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A IVERMECTINA (IV)

I. Um pouco da história

A IV foi desenvolvida nos Estados Unidos pelos laboratórios de pesquisa da Merck Sharp Dohme (MSD) a partir de uma cultura obtida de amostras de solo japonês. A IV é um derivado das avermectinas, uma classe de antiparasitários altamente ativos, isolados da fermentação do Streptomyces avermitilis.

A possibilidade de seu uso em humanos começou em Abril de 1978, com as observações do Dr. Campbell, quando testava a mesma contra nematódeos gastro-intestinais em cavalos. Foi demonstrado que o composto era efetivo contra as microfilárias de Onchocerca cervicalis, pertencente ao mesmo gênero da O. volvulus. A partir de então estudos foram feitos em animais de grande porte infectados com a O. gibsoni e O. gutturosa.

Em dezembro de 1978 o Dr. Campbell propôs a equipe de pesquisa da MSD para considerar a possibilidade de uma avermectina ser a primeira droga que poderia prevenir a cegueira associada com a oncocercose e que discussões deveriam ser desencadeadas com a Organização Mundial da Saúde (OMS) / Tropical Disease Research (TDR). Apesar de todo o otimismo nos laboratórios de pesquisa da MSD, a reação do TDR foi muito pouco entusiasta entre 1979 e 1982. Apesar dos resultados preliminares promissores e o envio do relatório ao comitê de peritos do TDR em 1979, este não provocou nenhuma resposta a MSD. A colaboração entre o TDR e a MSD para formalizar estudos posteriores em O. volvulus só foi efetivada em 1982. A busca por um composto macrofilaricida continuou ser prioridade do TDR, embora a descoberta da IV como um potente microfilaricida não modificou a maneira do TDR ver droga como uma solução para a oncocercose. O TDR finalmente reconheceu e contribuiu para os estudos adicionais necessários para o uso da IV em oncocercose humana causada pela O. volvulus.

Os ensaios clínicos começaram em 1981 no Senegal. Doses muito pequenas foram utilizadas e se verificou que 30 ou 50 microgramas/Kg decrescia substancialmente o número de microfilárias na pele (e com poucas reações adversas, diferentes da DEC). Esse efeito de supressão era continuado por até 6 meses. A esse estudo seguiu-se outro em Paris, quando imigrantes africanos foram tratados, mostrando que doses até 200 mcg/Kg eram bem toleradas. A partir de então, uma cascata de estudos foi desencadeada (pela MSD e TDR), chegando-se ao conhecimento acumulado que temos sobre a IV nos dias de hoje.

Desde de 1987, com o seu registro na França (comercialmente conhecida como Mectizan), a ivermectina tem sido a droga de escolha para o tratamento da oncocercose e está sendo doada pelo laboratório MSD para os países endêmicos, oficialmente desde 1988. A MSD também doa a ivermectina para os países co-endemicos com a filariose linfática, quando a mesma é co-administrada com o albendazol. A patente da IV expirou em 1997 e agora qualquer laboratório poderá produzi-lo, porém isso não mudou a conduta da MSD que só produz o Mectizan para doação e não para comercialização.


A estreita relação entre doenças respiratórias e o manejo de bezerros

As doenças respiratórias são comumente observadas em bovinos de produção leiteira, sendo um problema crítico em muitas propriedades. Normalmente acometem os bezerros, logo nas primeiras semanas ou meses de vida, o que ocasiona perda de muitos animais e gastos financeiros com medicamentos, sendo que a criação das fêmeas numa exploração leiteira tem impacto direto na produtividade da fazenda.

O acometimento destes animais após duas semanas justamente ocorre por ser o período crítico de imunidade, ou seja, quando o número de anticorpos que o filhote recebeu da mãe pelo colostro começa a reduzir, e seu organismo precisa produzir seus próprios anticorpos. Desta forma, muitos animais passam por um período desprotegidos, o que facilita o desenvolvimento de diversas doenças, principalmente enterites e pneumonias.

Para o avanço da exploração leiteira foi necessário reduzir drasticamente o tempo de amamentação natural dos bezerros. A prática de separar os bezerros das vacas ao nascimento, após mamar o colostro, tem sido adotada para aumentar a produção de leite, bem como acelerar o retorno da vaca à vida reprodutiva. O bezerro é então apartado para receber o leite normalmente em balde, criado em baias individuais ou coletivas até o desmame. Além do estresse da apartação materna precoce, os bezerros normalmente recebem leite diluído em água ou apenas sucedâneos do leite, para reduzir os custos com sua alimentação. Desta forma, o recém-nascido, que deveria apenas mamar o leite materno com os nutrientes necessários para o seu correto e saudável desenvolvimento, torna-se predisposto às mais diversas infecções ambientais.

São diversas as condições que contribuem de maneira significativa para o desenvolvimento das doenças respiratórias. Relacionadas ao manejo deve-se destacar a superlotação com animais de diferentes idades, calor ou frio excessivo, sujidades e umidade no ambiente, parasitismo e outras doenças concomitantes. Existem ainda peculiaridades orgânicas dos bovinos que os torna mais predisponentes a lesões pulmonares que outras espécies, como limitada capacidade de troca gasosa e reduzida quantidade de células de defesa no pulmão.

Vários microorganismos podem causar doenças respiratórias em bezerros, de modo especial as broncopneumonias que apresentam mortalidade de até 80% nos animais acometidos. Os vírus e bactérias ocupam lugar de destaque entre os vários patógenos, sendo que muitas vezes ocorre uma associação deles nas infecções observadas. Nesse particular, é importante destacar novamente o manejo de agrupar bezerros de diferentes idades num mesmo lote, o que obriga animais imunodeprimidos a frequentar o mesmo ambiente que outros animais doentes ou que estejam vivenciando melhora de alguma afecção, mas que ainda são importantes disseminadores de microorganismos, especialmente se as condições do lugar não estiverem adequadas, bem como o manejo alimentar.

Os principais sinais clínicos observados são tosse úmida e dolorosa e aumento da frequência respiratória. Alguns animais se apresentam deprimidos, com falta de apetite, presença de febre e muitas vezes com diarréia. O bezerro pode também apresentar corrimento nasal, e caso o mesmo esteja com odor fétido é sinal de putrefação dos tecidos acometidos pela lesão, o que pode indicar mais gravidade do quadro clínico.

Existem métodos para o diagnóstico do agente etiológico causador do problema, principalmente pelo isolamento microbiológico do conteúdo obtido por lavagem broncoalveolar, realizado por um médico veterinário. No entanto, relembrando que muitas vezes a etiologia é multifatorial, o tratamento é basicamente o mesmo para todos os casos, principalmente a base de antibióticos, antiinflamatórios e medicamentos que facilitam a expectoração, receitados de acordo com cada caso. Deve-se deixar o animal em ambiente limpo, seco, bem arejado, confortável e livre de poeira, com alimento que não forme pó e água fresca em abundância.

Considerando que o tratamento, quando se pensa em diversos animais acometidos, representa sempre alto custo, o ideal é sempre optar pela prevenção do problema. Ao observar as causas que predispõem o bezerro ao desenvolvimento das afecções pulmonares, fica claro que para reduzir a incidência das doenças deve-se repensar no manejo praticado na propriedade.

Os pesquisadores liderados pelo professor Mateus J. R. Paranhos da Costa, Grupo ETCO - Bem Estar Animal da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias - Jaboticabal, constataram que a adoção de práticas de manejo menos radicais, e sim mais cuidadosas, apresentam excelentes resultados quanto à redução de doenças e aumento de desenvolvimento dos animais no período de amamentação artificial. O estudo foi realizado com dois grupos de animais: aqueles sob o manejo tradicional, condicionados em instalações individuais, recebendo leite em duas mamadas em balde individual, feno, água e concentrado a vontade até a desmama, e o outro grupo denominado de manejo racional. Neste segundo grupo, os animais de até 30 dias eram mantidos juntos no mesmo galpão metade do dia, e no outro período soltos em piquete. O leite fornecido em baldes com bico, inicialmente seis litros por animal, decaindo gradativamente até os 70 dias de vida. Os animais eram escovados pelas tratadoras até terminar a ingestão de leite, sendo que esta escovação permitia um contato individual e carinhoso com cada animal. Entre 30 e 70 dias os bezerros eram soltos permanentemente em piquete. Da mesma forma que no primeiro grupo, havia a disposição de concentrado e água a vontade no piquete e no galpão.

Com o manejo racional verificou-se redução significativa no número de mortes dos bezerros e da necessidade de medicamentos aos animais doentes, além de melhor disposição e vigor dos animais, o que demonstra a eficácia do manejo em reduzir o número de afecções neste período tão crítico.

O manejo de agrupar os animais num mesmo galpão, que foi feito neste experimento, teve o objetivo de socializar os animais desde jovens, uma vez que os bovinos são animais gregários, com tendência a viver em grupos. Como foram adotadas boas práticas alimentares e de manejo geral, não houve aumento de doenças neste grupo, e sim redução em relação ao grupo em que se empregava o isolamento dos animais.

A amamentação dos bezerros por meio de balde com bico torna a digestão do leite mais adequada, pois ele simula o movimento de sucção que naturalmente o bezerro faria na vaca. Assim, o leite irá para o compartimento gastrintestinal adequado, e não apodrecerá como ocorre na ingestão de leite por balde comum, o que ocasiona diarréia e predispõe a outras doenças como pneumonias. No entanto, a higiene deste balde deve ser feita todos os dias para que o bico não funcione como disseminador de microorganismos, facilitando o acúmulo de leite entre as mamadas.

Portanto, propriedades que apresentam alto índice de animais com doenças respiratórias ou mesmo mortalidade elevada, devem preocupar-se inicialmente com a correta administração de colostro, leite produzido nos primeiros dias do parto, que deve ser feito preferencialmente de 6 a 12 horas após o nascimento. Também deve ser dada especial atenção ao tipo de manejo adotado, e repensar se alterações, como as sugeridas, não poderiam ser empregadas na tentativa de reduzir a incidência de moléstias que comprometam a produção da propriedade.

Referências Bibliográficas

BRUM, M.C.S. et al. Enfermidade gastroentérica e respiratória em bezerros inoculados com amostras brasileiras do vírus da diarréia viral bovina tipo 2 (BVDv-2). Ciência Rural. v.32, n.5, p.803-820, 2002.

COUTINHO, A.S. Complexo das doenças respiratórias de bezerros. II Simpósio Brasileiro de Buiatria. Disponível em: http://www.ivis.org/proceedings/abmg/2005/pdf08.pdf. 2005.

JERICHO, K.W.F.; KOZUB, G.C. Experimental infectious respiratory disease in groups of calves: Lobar distribution, variance, and sample-size requirements for
vaccine evaluation. The Canadian Journal of Veterinary Research. v.68, p. 118-127, 2004.

GONÇALVES, R.C. O sistema respiratório na sanidade dos bezerros. Disponível em: http://www.revistas.ufg.br/index.php/vet/article/viewFile/7922/5783

SILVA, L.C.M.; MADUREIRA, A.P.; COSTA, M.J.R.P. Mais carinho no manejo de bezerros leiteiros: uma experiência bem sucedida. Disponível em: http://www.portaldoagrovt.com.br/agro/pecuaria/manejo_de_terneiras.pdf

Luciane Laskoski
Médica Veterinária, especialista em clínica médica de grandes animais. M.Sc em Cirurgia Veterinária.

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Joelson Antônio Silva
graduando da Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade de Cuiabá

Edema Maligno - Gangrena Gasosa

O que é

O Edema Maligno, também conhecido por gangrena gasosa, é uma infecção “exógena”, ou seja, que vem de fora para dentro, produzida por um ou mais dos seguintes microorganismos: C. septicum, C. chauvoei, C. novyi tipo A, C. sordellii e C. perfringens tipo A.

Estes microorganismos entram no corpo do animal através de ferimentos na pele e membranas mucosas, ocasionados por castração, tosquias, partos, procedimentos vacinais, punções venosas entre outros. A recuperação dos animais é rara, bem como ocorre no carbúnculo sintomático, sendo a maioria destes encontrados mortos devido ao rápido curso da doença.

A doença ocorre de forma esporádica e acomete animais de qualquer espécie e de qualquer idade. Os surtos acontecem somente quando há traumatismos coletivos como: castração, descorna, corte da língua nos animais em pastagens fibrosas na época da seca, tosquia, corte de cauda, injeções com agulhas contaminadas (não higienizadas). Quando a doença é causada pela utilização de agulhas contaminadas, a mortalidade é muito alta nas primeiras 48 horas após o manejo.

Chama-se atenção para o número de ocorrências de edema maligno no país em decorrência de falhas nos processos de vacinação e vermifugação, principalmente devido à falta de assepsia (higiene): agulhas e seringas não esterilizadas, ausência de trocas de agulhas entre animais, locais de criação com excesso de matéria orgânica, dentre outros.

Como reconhecer

Doença aguda que causa morte em 24-48 horas após o início dos sintomas, os quais são: perde de apetite, depressão, febre, claudicação (manqueira) se a lesão ocorrer no membro. A área afetada fica aumentada de volume e pode apresentar crepitação e ou edema. A lesão do edema geralmente é no tecido subcutâneo (debaixo da pele) e entre os músculos e, raramente, no músculo.

Como tratar

Altas doses de penicilina podem ser usadas, mas como a doença causa a morte rápida, na maioria das vezes não dá tempo para o produto agir.

Como evitar

Para a prevenção dessa doença recomenda-se a vacinação de todos os animais da propriedade a partir de 3 meses de idade. Para os animais vacinados pela primeira vez, uma segunda dose deve ser aplicada 30 dias depois da primeira, e depois deve ser feita a revacinação anual. As vacinas usadas devem conter Clostridium septicum, C. novyi, C. perfringens, C. chauvoei e C. sordelli.

Usar agulhas e seringas higienizadas, sendo que é preciso lembrar que higienizar é esterilizar através da fervura por 20 minutos.

Trocar de agulhas a cada 10 (dez) animais vacinados.

Vacine seu rebanho com POLI-R, POLI-STAR ou POLIVACINA: produtos de qualidade.

A estreita relação entre doenças respiratórias e o manejo de bezerros

As doenças respiratórias são comumente observadas em bovinos de produção leiteira, sendo um problema crítico em muitas propriedades. Normalmente acometem os bezerros, logo nas primeiras semanas ou meses de vida, o que ocasiona perda de muitos animais e gastos financeiros com medicamentos, sendo que a criação das fêmeas numa exploração leiteira tem impacto direto na produtividade da fazenda.

O acometimento destes animais após duas semanas justamente ocorre por ser o período crítico de imunidade, ou seja, quando o número de anticorpos que o filhote recebeu da mãe pelo colostro começa a reduzir, e seu organismo precisa produzir seus próprios anticorpos. Desta forma, muitos animais passam por um período desprotegidos, o que facilita o desenvolvimento de diversas doenças, principalmente enterites e pneumonias.

Para o avanço da exploração leiteira foi necessário reduzir drasticamente o tempo de amamentação natural dos bezerros. A prática de separar os bezerros das vacas ao nascimento, após mamar o colostro, tem sido adotada para aumentar a produção de leite, bem como acelerar o retorno da vaca à vida reprodutiva. O bezerro é então apartado para receber o leite normalmente em balde, criado em baias individuais ou coletivas até o desmame. Além do estresse da apartação materna precoce, os bezerros normalmente recebem leite diluído em água ou apenas sucedâneos do leite, para reduzir os custos com sua alimentação. Desta forma, o recém-nascido, que deveria apenas mamar o leite materno com os nutrientes necessários para o seu correto e saudável desenvolvimento, torna-se predisposto às mais diversas infecções ambientais.

São diversas as condições que contribuem de maneira significativa para o desenvolvimento das doenças respiratórias. Relacionadas ao manejo deve-se destacar a superlotação com animais de diferentes idades, calor ou frio excessivo, sujidades e umidade no ambiente, parasitismo e outras doenças concomitantes. Existem ainda peculiaridades orgânicas dos bovinos que os torna mais predisponentes a lesões pulmonares que outras espécies, como limitada capacidade de troca gasosa e reduzida quantidade de células de defesa no pulmão.

Vários microorganismos podem causar doenças respiratórias em bezerros, de modo especial as broncopneumonias que apresentam mortalidade de até 80% nos animais acometidos. Os vírus e bactérias ocupam lugar de destaque entre os vários patógenos, sendo que muitas vezes ocorre uma associação deles nas infecções observadas. Nesse particular, é importante destacar novamente o manejo de agrupar bezerros de diferentes idades num mesmo lote, o que obriga animais imunodeprimidos a frequentar o mesmo ambiente que outros animais doentes ou que estejam vivenciando melhora de alguma afecção, mas que ainda são importantes disseminadores de microorganismos, especialmente se as condições do lugar não estiverem adequadas, bem como o manejo alimentar.

Os principais sinais clínicos observados são tosse úmida e dolorosa e aumento da frequência respiratória. Alguns animais se apresentam deprimidos, com falta de apetite, presença de febre e muitas vezes com diarréia. O bezerro pode também apresentar corrimento nasal, e caso o mesmo esteja com odor fétido é sinal de putrefação dos tecidos acometidos pela lesão, o que pode indicar mais gravidade do quadro clínico.

Existem métodos para o diagnóstico do agente etiológico causador do problema, principalmente pelo isolamento microbiológico do conteúdo obtido por lavagem broncoalveolar, realizado por um médico veterinário. No entanto, relembrando que muitas vezes a etiologia é multifatorial, o tratamento é basicamente o mesmo para todos os casos, principalmente a base de antibióticos, antiinflamatórios e medicamentos que facilitam a expectoração, receitados de acordo com cada caso. Deve-se deixar o animal em ambiente limpo, seco, bem arejado, confortável e livre de poeira, com alimento que não forme pó e água fresca em abundância.

Considerando que o tratamento, quando se pensa em diversos animais acometidos, representa sempre alto custo, o ideal é sempre optar pela prevenção do problema. Ao observar as causas que predispõem o bezerro ao desenvolvimento das afecções pulmonares, fica claro que para reduzir a incidência das doenças deve-se repensar no manejo praticado na propriedade.

Os pesquisadores liderados pelo professor Mateus J. R. Paranhos da Costa, Grupo ETCO - Bem Estar Animal da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias - Jaboticabal, constataram que a adoção de práticas de manejo menos radicais, e sim mais cuidadosas, apresentam excelentes resultados quanto à redução de doenças e aumento de desenvolvimento dos animais no período de amamentação artificial. O estudo foi realizado com dois grupos de animais: aqueles sob o manejo tradicional, condicionados em instalações individuais, recebendo leite em duas mamadas em balde individual, feno, água e concentrado a vontade até a desmama, e o outro grupo denominado de manejo racional. Neste segundo grupo, os animais de até 30 dias eram mantidos juntos no mesmo galpão metade do dia, e no outro período soltos em piquete. O leite fornecido em baldes com bico, inicialmente seis litros por animal, decaindo gradativamente até os 70 dias de vida. Os animais eram escovados pelas tratadoras até terminar a ingestão de leite, sendo que esta escovação permitia um contato individual e carinhoso com cada animal. Entre 30 e 70 dias os bezerros eram soltos permanentemente em piquete. Da mesma forma que no primeiro grupo, havia a disposição de concentrado e água a vontade no piquete e no galpão.

Com o manejo racional verificou-se redução significativa no número de mortes dos bezerros e da necessidade de medicamentos aos animais doentes, além de melhor disposição e vigor dos animais, o que demonstra a eficácia do manejo em reduzir o número de afecções neste período tão crítico.

O manejo de agrupar os animais num mesmo galpão, que foi feito neste experimento, teve o objetivo de socializar os animais desde jovens, uma vez que os bovinos são animais gregários, com tendência a viver em grupos. Como foram adotadas boas práticas alimentares e de manejo geral, não houve aumento de doenças neste grupo, e sim redução em relação ao grupo em que se empregava o isolamento dos animais.

A amamentação dos bezerros por meio de balde com bico torna a digestão do leite mais adequada, pois ele simula o movimento de sucção que naturalmente o bezerro faria na vaca. Assim, o leite irá para o compartimento gastrintestinal adequado, e não apodrecerá como ocorre na ingestão de leite por balde comum, o que ocasiona diarréia e predispõe a outras doenças como pneumonias. No entanto, a higiene deste balde deve ser feita todos os dias para que o bico não funcione como disseminador de microorganismos, facilitando o acúmulo de leite entre as mamadas.

Portanto, propriedades que apresentam alto índice de animais com doenças respiratórias ou mesmo mortalidade elevada, devem preocupar-se inicialmente com a correta administração de colostro, leite produzido nos primeiros dias do parto, que deve ser feito preferencialmente de 6 a 12 horas após o nascimento. Também deve ser dada especial atenção ao tipo de manejo adotado, e repensar se alterações, como as sugeridas, não poderiam ser empregadas na tentativa de reduzir a incidência de moléstias que comprometam a produção da propriedade.

Referências Bibliográficas

BRUM, M.C.S. et al. Enfermidade gastroentérica e respiratória em bezerros inoculados com amostras brasileiras do vírus da diarréia viral bovina tipo 2 (BVDv-2). Ciência Rural. v.32, n.5, p.803-820, 2002.

COUTINHO, A.S. Complexo das doenças respiratórias de bezerros. II Simpósio Brasileiro de Buiatria. Disponível em: http://www.ivis.org/proceedings/abmg/2005/pdf08.pdf. 2005.

JERICHO, K.W.F.; KOZUB, G.C. Experimental infectious respiratory disease in groups of calves: Lobar distribution, variance, and sample-size requirements for
vaccine evaluation. The Canadian Journal of Veterinary Research. v.68, p. 118-127, 2004.

GONÇALVES, R.C. O sistema respiratório na sanidade dos bezerros. Disponível em: http://www.revistas.ufg.br/index.php/vet/article/viewFile/7922/5783

SILVA, L.C.M.; MADUREIRA, A.P.; COSTA, M.J.R.P. Mais carinho no manejo de bezerros leiteiros: uma experiência bem sucedida. Disponível em: http://www.portaldoagrovt.com.br/agro/pecuaria/manejo_de_terneiras.pdf

Autores:
Luciane Laskoski
Médica Veterinária, especialista em clínica médica de grandes animais. M.Sc em Cirurgia Veterinária.
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Joelson Antônio Silva
graduando da Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade de Cuiabá



Febre Aftosa

O que é

É uma doença infecto-contagiosa de notificação obrigatória. No Brasil é causada pelos vírus “A”, “O” e “C”, os quais se espalham facilmente e rapidamente, ultrapassando barreiras geográficas. Acomete todos os animais domésticos biungulados (duas unhas): bovinos, ovinos, caprinos e bubalinos, além dos animais selvagens, como: veados, capivaras, porcos do mato, etc.

É transmitida através de: contato direto de animais sãos com os animais doentes; utensílios contaminados (mãos, roupas, calçados, baldes, cordas, cabrestos, etc.); veículos que transportam animais; água contaminada; cochos e pastos que foram utilizados por animais doentes. A saliva de animais doentes não é a única fonte de vírus para o ambiente, mas com certeza é a mais potente.

Suas consequências são desastrosas para todos, pois ocorre diminuição da produção e produtividade na ordem de 25%, abate de todos os animais na área de foco (doentes e sadios), fechamento das exportações de animais e de todos os produtos e subprodutos de origem animal.

Hoje a palavra de ordem é erradicar, acabar com essa doença e, erradicar a aftosa no país é tão possível quanto necessário. Acabar com a aftosa será o maior passo da pecuária brasileira em direção às criações altamente tecnificadas.


As vacinas produzidas no Brasil passam por um controle rígido do governo e dos laboratórios. Em busca da qualidade das vacinas, os laboratórios fizeram com que os pecuaristas tivessem à disposição as vacinas mais cuidadosamente produzidas no mundo. O importante é aplicá-las e aplicá-las corretamente.

Como reconhecer

O animal doente apresenta-se abatido, com febre, pelos arrepiados e feridas (aftas) na língua, gengivas, úbere e entre as unhas, baba muito e tem dificuldade para se alimentar.

Como tratar

Não existe tratamento para a febre aftosa. Onde ela ocorre, os animais da propriedade afetada e no seu entorno deverão ser sacrificados, tanto os doentes como os sadios.

Como evitar

O combate à aftosa é uma questão de consciência. A erradicação na sua propriedade e no país vai acontecer quando duas medidas básicas se tornarem automáticas: vacinação e vigilância sanitária.
Esquema de vacinação:

•1ª DOSE: realizar a primeira dose até os 4 meses de idade.

•2ª DOSE: reforço 90 dias após a 1ª dose.

•Revacinar todos os animais a cada 6 meses.
Outros esquemas de vacinação poderão ser adotados a critério das autoridades sanitárias e sob a responsabilidade delas. A Vigilância Sanitária é uma função do governo, mas na realidade a responsabilidade é rigorosamente de todos.


Quando o assunto é febre aftosa não adianta apenas saber da época da campanha de vacinação. É preciso participar, estimular os vizinhos, cooperar com o governo vacinando todo o rebanho e colocando em prática as normas sanitárias.

Respeite os controles de fronteiras, não entre no “conto da nota fria”, não jogue vacina fora e não deixe de vacinar. O país agradece e você leva o lucro.

Diarreia Viral Bovina (BVD)

O que é

A diarreia viral bovina (BVD) é uma enfermidade dos bovinos, e também de outros ruminantes, que causa grandes perdas econômicas nos rebanhos de corte e, principalmente, de leite de todas as idades. Ela age deprimindo o sistema imunológico do animal afetado, dando condições para que outras doenças se instalem e se disseminem no rebanho. Por apresentar distribuição geográfica mundial, cerca de 50 a 90% da população bovina adulta apresenta anticorpos no soro sanguíneo contra o vírus da BVD. Por isto, teoricamente, acredita-se que todos os rebanhos bovinos estejam infectados e a prevalência de anticorpos em animais adultos está em torno de 60%.

O vírus da BVD frequentemente infecta as membranas mucosas do nariz e boca.
Muitos animais portadores do vírus da BVD não apresentam sinais da infecção, embora eliminem, intermitentemente, o vírus. Esses ruminantes podem continuar a eliminar os vírus por períodos prolongados e, acredita-se que sejam os principais responsáveis pela disseminação e persistência do vírus em um rebanho.

Aborto e defeitos ao nascimento são os mais importantes problemas econômicos que ocorrem em tais animais.


Os pecuaristas que não estão cientes da presença de reprodutores persistentemente infectados (PI) correm o risco de acumular animais nessas condições, o que poderia ser economicamente desastroso. Por estarem aparentemente sadios, esses animais podem ser identificados somente quando ocorrer um surto da doença ou através da realização de um diagnóstico laboratorial com amostras de sangue. A súbita ocorrência anormal da doença frequentemente está associada com o estresse, que pode ser o fator desencadeante de uma epidemia.

As principais fontes de infecção da BVD são os animais doentes e animais PI. Estes últimos são os mais importantes epidemiologicamente, tendo em vista a grande quantidade de vírus excretada por longos períodos, a dificuldade de detectá-los e a possível ausência de manifestação clínica.


Os animais PI são os principais responsáveis pela manutenção e disseminação da BVD no rebanho. A via de eliminação é ampla, envolvendo descarga nasal, saliva, sêmen, fezes, urina, lágrima e leite.


A transmissão pode ocorrer tanto por contato direto entre animais como pelo contato indireto por meio de água, alimentos, agulhas contaminadas etc.


O vírus pode atingir o feto atravessando a placenta, através da circulação sanguínea materna, e causar aborto.

Como reconhecer

Infecções pós-natal de animais imuno-competentes.


Estas infecções são atualmente denominadas de BVD aguda, em que se pode ou não observar os sinais clássicos descritos.


Usualmente estas infecções são pouco manifestadas, mas causam prejuízos à fertilidade dos animais.


Recentemente têm sido relatados casos de BVD aguda com severas manifestações clínicas.


Entre bezerros algumas das amostras virais isoladas causam um quadro denominado de síndrome hemorrágica.


Infecções intra-uterinas


Ao infectar fêmeas gestantes soro-negativas o BVDV atravessa a placenta e infecta o feto, causando diferentes graus de lesões macroscópicas, que vão desde imperceptíveis até a morte fetal.


Doença das Mucosas

Esta infecção fetal com imunotolerância pode ter vários cursos, inclusive o nascimento de animais persistentemente infectados (PI) que, eventualmente, podem chegar até a fase adulta sem manifestações clínicas, com incapacidade de produzir anticorpos contra o BVDV, eliminando grandes quantidades de vírus.


Animais PI têm seu desenvolvimento retardado e normalmente morrem mais cedo em função de infecções secundárias. Todavia, tais animais podem eventualmente sobreviver até a idade reprodutiva e gerar animais também persistentemente infectados.

Como tratar

Não existe tratamento para essa doença.

Como evitar

Eliminação de animais PI
O fator de maior preponderância para o controle da enfermidade constitui-se na identificação e eliminação dos animais persistentemente infectados, pelo fato dos mesmos serem os mais efetivos disseminadores da doença em um plantel.

Vacinação

•Vacinas Inativadas
Vacinas inativadas ou de vírus vivo modificado têm sido amplamente utilizadas para a imunoprofilaxia da BVD. Face à importância da infecção fetal nos prejuízos causados pelo BVDV, a obtenção da imunidade fetal constitui um dos objetivos de grande importância das vacinas.

•Vacinas Atenuadas
São consideradas seguras inclusive para o uso em vacas prenhes, entretanto a imunidade fetal é de curta duração, especialmente para amostras heterólogas do BVDV. Induzem proteção mais ampla e mais duradoura, mas podem causar danos ao feto, incluindo a formação de animais PI.
Caso um biotipo citopatogênico seja empregado na produção de vacina, o mesmo pode induzir a doença das mucosas, se aplicado em animais PI.


A vacinação repetida é recomendada tanto para vacinas inativadas como para as atenuadas.

Intoxicação por Uréia

O que é

É uma intoxicação aguda, causada pelo consumo de uréia na dose recomendada por animais que não foram adaptados previamente; por acesso acidental, sendo ingerida em grandes quantidades (no caso de animais já adaptados); quando há erros de dosagem e falta de homogeneidade em mistura nas rações. É caracterizada por incoordenação motora, tremores musculares, colapso e morte.

Outros fatores que podem contribuir para a intoxicação são: a deficiência de carboidratos digestíveis na ração, a baixa qualidade da forragem consumida ou debilidade orgânica do animal por fraqueza ou jejum.

Como reconhecer

Os sintomas iniciam-se após 20 minutos podendo chegar até 1 hora após a ingestão da uréia. O animal fica apático, com dor abdominal intensa, tremores musculares, incoordenação, salivação excessiva (baba espessa), micção e defecção freqüentes, respiração acelerada, fraqueza, timpanismo, mugidos altos, enrijecimento dos membros anteriores, prostração, tetania generalizada, convulsões (debatem-se muito), colapso circulatório, asfixia, e morte provavelmente por parada respiratória devido ao excesso de amônia.

Muitas vezes o animal intoxicado é encontrado morto ou se sobrevive é por um período de mais ou menos 4 horas após a ingestão da uréia.

Como tratar

O tratamento deve ser feito o mais rápido possível, aplicando-se vinagre (ácido acético a 5%) na dose de 3 a 6 litros por animal e repetindo-o com o reaparecimento dos sintomas. Deve-se administrar o vinagre através de garrafas, colocando o bico da garrafa no canto da boca e deixar o líquido descer goela abaixo permitindo a deglutição do animal. Não puxar a língua do animal, pois o líquido poderia ir para o pulmão e causar asfixia e posteriores danos pulmonares. Este procedimento irá baixar o pH, diminuir a hidrólise da uréia, impedindo, assim, sua absorção.

O tratamento mais eficaz é a rumenotomia para o esvaziamento imediato e completo do rúmen, mas só é viável quando acomete um pequeno número de animais, devido ao rápido curso da doença.

Outros medicamentos poderão ser usados para alívio dos sintomas, tais como, soluções de cálcio e magnésio, soluções de glicose e laxativos.

Segundo o professor Enrico Lippi Ortolani, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, uma simples mistura de soro fisiológico e diurético administrada por via intravenosa pode impedir a morte de bovinos intoxicados por amônia. A ação é eficaz, hidrata o boi e elimina a toxina do sangue.

Como evitar

O conhecimento correto antes da adoção de um esquema de alimentação suprida com uréia é de primordial importância. A adaptação gradual do animal às dietas com uréia, assim como uma correta homogeneização da mistura, a fim de obter uma ingestão regular, são as medidas mais indicadas para a prevenção do problema. Recomenda-se um período de adaptação de duas a quatro semanas, em função do nível e forma de fornecimento da uréia.

Não fornecer aos animais uréia dissolvida em água para beber. A diluição de uréia em excesso de água pode fazer com que ocorra o acúmulo da solução no fundo do cocho, a qual, uma vez ingerida, acarretará em intoxicação dos animais, mesmo que estes já estejam adaptados. Esta prevenção deve ser tomada também nos dias de chuva, quando o sal mineral adicionado de uréia pode sofrer o mesmo processo. Deve-se ter uma inclinação leve do cocho, com um furo na extremidade mais baixa, para eliminar, via escoamento, a água do cocho, aproveitando o sal mineral.

O total de uréia fornecido aos animais não deve exceder a 3% do concentrado ou 1% da matéria seca da ração.
Animais que ficaram mais de três dias sem receber uréia devem passar por um novo período de adaptação, visto que a tolerância é perdida rapidamente.

Quando a uréia se constitui na principal fonte protéica, é necessário fornecer aos animais sal mineral de boa qualidade à vontade, a fim de evitar a busca e o consumo exagerado de uréia.

Aborto

O que é

O aborto trata-se da interrupção da gestação decorrente de uma infecção placentária e/ou fetal ou fatores ambientais não infecciosos. A determinação das causas do aborto infeccioso é de fundamental importância para o controle sanitário em uma propriedade.

O aborto pode ocorrer por diversas causas, como, por exemplo, os agentes infecciosos ( Brucella sp, Leptospira sp, Mycoplasma sp, Listeria monocytogenes, Haemophilus sp, Corynebacterium pyogenes, Staphylococcus aureus, vírus da língua azul, vírus da febre aftosa, vírus da IBR, vírus da BVD, Neospora caninum, Tritrichomonas foetus , Campylobacter foetus subesp. venerealis, Chlamydophila sp., Aspergillus sp.); fetos com defeitos genéticos, mumificados ou macerados; desequilíbrios hormonais na gestação; toxinas; estresse; uso impróprio de medicamentos; desequilíbrios nutricionais, principalmente de vitamina A, vitamina E, selênio, iodo e magnésio; manejos inadequados (transportes); prenhez gemelar; acidentes traumáticos (porteiras de mangueiros, quando dos apartes e até mesmo os provocados, etc.); intoxicações por nitratos, plantas tóxicas, micotoxinas, etc.; fatores hereditários; hidrocefalia, etc. O feto abortado constitui-se no melhor material para a análise.

O controle de abortos em um rebanho baseia-se no diagnóstico do fator ou fatores responsáveis pelo mesmo. Tal diagnóstico deve ser feito por médico veterinário, se possível com o apoio de um laboratório de análises.

Estudos evidenciam que em 90% dos casos de abortamento com etiologia esclarecida, esta é de origem infecciosa. Assim, o aprimoramento nas práticas diagnósticas em casos de abortamento é elemento chave para se conhecer a(s) verdadeira(s) causa(s) de ocorrência do processo, para a adoção de medidas profiláticas e terapêuticas, possibilitando o aumento da produtividade do rebanho. Na maioria das condições de abortamento são comprometidos o tecido uterino, a placenta e o feto.

Como reconhecer

Ocorrência frequente de aborto nos animais da propriedade não é normal. O índice esperado de abortamentos em um rebanho bovino é de 1 a 2%. Índice de 3% é um sinal de alerta, sendo níveis superiores indicativos de processos mórbidos.

Como tratar

Fazer o diagnóstico da causa do aborto e, se possível, fazer o tratamento adequado.

Geralmente a causa dos abortamentos é múltipla, existindo em alguns casos a associação de diferentes agentes.

Como prevenir

Definir o diagnóstico da causa do aborto é essencial para determinar o destino da matriz e as medidas profiláticas aplicáveis ao rebanho, caso sejam necessárias para a sua prevenção.

Mastite afeta o desempenho reprodutivo de vacas leiteiras

A mastite, tanto em sua forma clínica quanto subclínica, é a doença que mais acomete vacas leiteiras, acarretando não apenas prejuízos relacionados ao descarte de animais, produção e qualidade do leite, mas também, por causar efeito negativo sobre o desempenho reprodutivo dos animais acometidos.

Em uma propriedade leiteira, muitos esforços são realizados para que se consiga obter uma cria por vaca ao ano, já que a eficiência produtiva de uma exploração leiteira é extremamente dependente da eficiência reprodutiva. Muitas estratégias são utilizadas para melhorar os índices reprodutivos de um rebanho leiteiro, tais como, programa de vacinação, protocolos de inseminação artificial em tempo fixo, monitoramento do escore corporal e fornecimento de dietas adequadas. No entanto, vários estudos demonstram que infecções intramamárias (IIM) apresentam resultados prejudiciais à fertilidade de um rebanho.

Infecções intramamárias antes ou após a cobertura ou inseminação artificial (IA) deprimem a fertilidade dos animais, reduzindo as taxas de prenhez e aumentando o número de serviços por concepção, sem que haja diferença entre os tipos de patógenos (gram-negativos e gram-positivos) causadores da doença.

Durante a lactação de uma vaca, amostras de leite com contagens de células somáticas (CCS) acima de 400.000 células/mL reduzem as taxas de concepção de vacas infectadas, indicando patogenicidade dos agentes causadores de mastite subclínica sobre o estado reprodutivo fisiológico de vacas leiteiras.

Pesquisadores de Israel, em um estudo recente, avaliaram o efeito da IIM subclínicas crônicas, e os eventos acarretados pela mastite clínica em curto prazo sobre o desempenho reprodutivo de um grupo de 73 vacas holandesas. Os animais foram divididos em três grupos experimentais segundo a forma da doença (clínica ou subclínica) e CCS: 1) grupo das vacas não infectadas (n = 22) referiram-se as vacas sem sintomas de IIM e com CCS < 200.000/mL; 2) grupo clínico (n = 9) constituído por vacas que apresentaram sintomas de mastite clínica antecedendo o estudo; 3) grupo subclínico (n = 42), formado por vacas com CCS > 250.000/mL, de forma crônica e sem sinais clínicos.

Para análises microbiológicas e de CCS, amostras de leite foram coletadas diariamente e encaminhadas para análises. Para controle do ciclo estral, as vacas foram sincronizadas através da aplicação de duas doses de PGF2α, sendo realizados monitoramentos para detecção de cios três vezes ao dia. As vacas que participaram do procedimento de sincronização e não apresentaram cio até o quarto dia após a primeira indução hormonal foram excluídas do experimento. As estruturas ovarianas (folículos e corpo lúteo) foram avaliadas por meio de ultrassonografia. Além disso, foram realizadas coletas de sangue para avaliações hormonais de estradiol e secreção pulsátil de LH. Após a ovulação, os ovários foram examinados a cada 2-3 dias para caracterização da dinâmica folicular e desenvolvimento do corpo lúteo (CL).

Os resultados reprodutivos de 70% das vacas com mastite permaneceram inalterados, no entanto, cerca de 30% das vacas com mastite apresentaram ovulação retardada, caracterizada por aumento no intervalo normal entre o estro e a ovulação (E-O) de 30 para 60 horas. Este atraso na ovulação reduz substancialmente a probabilidade de fecundação bem sucedida das vacas inseminadas. Isso se deve a curta viabilidade do espermatozóide no aparelho reprodutor da fêmea e dos ovócitos após ovulação.

A porcentagem de vacas sadias comparadas com vacas com mastite clínica e subclínica que demonstraram um intervalo E-O normal ou prolongado está apresentada na Figura 1. Um total de 12 de 46 vacas (26%) compreendidas nos grupos subclínico (SC) e clínico (C) exibiram um intervalo E-O mais longo que o normal (n = 8), ou não ovularam até 96 horas do período experimental (n = 4). Esta proporção diferiu da do grupo de vacas não-infectadas (NI), no qual apenas 1 de 22 vacas manifestou ovulação retardada.





Figura 1: Porcentagem de vacas exibindo um intervalo estro-ovulação prolongado e vacas que não ovularam durante as 96 horas de período experimental após o início do estro. Fonte: Adaptado de Lavon, et al., 2010.

Todas as vacas com mastite (clínica ou subclínica), incluindo aquelas que apresentam um intervalo E-O prolongado, e as vacas que não ovulam durante o período experimental apresentaram estruturas ovarianas com aparência normal, sem indicação de presença de cistos ou folículos persistentes.

A maioria das infecções clínicas foi causada por E. coli, enquanto que nas infecções subclínicas, os agentes causadores foram Streptococcus dysgalactiae e estafilococos coagulase-negativa. Não foi encontrada relação entre o tipo de bactérias (gram-positivas e gram-negativas) e alterações reprodutivas. Também não houve diferença de CCS entre vacas com intervalo estro-ovulação normal e prolongado.

Este estudo indicou que os efeitos no retardo da ovulação de vacas que contraíram naturalmente IIM tiveram início com um decréscimo na produção de estradiol, resultando na redução da concentração deste hormônio na pré-ovulação. Consequentemente, isto indica que o efeito estimulador do estradiol, quando prejudicado, irá interferir na indução do GnRH que reduzirá diretamente a liberação de LH, sem que haja mudanças na concentração pulsátil deste hormônio, sugerindo que a mastite está afetando diretamente o funcionamento folicular.

A supressão direta do estradiol folicular como um efeito primário de IIM difere substancialmente em vários estudos conduzidos em bovinos. No estudo relatado aqui, o efeito imediato da fase aguda causado pela endotoxina ou inoculação bacteriana no desempenho reprodutivo acarretou primeiramente uma depressão na secreção das gonadotrofinas. A atenuação na secreção pulsátil de LH durante a fase folicular resulta na diminuição das concentrações do estradiol pré-ovulatório e redução na liberação de LH, bloqueando ou retardando a ovulação. O mecanismo exato responsável pela indução de baixas secreções de estradiol em vacas com mastite subclínica, ou com sintomas de mastite clínica controlados até poucas semanas antecedendo a ovulação, ainda não está muito claro, necessitando de mais estudos para elucidar tal relação.

Este é mais um trabalho que destaca a importância de se fazer um controle eficiente da mastite nos rebanhos leiteiros. Desta forma, não estaremos apenas garantindo produção e a qualidade do leite, mas também, disporemos de mais uma ferramenta, que juntamente com um manejo reprodutivo adequado, garantirão a fertilidade e a lucratividade de uma propriedade leiteira.

Fonte: Lavon et al. J. Dairy Sci. 93:911-921, 2010.

Autor:
Tiago Tomazi
Graduando de medicina veterinária da Universidade de Passo Fundo, RS
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Marcos Veiga dos Santos
D.Sc., professor da FMVZ/USP

Projeto da Embrapa pode ajudar agricultores e pecuaristas a diversificar suas atividadades

A integração lavoura pecuária promete resolver um problemão que muitos criadores enfrentam nessa época do ano: a falta de comida pro gado.

Bem-estar de bezerros. Parte 1: Instalações

Muitos fatores contribuem para o bem-estar de bezerros em fazendas leiteiras, incluindo instalações e ambiente; manejo nutricional e sanitário; manipulação e interação com o tratador; dinâmica de rebanho; e práticas comuns de transporte, de descorna, remoção do teto e eutanásia.

Garantir e avaliar o bem-estar de bezerras em fazendas leiteiras é um desafio complexo, especialmente porque a terminologia e os fatores que contribuem para avaliar o bem-estar dos animais de produção, como os bezerros leiteiros, não foram claramente definidos dentro da comunidade científica.

Bem-estar tem sido descrito como um estado dinâmico, pois processos fisiológicos tais como o envelhecimento, as respostas imunológicas e hormonais, o crescimento e o estresse, podem apresentar flutuações normais, cíclicas, circadianas. Também em constantes alterações em sistemas de criação estão as influências ambientais, tais como temperatura e umidade, os programas nutricionais, ou sociais e comportamentais, interações com animais contemporâneos e tratadores que podem influenciar o bem-estar dos bezerros. Esta situação dinâmica e interdependente representa um desafio em avaliar o bem-estar do bezerro leiteiro. Trabalhos científicos têm sugerido uma metodologia para avaliar o bem-estar dos animais de produção agrícola que utilizam um sistema integrado de indicadores, incluindo patologias, alterações fisiológicas, desempenho ou produção, além de parâmetros comportamentais. Outra abordagem multidisciplinar para avaliar o bem-estar reconhece três componentes básicos, incluindo a fisiologia (saúde, doença e produção); mente animal (sentimentos, sofrimento) e a natureza animal (comportamento e condições naturais).

Segundo pesquisadores ingleses "bem-estar é um termo amplo que engloba o físico e o bem-estar mental do animal. Qualquer tentativa de avaliar o bem-estar, portanto, deve considerar os sentimentos dos animais que podem ser derivadas de sua estrutura e funções e também do seu comportamento." Assim, o conhecimento do comportamento do bezerro leiteiro auxilia na avaliação do bem-estar dos bezerros em fazendas leiteiras. O comportamento inclui os comportamentos básicos de repouso, em pé, comendo, bebendo, ruminando, andando e brincando. A duração e frequência destes comportamentos mudam com a idade, e são influenciados por fatores como o tipo de piso e da disponibilidade de espaço.

Certas medidas de desempenho têm sido correlacionadas com o comportamento ou com as atividades diárias dos animais. Por exemplo, proporcionar um ambiente adequado para o descanso tem resultado em aumento médio no ganho diário de bezerros leiteiros jovens. Outras medidas comportamentais podem não mostrar correlações estatísticas com parâmetros de desempenho importantes para o produtor de leite, mas podem ser usadas como medidas de bem-estar. A expressão do comportamento de brincar em bezerros tem sido sugerida como um indicador de bem-estar positivo, porque animais jovens de muitas espécies são motivados a jogar, uma vez que suas necessidades primárias são satisfeitas. Fornecer maior espaço disponível para os bezerros, criados individualmente ou em grupo, aumenta apenas a duração e o tipo de brincadeira locomotora (ou seja, saltar, correr, e empurrar com a cabeça) em comparação com os bezerros alojados em áreas menores.

Ambientes satisfatórios para bezerros recém-nascidos e em crescimento devem proporcionar conforto físico, térmico, psicológico e comportamental. Cada uma dessas áreas pode ser uma fonte de estresse para os bezerros, que posteriormente podem predispor os animais a comprometimento de sua resposta imunitária, das taxas de crescimento, e finalmente do bem-estar propriamente dito.

Embora o conforto térmico e físico do ambiente para bezerros tenha sido amplamente avaliado, apenas recomendações gerais foram desenvolvidas para satisfazer as necessidades psicológicas e comportamentais específicas de bezerros leiteiros. As necessidades psicológicas e comportamentais em um ambiente incluem a ausência de frustração, o sentimento de segurança e ausência de possibilidade de lesão, comportamento social de rebanho e interações com o tratador adequadas.

O conforto térmico inclui um ambiente com temperatura amena e sem extremos de temperatura. O estresse por frio ou calor afeta bezerros mais jovens, doentes ou feridos de forma muito mais severa do que animais saudáveis e mais velhos. O conforto térmico para os animais é quantificado como a zona térmica neutra, que varia de 15° C a 25° C para bezerros jovens. Dentro da zona térmica neutra, o bezerro mantém a temperatura corporal (homeotermia) por constrição ou dilatação dos vasos sanguíneos, alterando posturas e comportamentos para conservar ou dissipar o calor, além de alterações nas propriedades isolantes da pelagem. Abaixo de 15 º C (temperatura crítica inferior) o bezerro começa a desviar a energia para manter sua temperatura corporal, de forma que energia extra deva ser incluída na dieta.

Outros fatores que podem afetar a zona térmica neutra de um bezerro são a espessura e teor de umidade da pelagem do animal e a capacidade de se adaptar a baixas temperaturas ao longo do tempo. O estresse por frio também pode ser responsável por diminuir a taxa de absorção do colostro em bezerros recém-nascidos.

A temperatura crítica superior (25° C) ocorre quando o bezerro não consegue dissipar o calor metabólico de forma suficiente para se manter em homeotermia. Geralmente, o consumo de ração é voluntariamente reduzido, diminuindo o calor produção gerado pela digestão e absorção dos nutrientes, o que acaba resultando em redução no desempenho.

O conforto físico do ambiente inclui o espaço disponível, a qualidade ou as condições do espaço, e as superfícies com as quais o bezerro tem contato. O espaço disponível para o bezerro deve ser suficiente para permitir a comportamentos normais de alimentação e consumo de água, repouso e excreção, além de locomoção. Bezerros (nascimento a 2 meses) alojados em baias ou abrigos individuais devem ter aproximadamente 10 m² de espaço, enquanto bezerros alojados em grupos devem ter um mínimo de 8,5 m² por animal.

Uma vez que bezerros passam a maior parte do seu tempo deitado, as condições da área de descanso são importantes para o bem-estar dos bezerros. Baias coletivas ou abrigos individuais situados ao nível do solo são geralmente providos de cama natural para os animais. Dependendo do clima e do tipo de revestimento, materiais de cama são opcionais para a elevação da instalação de forma que animal se deite em local sempre seco e limpo, características importantes da área de descanso. Pisos sem cama devem prover atrito suficiente para evitar escorregamento.

A qualidade do ar também é importante para o conforto físico do bezerro. Altas concentrações de gases tóxicos tais como amônia, podem causar danos ao epitélio pulmonar. Esses gases são frequentemente associados com o acúmulo de urina e esterco ou a circulação de ar limitado em espaços fechados. O limite máximo de 25 ppm de concentração de gás amônia tem sido sugerido para as instalações de bezerros.

Os objetivos gerais das instalações para bezerros são a proteção dos extremos térmicos e climáticos, acesso adequado ao alimento, garantir a segurança no que diz respeito a ferimentos e controlar a saúde e bem-estar dos bezerros. Tanto os sistemas de instalação individual quanto em grupo podem ser projetados para atender a todas estas necessidades. No entanto, muitos tipos de instalação podem atender todas estas premissas em relação ao bem-estar, mas o sucesso ainda depende de gestão adequada.

A maioria das instalações nos Estados Unidos atualmente não segue regulamentação quanto ao tipo ou tamanho, muito embora tenhamos uma sinalização de que este tema será debatido pelo consumidor num futuro próximo. Por outro lado, a União Européia está começando a regulamentar as instalações para bezerros com necessidade de espaço que permita que os animais se virem ou se deitem sem tocar em qualquer lado da instalação ou deitar-se sem tocar no lado oposto do recinto. Bezerros em aleitamento são muito suscetíveis a patógenos, mas abrigos individuais podem minimizar a propagação da doença, uma vez que reduzem o contato entre animais. Abrigos individuais ou baias coletivas permitem que o tratador observe os animais periodicamente e faça o diagnóstico de problemas de saúde e alterações no consumo de alimento de forma individual, além de permitir a contenção do animal no caso de necessidade de tratamento ou práticas de manejo. A desvantagem dos abrigos individuais é que os animais não podem interagir e esse isolamento pode ter impacto no desenvolvimento de comportamentos sociais dos animais.

Bezerros recém-nascidos são normalmente alojados individualmente em abrigos, normalmente colocados diretamente no solo, com pequena área externa para locomoção dos animais. Estes abrigos são geralmente construídos em fibra de vidro, polietileno ou madeira. Bezerros podem escolher entre o ambiente exterior ou interior, e são amarrados ao abrigo ou este tem uma cerca de perímetro. Em algumas situações existe a necessidade de colocação de cama, como palha ou serragem, para manter o bezerro seco e confortável. A correta limpeza e gestão da cama em abrigos individuais é muito trabalhosa e acaba não funcionando de forma adequada. Quando o bezerro é removido de um abrigo, este deve ser limpo e higienizado, além de ter a cama substituída antes da colocação de outro bezerro. Durante período de chuva, o solo imediatamente fora do abrigo pode ficar enlameado devido à má drenagem do solo, havendo necessidade de realocação para aliviar as condições de barro. Essa possibilidade de deslocar abrigos individuais auxilia a redução de estresse pelo frio.

Já as baias coletivas são baseadas no princípio de que os bezerros leiteiros são animais de rebanho, e o alojamento em grupo permite o desenvolvimento de comportamento social. O alojamento coletivo permite o exercício e o jogo entre bezerros dentro do grupo. Normalmente, de dois a seis bezerros são agrupados para facilitar a observação de cada animal. Conforme os animais crescem, estes pequenos grupos podem ser combinados. Além disso, alojamento coletivo pode reduzir a mão de obra envolvida com o tratamento de bezerros, além de ser um ambiente mais rico em estímulos quando comparado ao alojamento individual. Uma desvantagem deste tipo de alojamento é a possibilidade de desenvolvimento de mamada cruzada, que é um comportamento considerado problemático e que pode resultar em lesões no umbigo ou úbere do animal mamado. Além disso, alguns animais desenvolvem o hábito de beber urina associado ao comportamento de mamada cruzada. Já tratamos em outros radares algumas práticas de manejo que podem reduzir este problema, principalmente em animais já desaleitados.

Tem crescido a adoção de alojamento coletivo como consequência da popularização dos sistemas automáticos de aleitamento. Nestes sistemas o animal pode consumir leite ad libitum ou com quantidade programa e controlado por computador de acordo com sua idade e manejo nutricional. Embora muitos trabalhos venham mostrando benefício deste tipo de alimentação por ser semelhante à maneira como o animal se alimentaria normalmente, estes sistemas podem ter várias desvantagens. Diarréias e doenças respiratórias podem se espalhar mais rapidamente quando este tipo de alojamento e de alimentação é adotado. A concorrência por um número limitado de bicos pode alterar comportamentos de alimentação, especialmente quando ocorre a introdução de novos animais ao grupo. Além disso, esses sistemas podem dificultar o tratador no que se refere ao acompanhamento do consumo de alimentos de forma individual de bezerros dentro do grupo.

De maneira geral, qualquer tipo de instalação para bezerros pode ser adequado do ponto de vista de bem-estar desde que atenda as premissas básicas de local limpo e seco, acesso ao alimento e água, sombra, controle de temperaturas extremas e interação com animais contemporâneos.

No próximo radar técnico vamos tratar de bem-estar de bezerros leiteiros do ponto de vista nutricional. Até mais!

Referências

Carolyn Stull & Jim Reynolds. Calf Welfare. Veterinary Clinical Food Animal, v. 24, p. 191-203, 2008.

Autores:

Carla Maris Machado Bittar
Professora do Depto. de Zootecnia - ESALQ/USP
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Lucas Silveira Ferreira
Aluno de Doutorado em Ciência Animal e Pastagem - ESALQ/USP

Mapa aguarda visita de técnicos norte americanos

A credibilidade dos produtos de origem animal brasileiros está em xeque nos Estados Unidos. O estopim do problema foi o excesso do vermífugo ivermectina contido na carne bovina enlatada exportada para aquele País, em 14 de maio. Por uma decisão do governo brasileiro, as vendas foram suspensas, mas agora quem quer comprovar se os níveis do produto estão dentro dos padrões são os americanos, que virão ao Brasil, a partir da próxima terça-feira, para constatar de perto se houve avanços. A situação já preocupa os empresários de áreas afins e foi usada por uma organização não-governamental (ONG) americana, a Food and Water Watch, como mote para pedir a retirada do Brasil da lista dos países com aprovação automática de exportação de produtos de carne.

Mais do que isso, a ONG aproveitou o embalo para pedir que o departamento de agricultura (USDA, na sigla em inglês) não considere mais Santa Catarina como Estado livre de febre aftosa sem vacinação, status que recebeu em 2007 da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). A alegação foi a de que poderia haver uma eventual expansão das importações brasileiras de carne fresca depois do problema com a carne enlatada. "Esse episódio prejudicou a credibilidade do Brasil e poderemos ter problemas na aprovação das fábricas de suínos pelos americanos", considerou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro Camargo Neto.

Atualmente, o Brasil não vende o produto para os Estados Unidos, mas a expectativa é a de que, a partir do próximo mês, o país abra seu mercado para a carne suína nacional. Para isso, americanos irão até a região Sul, onde se concentra a maior produção, para inspecionar as indústrias do setor. Camargo Neto explicou que, em termos de volume, não se aguarda uma grande venda para os EUA, que são grandes produtores. O interesse nesse novo mercado é o de deixar uma porta aberta para futuras comercializações. Os produtos que devem ter mais saída nos EUA são, de acordo com o presidente da Abipecs, costela e bacon, por conta dos preços competitivos dos produtos brasileiros.

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Francisco Jardim, assegurou que os exames realizados em novas peças de carne brasileira já foram feitos e apresentaram um padrão condizente com as exigências americanas. Ele evitou, no entanto, dar mais detalhes sobre o tema, alegando que o material será entregue à missão americana, composta por cinco agentes, quando chegarem ao Brasil. Jardim também não quis se pronunciar sobre o pedido feito pela ONG ao governo americano e, tampouco, traçou uma meta para o retorno das vendas para os Estados Unidos. "A visita da missão já está agendada e temos de esperar. Estamos fazendo nossa lição de casa."

As informações são da Agência Estado e do Diário de Cuiabá, resumidas e adaptadas pela Equipe BeefPoint.

EXCLUSIVO: Mercado do boi gordo deve se sustentar em alta até final do ano

Boi: frigoríficos contam com escoamento da carne pelo consumo para poder pagar mais pela arroba a fim de encontrar animais terminados para o abate. Negócios pontuais chegam a R$ 90,00 em São Paulo.

Goiânia inaugura Centro de Avaliação de Touros Nelore

Os criadores de gado nelore têm novas perspectivas de aumento nos lucros. Mais de R$ 3 milhões deve ser investidos nos próximos 10 anos em um programa de melhoramento genético da raça. As pesquisas, em parceria com a Universidade Federal de Goiás, estão sendo desenvolvidas no Centro de Avaliação de Touros Nelore, inaugurado nesta sexta, dia 20, em Goiânia

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