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Incidência de fêmeas repetideiras de cio em rebanhos leiteiro mestiço submetido à IATF e sincronização de cio

Por João Cisconi Giocondo Cesar¹, Fransergio Rocha de Souza¹, Luísa Cunha Carneiro¹, Flavia Freire Franco¹, Ricarda Maria dos Santos¹

Estes dados serão apresentados no 26th World Buiatrics Congress que será realizado em Santiago, Chile, de 14 a 18 de novembro de 2010


O baixo desempenho reprodutivo determina menor produção de leite e de bezerras, incremento nas despesas de manutenção com vacas secas, maiores taxas de descarte e maior número de doses de sêmen por concepção.

A eficiência reprodutiva de um rebanho é um dos componentes mais importantes no desempenho econômico de uma propriedade de produção de leite (GROHN e RAJALA-SCHULTZ, 2000). Os problemas reprodutivos podem ser considerados fatores limitantes para pecuária leiteira dentre estes a repetição de cio é um dos graves fatores que afetam a eficiência reprodutiva.

Uma vaca com várias coberturas, sem problema diagnosticável, é chamada de "repetideira" ou "repeat breeder", esse termo é utilizado para definir uma infertilidade em vacas e novilhas que, embora apresentem ciclos estrais e cios normais, necessitam de três ou mais coberturas ou inseminações para serem fecundadas.

Como qualquer outro problema reprodutivo, a chave para identificar ou confirmar o problema das vacas que estão apresentando repetições de cio frequentes após as inseminações, é a manutenção de um bom sistema de registros. Quando a porcentagem de vacas "repeat breeder" é identificada como um problema, as causas devem ser pesquisadas.

O objetivo deste estudo foi avaliar a incidência e os fatores correlacionados com a ocorrência de fêmeas repetidoras de cio em um rebanho leiteiro de vacas mestiças submetido regularmente á protocolos de sincronização da ovulação.

O experimento foi conduzido numa fazenda leiteria comercial do Triângulo Mineiro, durante o período de fevereiro de 2009 a janeiro de 2010. Os registros foram obtidos a partir de um rebanho com 500 vacas em lactação, mantidas em pastagem durante a estação chuvosa e em confinamento na estação seca, produzindo 19,5 kg de leite / dia.

Foram analisados os dados de 371 novilhas e 997 vacas leiteiras mestiças (Holandês x Jersey) criadas em clima tropical no sudeste do Brasil, no estado de Minas Gerais. Os animais foram rotineiramente submetidos à inseminação artificial em tempo fixo (IATF) ou sincronização de estro com prostaglandina. O diagnóstico de gestação foi realizado com ultra-som em 28 a 35 dias após a IA e novamente verificados 45 dias pós-inseminação. As vacas foram inseminadas até o quarto serviço e depois submetidas à monta natural controlada.

Para a coleta dos dados de "vacas repetideiras" foram realizadas visitas mensais à Fazenda, para realização dos diagnósticos de gestação e onde se coletou registros como: ordem de lactação; data da IA; tipo da IA (IATF vs. IA convencional); produção de leite; dias pós-parto no momento da IA (para vacas lactantes); e número de inseminações anteriores.

A incidência de fêmeas repetideiras de cio foi maior (P<0,001) nas vacas em lactação (24,5%) do que nas novilhas (6,5%). Isso ocorreu provavelmente devido as diferenças metabólicas existentes entre vacas e novilhas, devido principalmente em relação a adaptações fisiológicas necessárias para a produção de leite. O metabolismo da vaca leiteira está voltado para a produção de leite em detrimento a outras atividades metabólicas, tais como mantença, crescimento e reprodução (SHORT et al., 1990).

Como a incidência de novilhas repetideiras foi baixa e diferente das vacas em lactação, os dados que serão apresentados a seguir são referentes apenas as vacas lactantes.

Tabela 1. Efeito da estação do ano na taxa de repeat breeder em vacas mestiças leiteiras.

 

Não foi detectado efeito (P = 0,078) da época de parição na incidência de vacas repetideiras. A incidência de vacas repetideiras foi de 26,7% nas vacas que pariram nos meses de primavera/verão e de 22,8% nas paridas nos meses de outono/inverno (Tabela 1), provavelmente devido longa duração da gestação e da lactação das fêmeas bovinas, os efeitos de época do ano não foram detectados. Concordando com Guimarães et al. (2002), que também não encontram efeito de estação do ano nas características reprodutivas estudadas relacionadas com intervalo de partos e ao primeiro serviço, quando trabalharam com vacas de diferentes graus de sangue Holandes/Zebu.

Tabela 2. Efeito do tipo de parto na taxa de repeat breeder em vacas mestiças leiteiras.

 

O tipo do parto (normal vs. anormal) não teve efeito (P = 0,535) sobre a incidência de vacas repetideiras (Tabela 2). Isso ocorreu provavelmente devido ao fato das vacas estudadas serem mestiças, e mesmo tendo problemas ao parto, como aborto, natimorto, distoicias e parto gemelar, tiveram uma recuperação pós-parto adequada, o que não comprometeu a eficiência reprodutiva das mesmas, contrastando com os achados de Leite et al. (2001) que em um trabalho realizado com vacas Holandesas observaram que o intervalo parto/concepção foi afetado significativamente pela ocorrência de natimortos. Vacas que pariram natimorto apresentaram 51,2 dias a mais de intervalo parto/concepção que as vacas com parto normal.

Tabela 3. Efeito da taxa de repeat breeder de acordo com a ordem de lactação em vacas mestiças leiteiras.



Foi detectado efeito (P = 0,029) do número de lactação sobre a incidência de vacas repetideiras (Tabela 3). O índice de vacas repetideiras foi maior em animais de segunda lactação. Isso ocorreu provavelmente porque essas vacas ainda estavam em fase de desenvolvimento e a produção de leite já era maior do que nas vacas primíparas. Concordando com Silva et al. (1992) que relataram que maiores intervalos entre partos ocorrem nas fêmeas de primeiro e segundo parto, devido ao estresse da lactação e ao desenvolvimento físico ainda incompleto.

Conclusão

A incidência da condição de repetição de cio foi de 24,5% em vacas mestiças em lactação e de 6,5% nas novilhas. Esta condição pode ser considerada como um fator que compromete a eficiência reprodutiva de vacas leiterias mestiça.

¹Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia

Fonte: Site do Milkpoint

Valia FIV JMMA Recordista Mundial



A nova recordista mundial Fêmea Jovem de produção de leite em Torneio Leiteiro, da raça Gir Leiteiro, continua em Goiás, Valia FIV JMMA de propriedade do criador José Mario Miranda Abdo de Alexânia – GO participou da XXVIII EXPOABRA 2010 (Brasília – DF) sendo a recordista de produção com média final de 39,047 quilos de leite, superando até a melhor vaca jovem, Galga FIV F. Mutum, que produziu média final de 38,447 quilos de leite.

Valia FIV JMMA é filha do C.A. Sansão (KCA – 472), na Edra FIV F. Mutum (MUT – 501), nascida em 11/08/2006 foi mais uma excelente FIV realizada pela Embriotec, que é especialista na raça Gir Leiteiro, mais não para por ai esta grande Doadora, além do recorde mundial também fez muito bonito em pista, sendo a Reservada Grande Campeã, ficando atrás apenas da Fase TE F.

Mutum, que sem trocadilhos ainda permanece numa excelente fase, foi campeã Fêmea Jovem e para fechar com chave de ouro fez o melhor Úbere Fêmea Jovem, este grande exemplar da raça Gir leiteiro só esta começando sua brilhante carreira aos apaixonadas pela raça ainda podem esperar muito mais, pois a cada exposição além de aumentar o número de animais a qualidade destes animais também vem crescendo muito, assim cabe a nos apaixonados a esperar os próximos capítulos.

Parabéns ao Zé Mario, que nos honra e nos deixa orgulhosos de ser nosso parceiro e nos dar o privilégio de poder contribui com esses feitos.


Fonte: Equipe Embriotec

O FSH é capaz de promover melhora da taxa de prenhez em vacas Nelore inseminadas em tempo fixo?

A busca pela melhora da taxa de prenhez de vacas de corte é uma preocupação constante tanto para produtores, quanto para os técnicos envolvidos na cadeia de produção de bovinos. Assim, qualquer técnica, seja ela de manejo ou farmacológica, que possibilite a melhora do desempenho reprodutivo dos animais é altamente desejável. Entretanto, para que tais técnicas sejam aplicáveis é importante que apresentem praticidade e baixo custo.

Dentre as técnicas farmacológicas de manipulação do ciclo estral para a realização da inseminação artificial em tempo fixo (IATF), existem aquelas que visam um incremento no crescimento folicular/luteal para melhorar as taxas de prenhez. O fármaco mais utilizado e estudado para essa finalidade é a gonadotrofina coriônica eqüina (eCG). Diversos estudos utilizando a eCG têm demonstrado aumento nas taxas de prenhez em animais lactantes no pós-parto precoce (30 - 45 dias), baixa condição corporal e que apresentam alta incidência de anestro. Porém, atualmente, apenas uma empresa no Brasil detém a venda deste produto no mercado. Além disso, a pressão de alguns países em proibir a utilização deste tipo de produto nos animais de produção vem aumentando ultimamente. Assim, a busca de alternativas ao uso da eCG é algo que merece atenção.

Uma das alternativas ao uso da eCG é o a substituição deste fármaco pelo FSH (hormônio folículo estimulante). A idéia é que com esse fármaco se consiga promover um mesmo efeito e similar resultado àquele obtido com a eCG. Esta ferramenta já foi discutida em um artigo anterior: "O FSH é capaz de promover a mesma eficiência da eCG em vacas Nelore inseminadas em tempo fixo?", no entanto, devido ao grande debate sobre este tema na seção de "cartas do leitor" e a obtenção de novos dados após a edição do último artigo, iremos apresentar a compilação de alguns resultados obtidos em estudos conduzidos por Universidades brasileiras e já publicados em congressos.

O protocolo base utilizado em todos os estudos foi o uso de um dispositivo de progesterona associado ao benzoato de estradiol no início do protocolo. No momento da retirada do dispositivo, todos os animais foram divididos homogeneamente para receber ou não a aplicação de eCG ou FSH nos diferentes grupos experimentais.

Segue abaixo uma tabela com os dados de taxa de prenhez destes estudos.

Tabela 1. Taxa de prenhez de vacas de corte submetidas a diferentes protocolos para inseminação artificial em tempo fixo com ou sem a administração de eCG ou FSH

 

Ao analisarmos estes dados, podemos verificar que nos três primeiros estudos mostrados na tabela acima, as taxas de prenhez com o uso da eCG foram superiores àquelas obtidas com o tratamento com o FSH. Porém, dois dos estudos demonstraram que o FSH é tão eficiente quanto a eCG. De forma geral, os dados compilados (última linha da tabela 1) evidenciaram que a taxa geral de prenhez foi semelhante entre os grupos.

Estes dados estão completamente de acordo com os relatos de campo, já que os resultados têm apresentado as mesmas variações acima descritas. Devemos lembrar que, de forma bastante semelhante, no início dos estudos utilizando a eCG houve uma grande variação de resultados. O aprofundamento desses estudos evidenciou, posteriormente, que a eCG apresenta resultado positivo, principalmente em animais lactantes no pós-parto precoce, com baixa condição corporal e que apresentam alta incidência de anestro. Quanto ao uso do FSH, os diversos grupos de pesquisa têm demonstrado que uma possível explicação para a variação de resposta ao tratamento com esse hormônio seja o grau de profundidade de anestro em que os animais se encontram durante o estudo.

Dos cinco trabalhos citados acima, dois mensuraram o diâmetro do maior folículo no momento da aplicação ou não de eCG/FSH e no momento da IATF, além de registrar a taxa de ovulação destes folículos (Gráfico 1). No estudo de Sales et al. (2009), foi notado que apenas a eCG aumentou o a taxa de crescimento folicular entre o dia da sua aplicação e a IATF, o diâmetro do maior folículo na IATF, a taxa de ovulação e, conseqüentemente, a taxa de prenhez. Já no estudo de Martins et al. (2010), não foi notado aumento dos diâmetros foliculares, mas a taxa de ovulação foi superior nos grupos tratados com eCG ou FSH. Com base na observação dos diâmetros foliculares encontrados pelos pesquisadores, acredita-se que um maior número de animais do estudo de Sales et al. (2009) apresentavam-se em anestro mais profundo que os animais de Martins et al. (2010).

Gráfico 1. Taxa de ovulação de vacas de corte lactantes tratadas com eCG, FSH ou sem tratamento adicional (Controle) no momento da retirada do dispositivo intravaginal de progesterona (Adaptado de Salles et al., 2009 e Martins et al., 2010)

 

Assim, podemos concluir que tanto a eCG quanto o FSH podem melhorar a taxa de prenhez de vacas submetidas a IATF, porém, ao se utilizar o FSH os critérios de seleção dos animais a serem tratados devem levar em consideração se os animais estão ou não em anestro profundo (diâmetros foliculares que não ultrapassam 8 - 9 mm de diâmetro). Entretanto, o uso da eCG dispensa essa classificação.

Bibliografia

Lima LA, Pinheiro VG, Cury JR, Barros CM. Addition of FSH, in contrast to eCG, does not increase pregnancy rates in anestrous Nellore (Bos Indicus) cows treated with fixed-time ai protocol. Reproduction, Fertility and Development 2010, Vol 22 (1), pp. 170 [abstract].

Sá Filho OG, Meneghetti M, Peres RF, Lamb GC, Vasconcelos JL. Fixed-time artificial insemination with estradiol and progesterone for Bos indicus cows II: strategies and factors affecting fertility. Theriogenology. 2009; 72(2):210-8.

Sales JNS; Crepaldi GA; Girotto RW; Baruselli PS. Effect of FSH and eCG on follicular dynamic and pregnancy rate in fixed-time AI protocol in anestrous beef cows. In: VIII Simposio Internacional de Reproducción Animal, 2009, Córdoba. Anais do VIII Simposio Internacional de Reproduccion Animal - IRAC2009, 2009[abstract].

Santos ICC, Martins CM, Valentim R, Baruselli PS. Pregnancy rate in FTAI anestrous Bos indicus cows treated with a single dose of FSHp (Folltropin1). Acta Sci Vet 2007;35(Suppl 3):1151 [abstract].

Martins CM, Valentim R, Bombonatto, DS, Santos ICC, Baruselli PS. Efeito do FSH e do eCG na dinâmica folicular e taxa de prenhez de protocolos de IATF em vacas zebuínas em anestro. Acta Sci Vet 2010;38(Suppl 2):731 [abstract].

Autor:
Henderson Ayres
Departamento de Reprodução Animal, FMVZ-USP; Department of Animal Science, Gainesville, UF-USA
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Roberta Machado Ferreira
Departamento de Reprodução Animal, FMVZ-USP, São Paulo, Brasil

Efeito do ganho de peso sobre a taxa de gestaçao de receptoras de embrião

Introdução

O Brasil é líder mundial na produção de embriões Bovinos, principalmente pela técnica de FIV (Fecundação in Vitro). Mais de 1/3 de todos os embriões desta biotécnica no mundo são produzidos e transferidos aqui. Embora num volume considerável, cerca de 400.000 embriões em 2009, trata-se de uma biotecnia recente. Iniciou-se em nosso País de forma comercial a pouco mais de 10 anos. É ainda uma tecnologia em constante evolução, que força a busca por novos conhecimentos e alcança cada vez mais novos pecuaristas como consumidores, seja pelo desenvolvimento de procedimentos mais acessíveis, seja pela melhoria da eficiência dos processos.

Infelizmente a técnica de FIV tem evoluído principalmente de forma numérica. Pelo modelo mais comum de aplicação desta biotecnia, uma parcela significativa, senão a maioria dos profissionais que a aplicam se preocupam ou possuem apenas conhecimentos empíricos ou habilidade manual relacionada às questões técnicas específicas, como a aspiração e/ou colheita e transferência dos embriões. Pouco se procura relacionar com a fisiologia reprodutiva das fêmeas e aspectos do manejo dos animais, doadoras e principalmente as receptoras. Para o resultado final, ou seja, o sucesso da técnica, o manejo dos animais é de igual ou maior importância. Dentre os fatores de manejo, sem dúvida, a nutrição é dos mais importantes.

Uma das explicações pela vanguarda brasileira está na disponibilidade de animais de baixo valor comercial para serem usadas como receptoras e na vasta área de pastagens para manutenção das mesmas. Este manejo "extensivo" das receptoras fatalmente leva a uma variação sazonal na disponibilidade das mesmas, acompanhando a oferta de forragens.

Por serem fêmeas de baixo valor comercial e também de categorias menos exigentes, geralmente relegam-se as receptoras a um segundo plano. São poucos os programas que se preocupam com a nutrição desta categoria, e menos ainda aqueles que se programam para contornar a situação de variação da oferta natural de alimentos de acordo com a época do ano, quando estas estão criadas a pasto. Independente da época do ano, o balanço energético positivo está diretamente relacionado a fertilidade das receptoras, o que é mais difícil se conseguir na época das secas sem programação e/ou suplementação adequada.

Nutrição e reprodução são dois aspectos que possuem estreitos laços, em qualquer sistema de produção. Antes de analisar características relativas a estas duas variáveis deve-se lembrar que esta relação podia ser observada inclusive nos ancestrais dos animais domésticos. Pela grande variação na oferta de alimentos nos diferentes períodos do ano, as espécies primitivas desenvolveram mecanismos de adaptação às condições de escassez de alimentos. Algumas espécies conservam estes mecanismos ou parte deles até hoje, porém a domesticação eliminou total ou parcialmente estas estratégias em várias outras. A perda destas características de adaptação à situações desfavoráveis faz com que o indivíduo seja mais sensível às variações nutricionais. A seleção genética para produção intensiva, sem dúvida, fez diminuir ou mesmo desaparecer as características de adaptação, ou de tolerância a condições de menor disponibilidade de alimentos. Nestes animais, a restrição alimentar sempre será mais prejudicial à reprodução.

A nutrição é responsável pela expressão e funcionamento de rotas metabólicas que permitirão ao animal expressar todo seu potencial produtivo e/ou reprodutivo. Estas rotas metabólicas relacionadas à reprodução são complexas e em varias situações não tem o mecanismo totalmente elucidado. Independente da via metabólica envolvida, a regulação que a nutrição exerce sobre a reprodução de machos e fêmeas ocorre principalmente por efeitos no cérebro, mais especificamente no hipotálamo, onde será alterada a secreção de GnRH.

A principal via de controle da reprodução de fêmeas bovinas pela nutrição, ocorre pela alteração na secreção de GnRH. Vários são os metabólicos circulantes indicados como responsáveis por estimular a liberação de GnRH, porém as substancias oxidáveis como glicose, ácidos graxos não esterificados e alguns aminoácidos, parecem ser os principais agentes que ativam as rotas neuro-endócrinas responsáveis pelo controle da reprodução em bovinos.

Material e métodos

Para avaliar a influência do balanço energético, ou seja, variação de peso corporal sobre a taxa de gestação de receptoras montou-se o estudo descrito a seguir.

O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito de ganho de peso nos 30 primeiros dias após a TE na taxa de gestação em novilhas mestiças usadas como receptoras de embriões. O estudo foi realizado na Central Biotran localizada no sudoeste de Minas Gerais, durante um período de 3 meses.

Figura 1. Receptoras após a transferência com identificação característica


 
Foram transferidos 264 embriões produzidos in vitro num mesmo laboratório com ovócitos colhidos de doadoras e fecundados com sêmen sexado. Os embriões foram inovulados por um mesmo técnico.

O cio das receptoras foi sincronizado por injeção intramuscular 0.530mg de cloprostenol sódico. As receptoras apresentando cio 2 a 4 dias após a sincronização foram posteriormente avaliados por ultrassonografia (Esaote ÁquilaT) para verificar a presença e posição do corpo lúteo. Após a transferência as receptoras foram mantidas em pastagens de Brachiaria brizanta, com água e suplementação mineral ad libitum.

As receptoras foram pesadas nos dias da transferência e 28-35 dias mais tarde quando o diagnóstico da gestação foi realizado por ultrassonografia. De acordo com o ganho de peso diário neste período as fêmeas foram alocadas em 4 grupos:

Tabela 1. Distribuição das receptoras nos grupos de acordo com o ganho de peso no período


O peso médio inicial das receptoras foi 346,5 + 33,4 kg, variando de 315 a 438 kg. Os embriões foram distribuídos de forma aleatória entre os grupos.

Resultados e discussão

Não houve diferença na fase de desenvolvimento, qualidade de embriões ou peso inicial médio entre grupos. O peso médio inicial das receptoras nos quatro grupos não foi diferente.

A taxa de gestação em cada um dos grupos está na Figura 3. Estes resultados suportam a hipótese de que existe uma relação positiva entre ganho de peso e taxa de gestação em receptoras de embrião. Como foram manejadas da mesma forma, pode-se afirmar que aquelas quando conseguem melhores ganhos de peso, ocorre incremento na manutenção da gestação.

Figura 2. Taxa de gestação de receptoras de embrião de acordo com o ganho médio de peso diário logo após a inovulação

O processo ovulatório e a manutenção inicial da gestação são os principais mecanismos influenciados pelo ambiente nutricional. Este conhecimento é antigo e utilizado como ferramenta de manejo denominado "FLUSHING". Este efeito do aporte de energia sobre a taxa de ovulação e manutenção inicial da gestação ocorre em fêmeas de diferentes espécies.

A taxa de gestação é o elemento chave da relação custo-benefício de qualquer programa comercial em bovinocultura. No caso das biotecnias relacionadas a embriões é ainda mais importante pelo custo dos procedimentos e o valor da genética envolvida. A nutrição inadequada pode afetar e gestação de duas formas: pode causar morte fetal ou reduzir o desenvolvimento do concepto.

A principal fase na qual a nutrição pode afetar o desenvolvimento do concepto é no início da gestação. Este efeito é particularmente delicado até o reconhecimento materno da gestação, que no bovino ocorre entre 17 e 25 dias após a concepção. Após esta fase ocorre na fêmea gestante, alteração na partição dos nutrientes, com maior prioridade para a gestação, desta forma variações nutricionais refletem menos no desenvolvimento do embrião. A troca de informações entre células trofoblásticas e epiteliais do endométrio são o aspecto crítico para a manutenção do corpo lúteo. Metabólitos circulantes no sangue materno, como alguns ácido graxos poliinsaturados, podem alterar, juntamente com as substâncias produzidas pelo embrião, a secreção de PGF2a pelo endométrio.

Desta forma, atenção especial a nutrição das receptoras deve ser dispensada logo após estas receberem o embrião, por ser o período que qualquer alteração nutricional pode afetar de forma mais intensa a taxa de gestação. Avaliações periódicas do ganho de peso das receptoras nesta fase, uma medida simples, podem indicar se resultados ruins de taxa de gestação das receptoras estão relacionados a questões nutricionais. Vale relembrar que a atenção deve ser redobrada na época das secas, quando não se tem suplementação adequada que suporte um ganho de peso compatível.

Conclusões

O ganho de peso é uma variável importante no gerenciamento de receptoras de embriões. É imprescindível um ganho de peso mínimo para que as receptoras possam apresentar fertilidade ótima.

Bibliografia consultada:

DRIANCOURT, M.A. Regulation of ovarian follicular dynamics in farm animals. Implications for manipulation of reproduction. Theriogenology, v.55, p.1211-1239, 2001.
ELROD, C. C. and BUTLER, W. R.. Reduction of fertility and alteration of uterine pH in heifers fed excess ruminally degradable protein. J. Anim. Sci., v.71, p.694-699, 1993.
FERNANDES, C.A.C. Efeito do Tratamento com Hormônio Folículo Estimulante (FSH) Sobre a Taxa de Concepção de Novilhas Mestiças Usadas como Receptoras de Embrião. Viçosa, Universidade Federal de Viçosa, Impr. Univ., 1994. 63p. Disertação (mestrado).
GOMBE, S., and W. HANSEL. Plasma luteinizing hormone (LH) and progesterone levels in heifers on restricted energy intakes. J. Anim. Sci., v.37, p.728-735, 1973.
GUTIERREZ, C.G.; OLDHAN, J; BRAMLEY, T.A.;GONG, J.G.; CAMPBELL, B.K.; WEBB, R. The recruitment of ovarian follicles is enhanced by increased dietary intake in heifers. J. Anim. Sci., v.7, p.1876-1884, 1997.
KING, G.J. World Animal Science. Reproduction in domesticated animals. University of Guelph. 1st ed, 1993, Elsevier Science Publishers, p 459-491, 1993.
SHILLO, K.K. Effects of dietary energy on control of luteinizing hormone secretion in cattle and sheep. J. Anim. Sci., v.70, n.4, p.1271-1282, 1992.
THATCHER, W.W.; GUZELOGLU, A.; MATTOS, R.; BINELLI, M.; HANSEN, T.R.; PRU, J.K.; RODRIGUES, J.L. Uterine-conceptus interactions and reproductive failure in cattle. Proceedings of the satellite symposium of the International Embryo Transfer Society: Practical considerations in dealing with embryos, Foz do Iguassu, Brazil, 16 January 2002. Theriogenology, v.56, n.9, p.1435-1450, 2002.
WILTBANK, M.C.; GUMEN, A.; SARTORI, R.; WHEELER, M.B.; SMITH, L. Physiological classification of anovulatory conditions in cattle. Proceedings of the Annual Conference of the Embryo Transfer Society, Foz do Iguassu, Parana, Brazil, 12-15 January 2002. Theriogenology, v.57, n.1, p.21-52, 2002.

Autor:

Carlos Antônio de Carvalho Fernandes



Med. Vet. PhD., diretor Técnico - Biotran ltda.


Artigo - Classificação de embriões bovinos produzidos in vivo

Os procedimentos de indução de ovulações múltiplas (superovulação), coleta e transferência de embriões tem sido largamente utilizadas como biotécnicas reprodutivas em bovinos.



Durante o processo, os embriões são recuperados do útero das doadoras, identificados e classificados.



Esta classificação é realizada em função do estádio de desenvolvimento e da qualidade morfológica dos embriões.



Autor: João Henrique Moreira Viana



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Criadores do agreste de Alagoas sofrem com os ataques dos carcarás

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Leilão virtual da Girgoiás fatura mais de R$ 200 mil

Entidade girista do Estado de Goiás promoveu leilão virtual pelo canal Terraviva com recinto montado na cidade de Anápolis, onde criadores goianos acompanharam os remates em “noite de Queijos e Vinhos”.

 
Cassio Paiva (Leiloeiro), Rosimar Silva (Girgoiás), Mário Neto (Intrerural) e Wesley (Champion), comandaram o leilão virtual da Girgoiás, dia 25 de junho de 2010, direto da cidade de Anápolis

 
 

Valdeci Antônio Coimbra, criador em Ouro Verde (GO), comprou a obra de arte e o lote mais valorizado do leilão


Goiânia (GO) – “Sucesso absoluto”, com esta frase o criador Athos Magno, ex-vice-presidente da Associação Goiana dos Criadores de Gir – Girgoiás, definiu o leilão da Girgoiás, dia 25 de junho, transmitido ao vivo pelo Canal Terrraviva, direto de Anápolis, onde foi montado um recinto com criadores de Goiás, Brasília e Minas Gerais.

O leilão faturou mais de R$ 200 mil com a venda de 39 lotes, entre animais, prenhezes, aspirações, uma dose de sêmen do touro Everest e uma obra de arte (um quadro). O leiloeiro foi Cássio Paiva e a Leiloeira foi a Interural, de Uberlândia (MG). Mário Neto, da Interural, comandou pessoalmente a mesa operadora do recinto em Anápolis (GO).

Segundo Rosimar Silva, presidente da Girgoiás, idealizador do leilão, “fizemos uma grande mobilização nacional em favor do Programa de Melhoramento Genético da Raça Gir em Goiás, realizado pela Girgoiás, Assogir e Embrapa Gado de Leite e o leilão pela TV foi o grande evento do resultado das doações feitas pelos criadores”. Ao todo, foram 118 doadores em diversos Estados Brasileiros.

Além do leilão na TV, a Girgoiás também realiza um leilão eletrônico na Internet por meio do www.canaldelance.com, que também doou os serviços de hospedagem do leilão. Rosimar informa que nem todos os animais e aspirações foram comercializados no leilão virtual, “ainda temos alguns machos, aspirações e fêmeas para vender, por que não foi possível vender tudo em um único dia”.

Repercussão
Athos Magno, criador em Nova Crixás (GO), ex-presidente da Girgoiás, foi o mais entusiasmado com o resultado do evento. Ele resumiu o resultado com um “sucesso absoluto”. Para ele, “a Girgoiás mostrou para o Brasil que tem o apoio nacional para os seus propósitos, mostrou que tem credibilidade, prestígio e apoio para desenvolver o Programa de Melhoramento Genético – teste de progênie -, além disso, mobilizamos os criadores de gir do Estado e mostramos também que nossa união é sólida, alegre, espontânea e duradoura”.

Bráulio Moraes, criador em Jandaia (GO), doador de um dos lotes disputados durante leilão (lote 7 – Gaita Fiv GirSeis), cuja mãe encerrou lactação com quase 10 mil quilos de leite (sem ajuste), também ficou entusiasmado com o resultado financeiro e político do leilão, “foi um sucesso realmente, a Girgoiás está de parabéns pela capacidade de mobilizar o Brasil em prol de uma causa justa, mostramos para o Brasil que os criadores de Goiás estão unidos, determinados a trabalharem pela raça e, o que é melhor, tem o apoio do Brasil para isso”.

Onofre Ribeiro, criador em Paraopeba (MG), também não economizou elogios à Girgoiás, “foi um evento maravilhoso, que resgata um sentimento de luta coletiva pelo bem da raça, sinto-me honrado em participar desse grupo de Goiás por meio de um touro que está em teste de progênie lá em Goiás”.

Doador do leilão, criador de gir em Santa Helena de Goiás, Alcides Rodrigues Filho, governador de Goiás não esteve no recinto, devido a compromissos oficiais, telefonou para o presidente da Girgoiás para cumprimentar pelo resultado dizendo que “Goiás se ente honrado por ter aqui uma entidade tão atuante e prestigiada como a Girgoiás”.

Valdeci Antônio Coimbra, novo criador no município Goiano de Ouro Verde, presente no recinto do leilão, comprou dois lotes (a obra de arte e a prenhez irmã completa da Gemada da Genipapo) e lançou em vários, disse que “ficou muito satisfeito em ver a união dos criadores e a forma como fui recebido pelo presidente da Girgoiás, acho que serei muito feliz no meio desses novos companheiros em Goiás e acho que está iniciativa foi muito acertada, por isso podem contar sempre comigo para colaborar no crescimento da raça em Goiás”, finalizou.

Fonte: Site da Gir Goiás

MG: Megaleite reunirá 2 mil animais em Uberaba

De 27 de junho a 5 de julho, no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), mais de 2 mil animais das principais raças leiteiras (Girolando, Gir leiteiro, Sindi, Guzerá, Holandês e Jersey) participarão da 7ª edição da Megaleite. Este ano, a feira terá como novidade a presença de búfalos e de animais da raça Indubrasil.

A Megaleite receberá importantes exposições do setor: a 21.ª Exposição Nacional de Girolando, a 12.ª Exposição Nacional do Gir Leiteiro, a 2.ª Exposição Interestadual de Gado Holandês, a 5.ª Exposição Ranqueada da Raça Jersey, a 4.ª Mega Regional da Raça Sindi e Mostra de Cruzamentos, a Mostra Especial de Guzerá Leiteiro e a 1.ª Mostra Especial Indubrasil Leiteiro e Mostra Especial de Bubalinos.

Segundo o presidente da Girolando, José Donato Dias Filho, o objetivo é reunir a cadeia produtiva do leite para mostrar e discutir o potencial do setor. A abertura oficial do evento será no dia 28 e, logo em seguida, ocorre o Fórum de Debates, em que criadores e autoridades irão discutir o tema agronegócio do leite.

A Megaleite também terá 13 leilões (2 virtuais). Em 2009, a feira teve faturamento de quase R$ 10 milhões nos 14 leilões presenciais e em 13 virtuais. A expectativa é de que a mostra tenha desempenho semelhante em 2010. Além de leilões, julgamentos e torneiro leiteiro, a exposição terá espaço para a capacitação. De 24 a 27 de junho, haverá o Curso de Capacitação em Girolando.

As informações são do jornal O Estado de São Paulo, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.

Como saber se a colostragem da minha bezerra foi realizada da forma correta?

Garantir a transferência de imunidade passiva durante as primeiras horas de vida é essencial para a sobrevivência de bezerras recém-nascidas. A transferência de imunidade passiva é determinada, principalmente, pela quantidade e qualidade de colostro consumida pelas bezerras nas primeiras 24 horas após o nascimento. Entretanto, infelizmente, determinar falhas de transferência passiva nas fazendas é relativamente difícil e quando estas são detectadas, muitas vezes os animais já adoeceram ou morreram.

De acordo com os principais trabalhos de pesquisa nesta área, uma colostragem é considerada inadequada quando a concentração de imunoglobulinas (IgG) no sangue das bezerras é inferior a 10 gramas de IgG por litro de soro (ou 1.000 mg/dl de soro).

Atualmente, um método bastante interessante e prático vem sendo utilizado para estimar, de forma indireta, o grau de transferência de imunidade passiva em bezerros, baseado na utilização de um refratômetro portátil (Figura 1), equipamento de custo relativamente baixo.



Figura 1. Exemplo de refratômetro portátil

O refratômetro funciona medindo o "brilho" de um feixe de luz quando este passa através de uma amostra de líquido. O equipamento então mede a quantidade de luz que é refratada, ou seja, "desviada" durante o caminho do feixe de luz pelos constituintes da amostra. Assim, quanto maior a quantidade de proteína da amostra, mais luz é "desviada" e, assim, o refratômetro faz a leitura.

Embora o refratômetro não seja fabricado para avaliar a quantidade de IgG no sangue, ele faz isso indiretamente, medindo a quantidade de proteínas totais. Como em bezerros recém-nascidos existe uma estreita correlação entre as imunoglobulinas absorvidas e o total de proteína no sangue (já que nas primeiras horas de vida a maior parte da proteína consumida no colostro é IgG), pode-se inferir que o valor obtido por leitura no refratômetro pode estimar a absorção de IgG pelos animais.

Os resultados com a utilização do refratômetro sugerem os seguintes valores de leitura de proteína total para estimar o nível transferência de imunidade passiva em bezerros:

- >5,5g/dL: transferência passiva de sucesso
- 5,0-5,4 g/dL: transferência passiva moderada
- <5,0 g/dL: transferência passiva insuficiente Porém, é importante ressaltar que valores de proteína no soro de 5,0 g/dL equivalem a cerca de 1.000 mg/dL (ou 10g/L) de concentração de imunoglobulinas (IgG) no sangue, valores considerados ótimos e equivalentes a uma boa colostragem. Assim, os resultados das leituras podem ser utilizados com menor rigor, sem afetar a eficiência do método, considerando então que valores >5 g/dl são indicadores de sucesso na transferência de imunidade passiva.

O refratômetro é bastante preciso na aferição do índice de luz refratada, o que está intimamente relacionada com a taxa de proteína total no sangue. Porém, alguns pontos devem ser considerados para que os resultados sejam os mais próximos da realidade, tais como:

- A qualidade do instrumento: alguns equipamentos podem ser suficientemente precisos em uma aferição geral da proteína total. Entretanto, podem não ser ideais para diferenciar pequenos incrementos, como por exemplo, valores entre 5,1 e 5,2. Porém, ao comprar um refratômetro, deve-se ter em mente de que se trata de mais uma ferramenta para melhorar a gestão na criação dos animais, e não de um equipamento preciso.

- A idade do animal: a relação entre a proteína sérica total e IgG sofre alterações com o avanço da idade das bezerras. Absorção de proteínas da dieta, ou seja, que não são IgG vindas do colostro, podem resultar em "falsos positivos". Portanto, é essencial determinar as medidas do refratômetro em bezerras com idade entre um dia e menos de 3 dias de idade. Também é importante aguardar até pelo menos 24 horas de idade, para realizar a primeira avaliação, para assegurar uma completa absorção de IgG.

- Tipos de proteínas absorvidas: no colostro normal, a relação entre IgG e outra proteínas que não são imunoglobulinas é bastante constante. Assim, é importante sempre lembrar que a relação entre a medição pelo refratômetro e transferência passiva nem sempre é precisa.

Quando os resultados mostrarem baixos níveis de proteína no soro alguns pontos devem ser considerados como a qualidade do refratômetro, a temperatura da amostra e, claro, a qualidade do colostro fornecido e o tempo após o nascimento para o fornecimento. Certifique-se que o refratômetro esteja funcionando corretamente e utilize-o com cuidado. Também tenha cuidado com sua manutenção regular e calibração, de forma a aumentar sua vida útil.

Uma vez que as medidas nos refratômetros são dependentes da temperatura da amostra, diferenças de temperatura podem ter um impacto significativo nas leituras de refratômetro. Assim, é importante se atentar às recomendações do fabricante. Por último, mas o mais importante é avaliar a qualidade e a quantidade do colostro fornecido às bezerras. A adequada colostragem também envolve a avaliação da qualidade do colostro com a utilização do colostrômetro, por exemplo. Lembre-se que para o sucesso da colostragem, de maneira geral, as bezerras devem consumir pelo menos 5 % do seu peso ao nascimento.

Assim, o refratômetro é um instrumento útil na gestão de programas de fornecimento de colostro para animais recém-nascidos. Entretanto, para que os resultados com a sua utilização sejam satisfatórios, é importante o conhecimento da forma correta de utilização e interpretação dos resultados. Também, é importante ressaltar que, do ponto de vista prático, o método é bastante eficiente, e mesmo que seus resultados não sejam, podem ser utilizados na tomada de decisões no manejo de bezerras durante os primeiros dias de vida.

Literatura consultada:

Quigley, J. Using a refractometer. Calf Notes, 2001, 5p.
Quigley, J. Calf age, total protein and FPT in calves. Calf Notes, 2001, 5p.

Autores:
Carla Maris Machado Bittar
Professora do Depto. de Zootecnia - ESALQ/USP
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Lucas Silveira Ferreira
Aluno de Doutorado em Ciência Animal e Pastagem - ESALQ/USP

Origem materna do zebu brasileiro

As raças bovinas podem ser separadas em dois principais grupos, taurinos (Bos taurus) e zebuínos (Bos indicus), sendo que os últimos se caracterizam pela presença do cupim. Embora oficialmente sejam considerados como pertencentes a espécies diferentes, muitos autores consideram indivíduos taurinos e zebuínos como subespécies (Bos taurus taurus e Bos taurus indicus). Além disso, embora taurinos e zebuínos tenham originado de um ancestral comum, eles evoluíram em ambientes bastante distintos e, portanto, na atualidade divergem em muitos aspectos. Via de regra, os taurinos são animais europeus que evoluíram em regiões de clima temperado, enquanto os zebuínos são animais indianos que evoluíram em regiões de clima tropical. É por isso, que as raças zebuínas (por exemplo, Nelore, Gir, Brahman e Guzerá) se adaptam muito melhor ao clima brasileiro que as raças taurinas (por exemplo, Angus, Simental, Limousin e Holandês).



Devido à sua melhor adaptação ao clima tropical, as raças zebuínas se difundiram bastante no Brasil, embora algumas raças taurinas, como a Holandesa, também tenham grande participação na pecuária nacional devido às suas aptidões para certos nichos. Dentre as raças bovinas atualmente existentes no país, o Nelore, Gir e Guzerá representam a maioria das raças de origem zebuína e o Brahman, Tabapuã e Indubrasil a maioria das raças compostas por cruzamento de raças zebuínas. Estes animais são, em sua grande maioria, descendentes de animais importados da Índia no início do século XIX. Sabe-se que cerca de 7.000 animais foram trazidos deste país ao longo de uma série de importações que se estenderam até 1960, e que, naquele período, já era criada no Brasil grande quantidade de animais oriundos da Península Ibérica (taurinos). Assim, a importação de machos indianos permitiu a sua rápida disseminação genética, uma vez que estes foram cruzados com as fêmeas européias já existentes no país.



Portanto, o zebu brasileiro pode ser separado em duas grandes populações: animais puros de origem importada (POI) oriundos do acasalamento de machos e fêmeas zebuínas importadas da Índia, e animais puros de origem (PO), descentes dos mesmos machos zebuínos importados, mas cruzados com fêmeas taurinas. Como as fêmeas descendentes do cruzamento de machos zebuínos com fêmeas taurinas foram por diversas gerações retro-cruzadas com machos zebuínos POI, os animais PO, que hoje representam a maioria dos zebuínos existentes no Brasil, são geneticamente idênticos aos POI.



No entanto, quando dizemos que os animais PO e POI são geneticamente idênticos entre si, nos referimos exclusivamente ao material genético presente no núcleo da célula (DNA nuclear). O DNA nuclear é responsável por guardar a informação necessária para o funcionamento da grande maioria dos eventos celulares, e, portanto, tem grande influência no fenótipo do indivíduo (por exemplo, aptidão para a produção de carne ou leite e características físicas). Esta informação é armazenada na forma de um código, o que permite a sua transmissão de uma geração para a outra, preservando as características de uma raça.



Embora o núcleo guarde a grande maioria da informação genética de uma célula, uma pequena parte desta informação é preservada fora do núcleo, no citoplasma. Esta informação é guardada, em parte, pelo DNA presente no interior de uma organela conhecida como mitocôndria e, por isso, este DNA é conhecido por DNA mitocondrial. As mitocôndrias são organelas responsáveis pela síntese de energia e, portanto, podem afetar diretamente o fenótipo do indivíduo. Em um acasalamento, 50% do DNA nuclear do macho e 50% da fêmea contribuem para o genótipo do descendente. Diferente do que acontece com o DNA nuclear, o DNA mitocondrial é herdado exclusivamente da fêmea (herança materna), não tendo o macho nenhuma contribuição para com o genótipo mitocondrial do descendente. Assim, o DNA mitocondrial de um indivíduo, seja ele fêmea ou macho, é idêntico ao DNA mitocondrial de sua mãe. Isso explica porque grande parte dos zebuínos PO existentes no Brasil possui DNA mitocondrial taurino.



Como no Brasil as fêmeas taurinas foram utilizadas para o cruzamento com machos zebuínos e nas gerações seguintes, os cruzamentos foram sempre realizados entre as fêmeas descendentes e os machos zebuínos POI, o DNA mitocondrial taurino foi passado de geração para geração. Portanto, embora os animais PO gerados por estes cruzamentos possuam DNA nuclear de origem zebuína, o DNA mitocondrial é de origem taurina. A Figura abaixo ilustra o esquema de cruzamentos descrito acima para as primeiras cinco gerações descendentes.







Figura 1. Esquema de acasalamentos para apurar a raça zebu a partir de fêmeas taurinas considerando a herança genética nuclear e mitocondrial. Todos os machos referem-se a zebuínos POI (100% zebuíno para o DNA nuclear e mitocondrial), enquanto que somente a fêmea fundadora era 100% taurina ou POI. As demais fêmeas cruzadas com os machos POI referem-se ao produto do acasalamento da geração anterior



Estima-se que mais de dois terços dos zebuínos PO que compõem na atualidade o rebanho nacional possuam DNA mitocondrial de origem taurina. No entanto, existem poucos indícios que atestem um efeito de variações na sequência do DNA mitocondrial sobre as características fenotípicas de um animal.



Na verdade estes indícios são oriundos de trabalhos que utilizaram raças taurinas como Hereford e Holandês. Nestes casos, constatou-se que determinadas alterações na sequência do DNA mitocondrial podem afetar características fenotípicas como a produção de leite ou carne. No entanto, até o momento não há evidência clara de um efeito similar no caso dos zebuínos PO e POI de diferentes linhagens maternas. Portanto, por mais que muitos dos zebuínos PO existentes no Brasil possuam DNA mitocondrial taurino, isto não parece afetar significativamente as características fenotípicas dos mesmos, não sendo, portanto, motivo de preocupação para os criadores. De qualquer forma, as linhagens maternas do zebu brasileiro continuam a ser investigadas, tanto para esclarecer a origem desses animais, como para confirmar a inexistência de efeito materno taurino.



Nos casos de animais clonados, os indivíduos gerados também não herdam o DNA mitocondrial do animal de interesse. Isso ocorre porque neste procedimento o conteúdo de uma célula da pele do animal de interesse é introduzido num oócito doado por outro animal. Como as células da pele possuem uma quantidade muito pequena de mitocôndrias se comparado com a presente no oócito, os clones produzidos herdam quase que exclusivamente o DNA mitocondrial doado pelo oócito.



Para que os animais clonados herdem o mesmo DNA mitocondrial que o animal de interesse seria necessário utilizar oócitos e células doadas por animais de mesma origem materna. Por esse motivo, algumas associações de criadores de zebuínos do país têm feito este tipo de exigência para poder registrar o animal clonado. No entanto, mais uma vez é importante lembrar que, considerando as diferenças entre animais taurinos e zebuínos em termo de DNA mitocondrial, não se espera que zebuínos POI clonados utilizando oócitos taurinos apresentem uma diferença fenotípica significativa em relação ao animal doador de interesse.



Leitura recomendada:
Meirelles FV, Rosa AJM, Lôbo RB, Garcia JM, Smith LC e Duarte FAM. 1999. Is the american zebu really Bos indicus? Genetics and Molecular Biology, v. 22, p. 543-546.
Méo SC, Ferreira CR, Chiaratti MR, Meirelles FV, Regitano LCA, Alencar MM e Barbosa PF. 2009. Characterization of mitochondrial genotypes in the foundation herd of the Canchim beef cattle breed. Genetics and Molecular Research, v. 8, p. 261-267.
Paneto JC, Ferraz JB, Balieiro JC, Bittar JF, Ferreira MB, Leite MB, Merighe GK e Meirelles FV. 2008. Bos indicus and Bos taurus mitochondrial DNA - comparison of productive and reproductive breeding values in a Guzera dairy breed. Genetics and Molecular Research, v. 7, p. 592-602.

Autores:
Henderson Ayres

Departamento de Reprodução Animal, FMVZ-USP, São Paulo, Brasil
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Marcos Roberto Chiaratti
Departamento de Ciências Básica, FZEA-USP, Pirassununga, SP, Brasil
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Roberta Machado Ferreira
Departamento de Reprodução Animal, FMVZ-USP, São Paulo, Brasil

Nutrição e saúde uterina no pós-parto e a fertilidade

Este texto é parte da palestra apresentada por José Eduardo Portela Santos, no XIV Curso Novos Enfoques na Produção e Reprodução de Bovinos, realizado em Uberlândia em março de 2010.


Estudos epidemiológicos demonstraram claramente que há uma forte relação entre as doenças no pós-parto e o desempenho reprodutivo subsequente dos bovinos leiteiros. As vacas diagnosticadas com hipocalcemia clínica tinham 3,2 vezes mais probabilidade de retenção de placenta (RP) do que as vacas que não tinham hipocalcemia clínica (Curtis et al., 1983). Whiteford e Sheldon (2005) também verificaram que a hipocalcemia estava associada à ocorrência de doença uterina em vacas leiteiras em lactação. Markusfeld (1985) relatou que 80% das vacas com cetonúria desenvolveram metrite.

Um importante fator de risco para a doença uterina é a RP. Em geral, vacas com RP têm risco maior de desenvolver metrite quando comparadas com as vacas que não têm RP. Tanto a metrite como a RP duplicam os risco das vacas de permanecer com inflamação uterina no momento da primeira inseminação após o parto (Rutigliano et al., 2008). Nos Estados Unidos, um recente estudo do USDA (NAHMS, 1996) indicou que a incidência de RP em vacas leiteiras foi de 7,8 ± 0,2%. Um estudo de 2006 realizado em 5 granjas leiteiras em Israel observou que a RP foi diagnosticada em 13,1% (9,4 a 18,1%) e 9,2% (3,6 a 13,8%) das vacas multíparas e primíparas, respectivamente (Goshen e Shpiegel, 2006). No mesmo estudo, a metrite afetou 18,6% (15,2 a 23,5%) e 30% (19,4 a 42,3%) das vacas multíparas e primíparas, respectivamente.

Tanto a RP como a metrite podem ter efeitos devastadores sobre a eficiência reprodutiva em vacas leiteiras em lactação, com redução das taxas de concepção e prolongamento dos intervalos até a prenhez (Goshen e Shpiegel, 2006). Na verdade, a doença clínica não apenas afeta negativamente a fertilidade de vacas leiteiras. A endometrite, uma doença caracterizada por aumento na proporção de neutrófilos na citologia uterina sem a presença de sinais clínicos de inflamação do útero, tem importantes efeitos deletérios sobre as taxas de concepção de vacas leiteiras em lactação na primeira inseminação no pós-parto.

Dados sugerem que o consumo de ração e o comportamento no arraçoamento em torno do momento do parto poderiam mediar do risco de doenças uterinas em bovinos leiteiros (Hammon et al., 2006; Huzzey et al., 2007; Urton et al., 2005). Hammon et al. (2006) observaram que as vacas que desenvolvem doença uterina no pós-parto apresentaram redução na IMS cerca de uma semana antes da parição. Da mesma forma, as vacas diagnosticadas com metrite grave depois da parição já estavam consumindo menos matéria seca 2 semanas antes da parição (Huzzey et al., 2007). No mesmo estudo, mesmo as vacas que desenvolveram uma metrite branda estavam com IMS reduzida uma semana antes do parto quando comparadas com as vacas com útero saudável.

O mesmo grupo (Urton et al., 2005) observou que as vacas que desenvolviam metrite passavam depois menos tempo comendo antes e depois do parto do que as vacas que não desenvolveram metrite. Estes dados indicam que a supressão da ingestão de nutrientes ou alterações no comportamento alimentar antes do parto são importantes fatores de risco para o desenvolvimento de metrite pós-parto.

O status imune da vaca pode ser uma ligação potencial entre a ingestão de nutrientes e o desenvolvimento de doenças uterinas. Kimura et al. (2002) avaliaram a função neutrofílica em 142 vacas leiteiras no periparto, pertencentes a dois rebanhos, avaliando a atividade quimiotáxica e de destruição destas células. Os autores observaram que 14,1% das vacas desenvolveram RP. Os neutrófilos isolados das vacas com RP tinham redução na capacidade de migrar para o tecido placentário e menor atividade mieloperoxidase, um marcador para a explosão oxidativa e atividade de destruição dos neutrófilos.

É interessante que a redução da função dos neutrófilos foi observada entre 1 e 2 semanas antes da parição, sugerindo que a redução da função imunológica inata pode ser parte da causa da RP mais do que uma consequência da doença. Na verdade, as vacas que desenvolveram uma doença uterina, metrite clínica ou endometrite subclínica, apresentaram redução da IMS e da função neutrofílica antes da parição (Hammon et al., 2006). Estes dados sugerem de forma enfática que a ingestão inadequada de nutrientes antes da parição poderia predispor as vacas a um comprometimento da função imunológica e, subsequentemente, a um maior risco de doenças uterinas que afetam negativamente a reprodução.

Como a ingestão de nutrientes parece influenciar o status energético e a função imunológica das vacas leiteiras, e ambos parecem estar relacionados com o risco de doenças uterinas, é prudente sugerir que as estratégias nutricionais e de manejo que otimizam a ingestão de nutrientes no período em torno do parto devem melhorar a saúde uterina e subsequente fertilidade de vacas leiteiras. Igualmente importante, ou talvez até mais importante do que a composição da dieta é o ambiente a que a vaca está sujeita no período do periparto. Conforto inadequado, concorrência pelo espaço e status hierárquico podem influenciar a capacidade da vaca de consumir nutrientes, o que pode posteriormente predispô-la à doença uterina (Hammon et al., 2006; Huzzey et al., 2007; Urton et al., 2005).

Fonte de Se e Reprodução

Durante o período pós-parto imediato, o sistema imune da vaca é desafiado de forma severa (Goff, 2006), e os sistemas de defesa inato e humoral estão reduzidos. A incidência de doenças e transtornos pode ser alta durante este período de tempo e ter impacto negativo sobre o desempenho reprodutivo. A chance de prenhez, por exemplo, foi reduzido se as vacas tinham RP ou perdido uma unidade do ECC (Goshen e Shpigel, 2006; Santos et al., 2008). A redução na imunidade adaptativa e inata na parição aumenta o risco de transtornos como RP, metrite e mastite.

Há muito tempo o selênio vem sendo associado à imunidade. Em alguns estudos, os bovinos suplementados com Se de levedura tiveram aumento de 18% de Se no plasma em relação ao uso de selenito de sódio (Weiss, 2003). Algumas regiões dos Estados Unidos são deficientes em Se, particularmente a região sudeste, enquanto que outros estados, como a Califórnia, apresentam em sua maioria níveis adequados de Se.

Um experimento foi conduzido para avaliar uma fonte suplementar de selênio orgânico sobre as respostas reprodutivas e imunes de vacas leiteiras na Flórida e na Califórnia CA (Silvestre et al., 2006a,b; Rutigliano et al., 2008). Os objetivos eram avaliar os efeitos de Se orgânico sobre a saúde e o desempenho reprodutivo de vacas leiteiras. A partir de 25 dias antes do parto, as vacas receberam uma fonte de Se: Se orgânico (Se de levedura [SY; Sel-Plex®, Alltech) ou Se sódico inorgânico (selenito de sódio, SS). O nível das fontes de Se foi de 0,2 ppm (com base na MS) e foram administradas até o dia 80 após o parto.

Nos dois locais, as vacas seguiram o mesmo protocolo de estudo e a saúde dos animais foi monitorada diariamente durante todo o estudo. A temperatura retal foi registrada todas as manhãs 10 dias após o parto. Na Flórida, a avaliação vaginoscópica do trato reprodutivo foi realizada nos dias 5 e 10 após o parto. As vacas foram avaliadas quanto à incidência de RP, metrite, metrite puerperal, endometrite subclínica por citologia uterina, cetose, deslocamento de abomaso e mastite. A ovulação foi sincronizada para a primeira IA após o parto.

As concentrações plasmáticas de Se aumentaram com os dias após o parto, mas a fonte de Se não influenciou as concentrações de Se das vacas na Califórnia. Na Flórida, entretanto, o uso de SY melhorou as concentrações plasmáticas de Se (0,087 x 0,069 ± 0,004 μg/ml; P < 0,01). Não houve diferenças na incidência de doenças no pós-parto entre os grupos, mas as vacas que receberam SY tiveram incidência menor de corrimento vaginal purulento do que as que receberam SS na Flórida. A dieta alterou a frequência de vacas multíparas detectadas com > 1 evento de febre (temperatura retal > 39,5 ºC; SY, 13,3% [25/188] x SS, 25,5% [46/181]; P < 0,05).

O efeito de SY não foi observado em vacas primíparas, que tiveram uma frequência muito maior de febre (40,5%). Os escores de corrimento foram determinados pela vaginoscopia nos dias 5 e 10 após o parto foram melhores para o grupo SY: 47,1 (217/460) x 35,0% (153/437) de aspecto claro, 43,4 [200/460] x 47,8% [209/437]) de aspecto mucopurulento, e 9,3 (43/460) x 17,1% (75/437) de aspecto purulento para os grupos SY e SS, respectivamente (P < 0,05). O uso de Se orgânico (SY) melhorou a saúde uterina e a RP ao segundo serviço durante o verão.

A dieta não alterou as taxas de prenhez depois do primeiro serviço na Califórnia e na Flórida, e a taxa de prenhez ao segundo serviço na Flórida foi maior para as vacas que receberam SY do que as que receberam SS [SY, 17% (34/199) x SS 11,3% (24/211); P < 0,05]. O benefício de SY sobre a taxa de prenhez ao segundo serviço é surpreendente. Foi levantada a hipótese de que as vacas do grupo SY foram capazes de restabelecer um ambiente favorável ao desenvolvimento embrionário no segundo serviço.

Na Califórnia, as medidas das respostas imunes, inata e humoral, não foram alteradas pela fonte de Se, mas as vacas que receberam SY na Flórida tiveram melhor função neutrofílica e títulos séricos melhores contra ovalbumina. Os achados indicaram que o uso de SY melhorou as medidas de imunidade humoral e celular, saúde uterina e taxa de prenhez ao segundo serviço nas vacas na Flórida, que é conhecido como sendo um estado com deficiência de Se. Na Califórnia, entretanto, a fonte de Se não teve impacto sobre a saúde, as medidas de resposta imune ou desempenho reprodutivo.

Autores:

Ricarda Maria dos Santos
Médica Veterinária, Doutora pela FCAV/UNESP e professora da FAMEV da Universidade Federal de Uberlândia
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José Luiz Moraes Vasconcelos
Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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