A IVERMECTINA (IV)

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I. Um pouco da história

A IV foi desenvolvida nos Estados Unidos pelos laboratórios de pesquisa da Merck Sharp Dohme (MSD) a partir de uma cultura obtida de amostras de solo japonês. A IV é um derivado das avermectinas, uma classe de antiparasitários altamente ativos, isolados da fermentação do Streptomyces avermitilis.

A possibilidade de seu uso em humanos começou em Abril de 1978, com as observações do Dr. Campbell, quando testava a mesma contra nematódeos gastro-intestinais em cavalos. Foi demonstrado que o composto era efetivo contra as microfilárias de Onchocerca cervicalis, pertencente ao mesmo gênero da O. volvulus. A partir de então estudos foram feitos em animais de grande porte infectados com a O. gibsoni e O. gutturosa.

Em dezembro de 1978 o Dr. Campbell propôs a equipe de pesquisa da MSD para considerar a possibilidade de uma avermectina ser a primeira droga que poderia prevenir a cegueira associada com a oncocercose e que discussões deveriam ser desencadeadas com a Organização Mundial da Saúde (OMS) / Tropical Disease Research (TDR). Apesar de todo o otimismo nos laboratórios de pesquisa da MSD, a reação do TDR foi muito pouco entusiasta entre 1979 e 1982. Apesar dos resultados preliminares promissores e o envio do relatório ao comitê de peritos do TDR em 1979, este não provocou nenhuma resposta a MSD. A colaboração entre o TDR e a MSD para formalizar estudos posteriores em O. volvulus só foi efetivada em 1982. A busca por um composto macrofilaricida continuou ser prioridade do TDR, embora a descoberta da IV como um potente microfilaricida não modificou a maneira do TDR ver droga como uma solução para a oncocercose. O TDR finalmente reconheceu e contribuiu para os estudos adicionais necessários para o uso da IV em oncocercose humana causada pela O. volvulus.

Os ensaios clínicos começaram em 1981 no Senegal. Doses muito pequenas foram utilizadas e se verificou que 30 ou 50 microgramas/Kg decrescia substancialmente o número de microfilárias na pele (e com poucas reações adversas, diferentes da DEC). Esse efeito de supressão era continuado por até 6 meses. A esse estudo seguiu-se outro em Paris, quando imigrantes africanos foram tratados, mostrando que doses até 200 mcg/Kg eram bem toleradas. A partir de então, uma cascata de estudos foi desencadeada (pela MSD e TDR), chegando-se ao conhecimento acumulado que temos sobre a IV nos dias de hoje.

Desde de 1987, com o seu registro na França (comercialmente conhecida como Mectizan), a ivermectina tem sido a droga de escolha para o tratamento da oncocercose e está sendo doada pelo laboratório MSD para os países endêmicos, oficialmente desde 1988. A MSD também doa a ivermectina para os países co-endemicos com a filariose linfática, quando a mesma é co-administrada com o albendazol. A patente da IV expirou em 1997 e agora qualquer laboratório poderá produzi-lo, porém isso não mudou a conduta da MSD que só produz o Mectizan para doação e não para comercialização.


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