palpites e a experiência pessoal de produtores e técnicos para a solução de problemas, mesmo que não tendo uma comprovação científica. Este segundo método busca a mudança de comportamento dos produtores, de forma inconsciente e sem vincular o uso de uma medida com a sua eficácia.

Conforme destacado, muitos programas de treinamento e capacitação buscam os resultados pelo primeiro caminho, mas os resultados têm sido limitados. Isso ocorre porque para que o produtor tome decisões baseadas em argumentos científicos ou racionais, é necessário também que ele esteja motivado para isso. Sendo assim, quando o produtor não está motivado para aplicação de medidas comprovadas cientificamente, pode-se usar a segunda estratégia, que leva em consideração as dicas de técnicos ("se o veterinário indicou este procedimento é porque deve funcionar") ou de outros produtores ("se quase todos os produtores estão usado é porque funciona mesmo").

Recentemente, um excelente estudo desenvolvido na Holanda avaliou estas duas estratégias de comunicação com produtores na aplicação de um programa nacional de controle de mastite, iniciado em 2005. Este programa foi desenvolvido utilizando estratégias de comunicação tradicional (materiais educacionais, cartazes, protocolos de tratamento, programas de estimativa de perdas ocasionadas pela mastite, visitas técnicas, encontros, com embasamento técnico e científico das recomendações) e periférica (o objetivo foi a adoção do uso de luvas durante a ordenha, por meio de campanhas de distribuição de amostras grátis e descontos).

Os resultados indicaram que dentro de um grupo de 374 produtores avaliados, a maioria deles estava interessada em melhorar a saúde do úbere usando as medidas do programa educacional tradicional, independentemente da situação da mastite no rebanho, pois eram produtores que foram motivados para esse programa. Segundo o estudo, isto comprova que a estratégia de comunicação tradicional é mais eficiente para os produtores que estão motivados para a melhoria no controle da mastite.

De maneira similar, a avaliação da campanha de estímulo ao uso de luvas, que foi baseada somente na estratégia de comunicação indireta, mostrou que houve aumento, entre o início e o final da campanha, de 21 para 42% dos produtores que usavam luvas. A opinião favorável dos produtores avaliados sobre o uso das luvas também aumentou. Esses dados indicam que para determinadas medidas específicas, o uso de estratégias indiretas de comunicação para programas de saúde do úbere podem resultar em mudança positiva de comportamento dos produtores. Na condição que o estudo foi feito, ambos os métodos apresentaram potencial de sucesso, contudo, para ampliação do número de produtores atingidos e aumentar a chance de sucesso, a combinação dos dois tipos de estratégia seria o mais recomendável.

Uma questão fundamental deste estudo é a necessidade de uma motivação prévia dos produtores para a melhoria do controle de mastite. Ou seja, mesmo com um programa de treinamento baseado em medidas de comprovada eficácia, o sucesso depende em grande parte da motivação do produtor aplicar estas medidas. Uma das formas de motivação mais usadas nos países de pecuária desenvolvida é o uso de programas de bonificação/penalização do preço do leite em função da CCS.

Em outras palavras, quando o produtor tem uma motivação (neste caso é econômica, mas não é a única), os programas de treinamento técnico têm mais chance de surtir efeito. Podemos esperar, do mesmo modo, que quando os produtores não têm motivação externa ou desconhecem os prejuízos que estão sofrendo as chances de sucesso de programas tradicionais de treinamento e capacitação são menores. Da mesma forma, não podemos ignorar a eficácia de estratégias de comunicação que não tem embasamento científico, as quais podem ser usadas para aumentar a adoção de uma prática específica de controle.

Fonte:

Jansen et al. J. Dairy Sci. 93 :604-612, 2010.

Autor:
Marcos Veiga dos Santos
D.Sc., professor da FMVZ/USP


Vitamina B12 e cognição em idosos - Parte 1/2

Introdução

A vitamina B12 (cobalamina) é encontrada somente em produtos animais e é necessária para a síntese de DNA, o componente que contém os genes das células. Esta vitamina também ajuda na manutenção dos tecidos nervosos e na formação normal do sangue. Indivíduos com deficiência de vitamina B12 apresentam distúrbios neurológicos. O teor de vitamina B12 na carne bovina é o mais elevado de todas as carnes, ao redor de 2,8 microgramas/100 gramas. São necessárias 8,4 porções (100 gramas) de carne branca de aves ou 5,1 porções (100 gramas) de lombo suíno para proporcionar a mesma quantidade de vitamina B12 disponível em uma porção (100 gramas) de carne bovina (21).

Muito antes de ter sido reconhecido que a deficiência de vitamina B12 pode ser causa de anemia perniciosa, Addison (1849) notou que a "mente ocasionalmente ficava vaga" em seus pacientes (1). No começo do século XX, houve vários relatos de sintomas mentais em pacientes com anemia perniciosa e em 1913, Barrett (2) também descreveu mudanças histopatológicas no córtex cerebral, notavelmente neuro-degeneração e danos na massa branca e vasos sanguíneos. Embora tenha havido muitos relatos subsequentes de déficits cognitivos em pacientes com anemia perniciosa, foi somente na década de cinquenta que a demência foi primeiramente associada com o baixo status de vitamina B12 independentemente da anemia perniciosa (3). Apesar de o conceito da demência reversível devido à deficiência de vitamina B12 tenha se tornado amplamente reconhecido, de fato, houve poucas evidências de que o tratamento com vitamina B-12 melhora o status cognitivo em pacientes com demência, em contraste da dramática melhora nos sinais hematológicos após o tratamento em pacientes com anemia perniciosa (4).

Nesse artigo, três questões principais serão abordadas:

1) Quais são as evidências de que as concentrações de vitamina B-12 dentro do usualmente aceito como normal estão associadas com déficit cognitivo em idosos?

2) Quais os possíveis mecanismos biológicos que podem mediar o efeito das baixas concentrações de vitamina B12 no cérebro?

3) Pode algum desses déficits cognitivos associados com o baixo status de vitamina B12 ser revertido pelo tratamento com vitamina B-12 e, se sim, existem implicações para a política de saúde pública?

Baixo status de vitamina B12 e falhas cognitivas

A cognição, ou nossa capacidade de perceber, pensar e lembrar, é influenciada por muitos fatores, sendo um deles a nutrição. A ideia de que baixas concentrações de vitamina B12 podem estar associadas com problemas cognitivos foi levantada por Bell et al (5) em 1990 e claramente expressada por Rosenberg e Miller (6) quando escreveram: "Para a maioria das pessoas, incluindo idosos, deficiências evidentes de vitaminas são improváveis; é mais provável que deficiências suaves ou sub-clínicas possam ter um papel na patogênese da redução da função cognitiva com o envelhecimento". Entretanto, uma recente revisão sistemática (7) concluiu que "evidências de estudos longitudinais de coorte e caso-controle sugerem que não existe associação significante entre concentrações sanguíneas e ingestão dietética de vitamina B12 com testes de desempenho cognitivo ou doença de Alzheimer". Outra revisão mostrou que seis estudos prospectivos, que incluíram 4607 pessoas, que reportaram uma relação inversa entre déficit cognitivo ou demência e ingestão de vitamina B12 ou concentrações sanguíneas dessa vitamina, mas também mostrou que outros 10 estudos, envolvendo 7537 pessoas, não encontraram associação com o status de vitamina B12 (8).

Como essas discrepâncias podem ser explicadas? Primeiro, precisamos lembrar que os distúrbios cognitivos são comuns e que existem muitas causas possíveis, não havendo razão para que sempre se associe esses distúrbios com o baixo status de vitamina B12. Então, deve-se buscar por evidências de distúrbios cognitivos naqueles com baixo status de vitamina B12 ao invés de buscar o baixo status dessa vitamina naqueles com distúrbios cognitivos. Em segundo lugar, a cognição pode ser avaliada por muitos testes diferentes e não se sabe quais setores cognitivos podem estar particularmente associados com a vitamina B12. Em sua revisão sistemática, Raman et al (7) notou que 30 diferentes métodos de testes cognitivos foram usados nos trabalhos que ele avaliou. Em terceiro lugar, não se sabe se a associação entre baixas concentrações de vitamina B12 e déficits cognitivos é linear ou se tem um limiar. Em quarto lugar, a avaliação do status de vitamina B12 não é direta, porque as concentrações totais de vitamina no plasma não são um bom marcador para o status de vitamina nos tecidos (9). Abordagens alternativas são usar marcadores metabólicos que refletem o funcionamento da vitamina B12, como concentração total no plasma de homocisteína (tHcy) ou ácido metilmalônico (MMA) (10), concentração sanguínea de holotranscobalamina, saturação de transcobalamina (11) ou razão entre holotranscobalamina e vitamina B12 total (12). Finalmente, está se tornando aparente que a associação entre baixo status de vitamina B12 com o déficit cognitivo pode depender do contexto, por exemplo, do status de folato da população estudada (13). As revisões citadas anteriormente (7,8) levaram alguns desses fatores em consideração. Os mais recentes e relevantes estudos serão discutidos abaixo.

Um estudo caso-controle sobre status de vitmaina B12, avaliado através da concentração de holotranscobolamina no plasma, mostrou que baixos níveis de holotranscobolamina e níveis aumentados de MMA e tHcy, mas não o nível total plasmático de vitamina B12, estiveram associados com doença de Alzheimer patologicamente confirmada (15). No mesmo estudo, o teste cognitivo global no controle populacional esteve correlacionado com a concentração plasmática de holotranscobalamina acima do alcance normal, de 35 a 200 pmol/L. Dois outros estudos feitos com idosos mostraram associações entre maiores concentrações de MMA e déficit cognitivo, mas nenhuma associação da cognição com o nível plasmático de vitamina B12 (16,17). A utilidade da razão entre holotranscobolamina e vitamina B12 total foi mostrada em um estudo onde somente essa razão, mas não o nível total de vitamina B12 nem de holotranscobolamina, esteve correlacionado com avaliações globais em testes cognitivos (12). Um grande estudo em uma comunidade, o Banbury B12 Study, confirmou que novos marcadores, ao invés do nível plasmático total de vitamina B12, estão mais bem correlacionados com a cognição (18). Nesse estudo, os autores examinaram 820 pessoas que viviam em residências comunitárias, com mais de 75 anos, e avaliaram associações entre vitamina B12 total do plasma, holotranscobalamina, MMA, tHcy e distúrbios cognitivos. Os resultados mostram que somente os que tiveram os níveis mais baixos de vitamina B12 total no plasma estiveram associados com distúrbios cognitivos, enquanto, no caso da holotranscobalamina, níveis não tão baixos foram relacionados a distúrbios cognitivos. Altos níveis de MMA (o grupo de nível mais alto) e de tHcy (os dois mais altos) também foram relacionados com distúrbios cognitivos. Além disso, holotranscobalamina a um nível menor do que o normal foi associada com maior risco de desenvolvimento de distúrbios cognitivos.

Dois novos estudos prospectivos suportaram os relatos anteriores de que o status de vitamina B12 é um dos fatores que influenciam o declínio cognitivo. Em um estudo na Coreia, a incidência de demência em uma população de 625 idosos não foi associada com as concentrações iniciais de vitamina B12, mas foi significantemente relacionada com a mudança na vitamina B12 plasmática durante o período de acompanhamento de dois anos (19); essa associação foi evidente com incidência três vezes maior de demência naqueles com menores concentrações de vitamina B12 no plasma comparado com aqueles de maiores concentrações. Naquele que foi provavelmente o maior estudo desse tipo, Clarke et al (20) examinaram a associação entre marcadores de status de vitamina B12 e declínio cognitivo durante um período de 10 anos em 1648 idosos vivendo em residência comunitária (65 anos) em Oxford, Reino Unido. Foram encontradas associações significantes no começo e após 10 anos entre os resultados dos testes cognitivos e baixos níveis de holotranscobalamina, alto MMA ou alto tHcy, mas não com o nível total plasmático de vitamina B12. Usando um modelo linear de efeitos mistos, os autores encontraram associações entre declínio cognitivo do início até 10 anos depois com baixas concentrações de holotranscobalamina e altas concentrações de MMA ou tHcy. Nenhuma associação significante foi encontrada entre baixas concentrações de vitamina B12 e declínios cognitivos subsequentes. Usando esse modelo, estimou-se que dobrando a concentração de holotranscobalamina de 50 para 100 pmol/L levaria a uma redução de 30% na taxa de declínio cognitivo, enquanto dobrando a concentração de MMA de 0,25 para 0,50 µmol/L, levaria a um aumento de 50% na taxa de declínio (20). Esse importante estudo foi bem controlado para uma variedade de outros fatores que podem influenciar o declínio cognitivo e levou à conclusão de que o baixo status de vitamina B12 dentro do alcance normal é um fator de risco significante para o declínio cognitivo em idosos. Mais uma vez, essa conclusão notavelmente partiu do uso de outros marcadores que não a vitamina B12 em si.

Referências bibliográficas

1. McCaddon A. Homocysteine and cognition: a historical perspective. J Alzheimers Dis 2006;9:361-80.

2. Barrett AM. Mental disorders and cerebral lesions associated with pernicious anemia. Am J Insanity 1913;49:1063-78.

3. Droller H, Dossett JA. Vitamin B12 levels in senile dementia and confusional states. Geriatrics 1959;14:367-73.

4. Hector M, Burton JR. What are the psychiatric manifestations of vitamin B12 deficiency? J Am Geriatr Soc 1988;36:1105-12.

5. Bell IR, Edman JS, Marby DW, et al. Vitamin B12 and folate status in acute geropsychiatric inpatients: affective and cognitive characteristics of a vitamin nondeficient population. Biol Psychiatry 1990;27:125-37.

6. Rosenberg IH, Miller JW. Nutritional factors in physical and cognitive functions of elderly people. Am J Clin Nutr 1992;55:1237S-43S.

7. Raman G, Tatsioni A, Chung M, et al. Heterogeneity and lack of good quality studies limit association between folate, vitamins B-6 and B-12, and cognitive function. J Nutr 2007;137:1789-94.

8. Smith AD. The worldwide challenge of the dementias: a role for B vitamins and homocysteine? Food Nutr Bull 2008;29:S143-72.

9. Miller JW. Assessing the association between vitamin B-12 status and cognitive function in older adults. Am J Clin Nutr 2006;84:1259-60.

10. Clarke R, Refsum H, Birks J, et al. Screening for vitamin B-12 and folate deficiency in older persons. Am J Clin Nutr 2003;77:1241-7.

11. Bor MV, Nexo E, Hvas AM. Holo-transcobalamin concentration and transcobalamin saturation reflect recent vitamin B12 absorption better than does serum vitamin B12. Clin Chem 2004;50:1043-9.

12. Garrod MG, Green R, Allen LH, et al. Fraction of total plasma vitamin B12 bound to transcobalamin correlates with cognitive function in elderly Latinos with depressive symptoms. Clin Chem 2008;54:1210-7.

13. Morris MS, Jacques PF, Rosenberg IH, Selhub J. Folate and vitamin B-12 status in relation to anemia, macrocytosis, and cognitive impairment in older Americans in the age of folic acid fortification. Am J Clin Nutr 2007;85:193-200.

14. Selhub J, Morris MS, Jacques PF, Rosenberg IH. Folate-vitamin B-12 interaction in relation to cognitive impairment, anemia, and biochemical indicators of vitamin B-12 deficiency. Am J Clin Nutr 2009;89(suppl):702S-6S.

15. Refsum H, Smith AD. Low vitamin B-12 status in confirmed Alzheimer's disease as revealed by serum holotranscobalamin. J Neurol Neurosurg Psychiatry 2003;74:959-61.

16. Lewis MS, Miller LS, Johnson MA, Dolce EB, Allen RH, Stabler SP. Elevated methylmalonic acid is related to cognitive impairment in older adults enrolled in an elderly nutrition program. J Nutr Elder 2005;24: 47-65.

17. McCracken C, Hudson P, Ellis R, McCaddon A. Methylmalonic acid and cognitive function in the Medical Research Council Cognitive Function and Ageing Study. Am J Clin Nutr 2006;84:1406-11.

18. Hin H, Clarke R, Sherliker P, et al. Clinical relevance of low serum vitamin B12 concentrations in older people: the Banbury B12 study. Age Ageing 2006;35:416-422.

19. Kim J-M, Stewart R, Kim S-W, et al. Changes in folate, vitamin B12, and homocysteine associated with incident dementia. J Neurol Neurosurg Psychiatry 2008;79:864-8.

20. Clarke R, Birks J, Nexo E, et al. Low vitamin B-12 status and risk of cognitive decline in older adults. Am J Clin Nutr 2007;86:1384-91.

21. Rodrigues do Valle, E. Carne bovina: alimento nobre indispensável. Embrapa Gado de Corte. http://www.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/divulga/GCD41.html.

Baseado no artigo "Vitamin B-12 and cognition in the elderly", de A David Smith e Helga Refsum, publicado no American Journal of Clinical Nutrition, Vol. 89, No. 2, 707S-711S, February 2009.

Autora:
Juliana Santin
Médica veterinária pela FMVZ/USP e mestranda pela ESALQ/CENA/USP


Preço do UHT apresenta recuo na entressafra

Após quatro meses em alta, o preço do leite inverteu a tendência e voltou a recuar em junho, em pleno pico de entressafra, quando as cotações costumam subir devido à menor oferta do produto. Os preços começaram a subir em fevereiro e, em maio, acumulavam valorização de mais de 30%. A valorização foi prontamente repassada ao varejo. Nos supermercados do Paraná, o litro do leite longa vida passou de R$ 1,50 em janeiro para pouco mais de R$ 2 em maio, aponta levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

"A indústria subiu o preço ao produtor porque queria garantir matéria-prima, pois imaginava que o ano ia ser bom para as exportações. Mas a expectativa não se confirmou", relata Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O mercado interno não foi suficiente para absorver o excesso de produção. Os preços mais elevados diminuíram a demanda e fizeram a indústria acumular estoques, o que aumentou momentaneamente a oferta durante um período de entressafra, pressionando as cotações.

Hoje, o litro do leite longa vida custa ao consumidor paranaense em média R$ 1,87. Ao produtor, a indústria paga cerca de R$ 0,65, conforme o Conselho Paritário de Produtores e Indústrias de Leite (Conseleite) do estado. "O consumidor sinalizou que não vai pagar mais de R$ 2,20 pelo litro de leite UHT. Ele fez as contas e concluiu que, acima desse preço, ele economiza 30% se comprar leite em pó", diz Alvim.

Preço do longa vida no Rio Grande do Sul também cai

Levantamento do Iepe/UFRGS aponta que o produto custa, em média, R$ 1,74 nos supermercados de Porto Alegre. Esse valor, que representa queda de R$ 0,20 no litro entre maio e junho, no entanto, preocupa principalmente indústria e produtores. No ano passado, neste mesmo período, estudo apontava alta de R$ 0,32 nas gôndolas.

Em certas promoções, segundo o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Longo, o leite pode ser encontrado até por R$ 1,49. Uma das justificativas para a baixa ao consumidor final é a alta nos estoques nesse período de entressafra, ao contrário de anos anteriores marcados geralmente pelo aumento nos preços e por pequena queda na produção.

"Estamos com os estoques elevados, pois o Rio Grande do Sul tem dificuldades em vender o produto para outros Estados", explica o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado (Sindilat), Carlos Feijó.

As informações são da Gazeta do Povo/PR e Zero Hora/RS, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

MG: Megaleite reunirá 2 mil animais em Uberaba

De 27 de junho a 5 de julho, no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), mais de 2 mil animais das principais raças leiteiras (Girolando, Gir leiteiro, Sindi, Guzerá, Holandês e Jersey) participarão da 7ª edição da Megaleite. Este ano, a feira terá como novidade a presença de búfalos e de animais da raça Indubrasil.

A Megaleite receberá importantes exposições do setor: a 21.ª Exposição Nacional de Girolando, a 12.ª Exposição Nacional do Gir Leiteiro, a 2.ª Exposição Interestadual de Gado Holandês, a 5.ª Exposição Ranqueada da Raça Jersey, a 4.ª Mega Regional da Raça Sindi e Mostra de Cruzamentos, a Mostra Especial de Guzerá Leiteiro e a 1.ª Mostra Especial Indubrasil Leiteiro e Mostra Especial de Bubalinos.

Segundo o presidente da Girolando, José Donato Dias Filho, o objetivo é reunir a cadeia produtiva do leite para mostrar e discutir o potencial do setor. A abertura oficial do evento será no dia 28 e, logo em seguida, ocorre o Fórum de Debates, em que criadores e autoridades irão discutir o tema agronegócio do leite.

A Megaleite também terá 13 leilões (2 virtuais). Em 2009, a feira teve faturamento de quase R$ 10 milhões nos 14 leilões presenciais e em 13 virtuais. A expectativa é de que a mostra tenha desempenho semelhante em 2010. Além de leilões, julgamentos e torneiro leiteiro, a exposição terá espaço para a capacitação. De 24 a 27 de junho, haverá o Curso de Capacitação em Girolando.

As informações são do jornal O Estado de São Paulo, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

Vacas Gir têm contagem distinta de células somáticas

O teste que indica se uma vaca leiteira está com mastite - inflamação na glândula mamária causada por bactérias - estabelece o limite máximo de 200 mil células somáticas por mililitro (ml) de leite, independentemente da raça do animal. Uma pesquisa realizada na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP constatou que para as vacas da raça Gir o limite máximo de contagem a ser considerado pelo produtor deve ser de 100 mil células somáticas por ml de leite.

"A pesquisa serve de alerta para os produtores de leite de vacas Gir tomarem medidas preventivas para evitar que a infecção atinja outros animais", aponta o professor Marcos Veiga dos Santos, do Departamento de Nutrição e Produção Animal (VNP) da FMVZ, em Pirassununga. O estudo foi realizado pela médica veterinária Carolina Barbosa Malek dos Reis para a sua dissertação de mestrado, defendida no último dia 31 de março, sob orientação de Marcos Veiga dos Santos.

Durante um ano, Carolina coletou amostras mensais do leite produzido por três rebanhos de vacas Gir, provenientes de duas fazendas da região de Pirassununga e uma em Uberaba (MG), somando 300 animais. A partir da análise desse material, os pesquisadores perceberam que a resposta do organismo à infecção por mastite acontece de forma diferenciada no gado Gir.

De acordo com o professor, entre as medidas de controle que o produtor deverá tomar estão: ordenhar primeiro as fêmeas saudáveis e, posteriormente, as infectadas, e submeter as vacas com contagem superior a 100 mil células somáticas por ml de leite a um teste para identificar qual é a bactéria causadora da mastite. "Existem mais de 100 tipos de bactérias que podem causar a doença. Identificando o micro-organismo causador pode-se tratar o animal com a medicação adequada ou implantar outras medidas de controle, como a segregação, a secagem antecipada ou o descarte do animal" aponta. Segundo Marcos Veiga, atualmente, a mastite é a doença que mais causa prejuízo ao setor leiteiro.

O estudo também auxilia o produtor em termos de aprimoramento do monitoramento da mastite para controle do número de animais doentes do rebanho. "Um rebanho é considerado sob controle quando apresenta até um limite de, no máximo, 10% de animais infectados", aponta.

O professor ressalta que contagem de células somáticas está ligada com a qualidade e composição do produto e não com a sua segurança. "Tomar um leite com mais ou menos células somáticas não interfere na segurança do produto desde que ele tenha sido pasteurizado, e não traz riscos para o consumidor", destaca, lembrando que a legislação brasileira é semelhante a dos Estados Unidos.

"Quando se trata do leite proveniente de rebanhos, o limite de células somáticas é de 750 mil células por ml, de acordo com os parâmetros aceitáveis da legislação", destaca. Veiga conta que são produzidos anualmente no País cerca de 28 bilhões de litros de leite. Segundo o professor, a raça Gir responde por uma parcela significativa na produção de leite no Brasil, seja como raça pura ou por meio dos cruzamentos, como a Girolanda (cruzamento entre Gir e holandesa).

As informações são da Agência USP, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

Novas Ferramentas no Melhoramento Genético da Qualidade do Leite

Nos últimos anos houve um aumento do interesse na qualidade nutricional diferenciada do leite e de seus derivados, principalmente devido às indústrias de laticínios estarem cada vez mais competindo no mercado internacional. Além de oferecer vantagens diretas para o produtor, essa valorização da qualidade vem com o pagamento diferenciado por leite de melhor qualidade, tanto para seus constituintes, tais como a proteína e a gordura, quanto para a redução na contagem de células somáticas.

Sabe-se também que com a exceção de gordura do leite, proteína, contagem de células somáticas e a concentração de lactose do leite, poucos criadores leiteiros selecionam para a melhoria da qualidade de leite apesar de seus benefícios para o laticínio, como uma ferramenta de marketing para produtos lácteos e como benefícios potenciais à saúde humana.

A combinação lipídica do leite mais favorável a saúde humana é de 30% de ácidos graxos saturados (C4:0 a C18:0), 60% de monoinsaturados (C18:1) e apenas 10% de poliinsaturados (C18:2), mas o leite bovino apresenta proporções muito diferentes das desejáveis. Ele caracteriza-se pela predominância de ácidos graxos saturados (70%) que são associados a altos níveis de LDL colesterol, prejudicial à saúde humana e pequenas frações de ácidos graxos insaturados, dentre eles o C18:1 cis-9, e o ácido linoléico conjugado (CLA).

Esses resultados remetem à necessidade de alterar a composição lipídica do leite tornando-o mais saudável para o consumidor, e a genética clássica e molecular tem se tornado uma importante ferramenta para este fim.

Para aumentar a produção e a qualidade do leite produzido, é necessário buscar animais com valores genéticos superiores para características de produção de leite através da avaliação genética, que pode permitir a identificação de animais com maiores potenciais genéticos para a produção de leite de melhor qualidade, sendo possível a identificação de animais com uma composição de leite especialmente peculiar.

Vale lembrar, que as razões para a falta de interesse em seleção para melhoria da qualidade de leite estão ligadas à ausência de incentivos financeiros dos processadores (sobre e acima dos macro-componentes), assim como a incapacidade em quantificar a qualidade de leite na fazenda e estimar diferenças genéticas entre touros.

Novas técnicas, relativamente acessíveis, estão disponíveis para medir os teores de gordura do leite, proteína e a concentração de lactose no leite bovino devido ao seu potencial alto e facilidade de uso, mas a concentração de ácidos graxos voláteis no leite, assim como concentração de lactoferrina, ainda precisam ser adequadamente desenvolvidas e estudadas.

Para aumentar os ganhos genéticos em um programa de melhoramento podemos utilizar as informações de marcadores moleculares como uma ferramenta auxiliar no processo de seleção. Logo, a identificação de marcadores ligados a regiões no genoma que são responsáveis pela variação das características quantitativas (QTL) como produção de leite e produção de gordura, podem permitir que testes de DNA auxiliem na identificação de indivíduos com alto valor genético, reduzindo assim, o custo e o tempo requerido para a seleção e por consequência, aumentando a velocidade de resposta em programas de melhoramento.

Nas ultimas décadas os avanços na genética molecular levaram a identificação de marcadores genéticos associados com genes que influenciam características de interesse, o que levou a oportunidade de aumentar a resposta à seleção em particular para características onde a seleção tradicional é menos efetiva (para características de difícil mensuração, baixa herdabilidade e limitadas pelo sexo, como é o caso da produção de leite).

A seleção praticada com a inclusão de informações de marcadores genéticos é denominada de seleção assistida por marcadores (SAM) e em gado de leite, a SAM tem sido usada para uma pré-seleção de jovens candidatos a touros antes do teste de progênie, aumentando assim o diferencial de seleção, diminuindo o intervalo de gerações e aumentando o ganho genético, pois em primeira análise este animal passaria por uma avaliação molecular ampla para depois ter sua progênie testada em condições de campo.

Além dos lipídeos, outra característica candidata a SAM é a mastite, uma das enfermidades mais frequentes em bovinos de leite e uma das principais causadoras de queda na qualidade do leite e aumento das perdas na produção total, causando significativas perdas monetárias para as indústrias de leite no mundo inteiro. A resistência do animal a uma enfermidade é influenciada pela sua genética e a identificação dos genes envolvidos nessa resistência pode levar a uma estratégia de SAM que pode contribuir para o controle do crescimento da infecção do patógeno através do aumento da frequência de genes desejáveis.

Vários estudos têm encontrado relação entre determinados genes e algumas características importantes de qualidade do leite, alguns deles podem ser observados na Tabela 1.

Tabela 1. Marcadores moleculares para qualidade do leite.



Baseados em resultados de experimentos de mapeamento de QTL em vacas leiteiras, os pesquisadores Hayes & Goddard (2001) concluíram que os efeitos dos QTLs são resultados da combinação de poucos genes de grande importância e vários de menor importância. Estes autores afirmam haver de 50 a 100 genes afetando a característica quantitativa em vacas leiteiras e do total desses genes, apenas 17% podem explicar até 90% da variância genética.

Sob abordagem quantitativa, a herdabilidade estimada em vacas leiteiras para a gordura, proteína e concentrações de lactose no leite variam de 0,25 a 0,35, enquanto estimativas de herdabilidade para contagem de células somáticas são de aproximadamente 0,10.

A herdabilidade estimada para os vários ácidos graxos no leite de bovinos variam de 0,05 a 0,40, enquanto as estimativas para concentração de uréia são de 0,10 a 0,25. A estimativa de herdabilidade para a concentração de lactoferrina é da ordem de 0,20.

Pode-se assim, considerar que a identificação desses QTLs, com vistas à identificação de genes funcionais, na população é de grande interesse para o entendimento e ao progresso dos programas brasileiros de melhoramento genético em gado de leite.

Referências

BALIEIRO, E.S.; PEREIRA, J.C.C.; VALENTE, J. et al. Estimativas de parâmetros genéticos e de tendências fenotípica, genética e de ambiente de algumas características produtivas da raça Gir Leiteiro. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v.52, n.3, p.266-275, 2000.

DEKKERS, J.C.M. Commercial application of marker- and gene-assisted selection in livestock: Strategies and lessons. Journal of Animal Science, v.82:E313-328, 2004.

HAYES, B.; GODDARD, M.E. The distribution of the effects of genes affecting quantitative traits in livestock. Genetic Selection Evolution, v.33, p.209-229, 2001.

HAYES, K.C.; KHOSLA, D.R. Dietary fatty acid thresholds and cholesterolemia. FASEB Journal, v.6, p.2600-2607, 1992.

PASCAL, G. Les apports quotidiens recommande's en lipides et en acides gras. OCL, v.3, p.205-210, 1996.

NZ: exportações de lácteos aumentarão 58% até 2014

As exportações de lácteos da Nova Zelândia, que são responsáveis por um quinto do comércio externo total do país, deverão aumentar em 58% nos próximos quatro anos devido ao aumento nos preços e na demanda, de acordo com previsões do Ministério da Agricultura neozelandês.

As exportações de lácteos aumentarão para US$ 10,88 bilhões, no ano que termina em 30 de junho de 2014, 58% maior em relação ao valor estimado de US$ 6,9 bilhões no ano atual, informou o ministério em seu relatório "Situação e Previsão para Agricultura e Silvicultura da Nova Zelândia".

As exportações de lácteos neozelandesas estão sendo impulsionadas por uma crescente demanda da China. Melhores retornos estão estimulando os produtores a aumentar o tamanho de seus rebanhos, o que impulsionará a produção, de acordo com as previsões.

O Ministério projeta que o rebanho leiteiro nacional aumentará para mais de 5 milhões de animais até 2014 e a produção em 22% entre 2014 e 2010. Já os pagamentos aos produtores deverão cair em 2011 em razão da maior oferta global e dos menores preços mundiais, disse o Ministério. Até 2014, os pagamentos se recuperarão refletindo uma maior demanda e uma menor taxa de câmbio.

As informações são do Bloomberg, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

Consumo de leite cru é condenado pelo Conselho Nacional de Mastite dos EUA

A venda direta para o consumidor final de leite cru ou de algum derivado lácteo produzido com leite cru é terminantemente proibido no Brasil desde a década de 1970. No entanto, dois fatores contribuem para a necessidade de abordar esse tema visando esclarecer o consumidor final dos potenciais riscos associados.

O primeiro fator é que uma parcela significativa do leite produzido é comercializada via mercado informal, o que indica que os consumidores não têm garantias de inocuidade destes alimentos. O segundo fator é a tendência de um grupo de consumidores que são sensíveis ao apelo do consumo de alimentos naturais, sem nenhum tipo de processamento industrial e com compra direta do produtor. Em ambos os casos, muitos destes consumidores são desinformados sobre os riscos do consumo de leite cru.

Considerando a importância do assunto, disponibilizamos a tradução na íntegra de um documento recentemente publicado pelo Conselho Nacional de Mastite dos EUA (NMC), que aborda os riscos do consumo do leite cru.

"O crescimento atual da demanda pelo consumo de leite cru reflete um mercado em constante expansão dentro de um cenário de produção local, natural e de alimentos não transformados. Para atender a essa demanda crescente, os produtores de leite estão se tornando mais envolvidos na venda e/ou distribuição do leite cru. O leite cru é o leite de vacas, ovelhas, cabras e outros animais, que não tenha sido pasteurizado.

A pasteurização do leite cru foi introduzida há vários anos para evitar a propagação de doenças zoonóticas transmitidas pelo leite, especialmente a tuberculose e brucelose. As qualidades nutricionais, o melhor sabor e os benefícios para a saúde têm sido defendidos como razões para consumir o leite cru. No entanto, há uma falta de dados com base científica para substanciar essas afirmações. Por outro lado, diversos riscos à saúde têm sido associados com o consumo de leite cru.

Um grande número de focos da doença foi notificado em pessoas após o consumo do leite cru. Por exemplo, 12 surtos documentados associados ao consumo de leite cru ocorreram nos EUA entre 2000 e 2008. A partir desses surtos, 435 pessoas foram diagnosticadas com infecções bacterianas transmitidas pelo consumo de produtos lácteos crus, com mais de 60 pessoas hospitalizadas e cinco mortes, incluindo natimortos devido à listeriose.

Durante este mesmo período, havia apenas dois surtos documentados associados com o consumo de produtos lácteos pasteurizados: um deles envolvia Listeria monocytogenes, e o outro, Salmonella typhimurium. A contaminação pós-pasteurização foi implicado em ambos os focos, embora o modo específico de contaminação não foi identificado.

Apesar de numerosos estudos demonstrarem que os riscos associados ao consumo de leite cru, muitas pessoas continuam a consumir leite cru. Baseado em histórico de doenças recentes associadas ao consumo de leite cru, de várias organizações, agência e associações incluindo U. S. Food and Drug Administration, U. S. Centers for Disease Control and Prevention, American Medical Association, American Academy of Pediatrics, American Public Health Association, American Veterinary Medical Association, U. S. Animal Health Association, U. S. Department of Agriculture, National Environmental Health Association, International Association for Food Protection, Health Canada, European Food Safety Authority, Food Standards Australia New Zealand, e a Organização Mundial da Saúde (OMS), todos têm declarações formais sobre os riscos associados com consumo de leite cru e defendem o consumo do leite pasteurizado.

Nos EUA, é uma violação da lei federal vender o leite cru para uso doméstico entre estados, sendo a venda intraestadual de leite cru ilegal em cerca de 20 estados. Entre os estados que permitem o comércio interestadual de leite cru destinado ao consumo humano, os regulamentos e as normas variam consideravelmente. Em alguns países como o Canadá, o leite cru não pode ser vendido.

Quando o leite cru é vendido legalmente, são necessárias estratégias para reduzir riscos à saúde humana, padrões mínimos adequados de regulação devem ser criados para assegurar que a rotulagem, higiene durante a ordenha e os níveis de contaminação microbiana sejam efetivamente monitorados e mantidos. A educação dos consumidores para alertar os riscos potenciais transmissão de doenças de origem alimentar pelo leite cru (e outros produtos lácteos) também é necessária.

Os regulamentos que exigem que os produtos lácteos não pasteurizados atendam as normas específicas de higiene e padrões microbiológicos têm funcionado efetivamente em outros países. O desenvolvimento de padrões microbiológicos para o leite cru parece ter mérito, mas exigem métodos que podem detectar uma variedade de patógenos diferentes e provavelmente teria um custo proibitivo. Além disso, os testes para o leite cru não podem ser usados como uma alternativa eficaz à pasteurização, uma vez que a incapacidade de um método para detectar um patógeno não indica sua ausência.

A exigência de advertências de saúde a ser adicionado visivelmente nos rótulos do leite cru pode ser um mecanismo útil para alertar os consumidores dos riscos inerentes ao seu consumo. Em alguns estados dos EUA há a exigência de rotulagem de advertência. No entanto, programas intensivos de educação são necessários para assegurar que as populações vulneráveis (idosos, gestantes, pessoas imunodeprimidas e as crianças) compreendam verdadeiramente os riscos que estão associados ao consumo destes produtos. Do ponto de vista da redução dos riscos ao nível da fazenda, o desenvolvimento de medidas de controle pré e pós-ordenha para minimizar a contaminação fecal do leite são fundamentais para o controle de patógenos.

Alguns agentes patogênicos alimentares dos seres humanos são endêmicos e comensais no gado leiteiro, sendo que os esforços de investigação de fatores de risco dentro da produção primária relacionada com a contaminação do leite cru são necessários. É provável que a contaminação bacteriana possa ser reduzida melhorando a higiene durante a ordenha, embora a eliminação completa destes riscos não seja factível.

De primordial importância é a necessidade de fornecer programas educativos e materiais visando aumentar a consciência dos riscos de contaminação microbiana para os produtores de leite, os funcionários de laticínios e consumidores.

Os produtores de leite que fornecem leite cru devem ser bem informados dos riscos e responsabilidades associadas com a venda de leite cru, assim como as empresas e seguradoras envolvidas na atividade. O aumento dos esforços educativos junto aos consumidores é essencial para protegê-los contra os riscos potenciais associados com o consumo de leite cru. Os esforços para educar e informar os políticos, reguladores e legisladores também são necessários para que as legislações sejam adequadas e os padrões microbiológicos do leite cru a ser vendidos para consumo humano possam ser estabelecidos.

O NMC (Nacional Mastitis Council dos EUA), juntamente com várias outras organizações de saúde pública, agências e associações recomendam o consumo de leite pasteurizado e desestimulam a venda e o consumo de leite cru. Nos estados (dentro dos EUA) onde o leite cru é vendido legalmente, o NMC estimula estratégias para reduzir riscos à saúde humana que são inerentes ao consumo destes produtos.

Tais estratégias incluem a elaboração de regulamentos de uniformes e normas de segurança, e a educação dos consumidores e produtores sobre a produção, venda e consumo de leite cru. Os programas educacionais são necessários para assegurar que as populações vulneráveis (idosos, gestantes, pessoas imunodeprimidas e as crianças) compreendam verdadeiramente os riscos que estão associados ao consumo destes produtos.

Embora estes esforços possam ser capazes de reduzir os riscos associados ao consumo de leite cru, a única forma segura de evitar doenças de origem alimentar associada ao leite cru é o consumo de leite que foi pasteurizado."

Fonte: tradução livre de Marcos Veiga dos Santos. A íntegra do texto (em inglês) está disponível aqui.

Autor:
Marcos Veiga dos Santos
D.Sc., professor da FMVZ/USP


Pecuaristas querem o Brasil como maior exportador de leite do mundo

A Expozebu serve de termômetro para o mercado de genética na produção de carne e de leite. A feira se realiza na região berço das raças zebuínas e na maior bacia leiteira do país. O repórter Marcelo Lara conversa sobre o tema com o pecuarista João Machado Prata Jr.

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