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Saiba como avaliar a silagem de milho da sua propriedade

A silagem de milho é uma importante fonte de energia na dieta de ruminantes no Brasil e em diversas partes do mundo por reunir diversas características positivas, tais como: alta ensilabilidade, produtividade e elevado valor nutritivo. Contudo, apresenta custo moderadamente elevado, justificando o seu uso somente em dietas de animais que possuem boa eficiência alimentar e produtiva, ou seja, indivíduos de baixo potencial genético não devem ser alimentados com esse tipo de volumoso.
Devido às características peculiares deste alimento, expostas acima, é de extrema importância que a silagem tenha qualidade final bastante satisfatória, pois do contrário, a propriedade estaria negligenciando os fatores mais importantes que este volumoso apresenta, não justificando o seu uso.

Com o objetivo de avaliar se os critérios técnicos sobre a silagem de milho estão sendo obedecidos na sua propriedade, nós disponibilizamos uma tabela (Tabela 1), a qual pode ser utilizada para ranquear o seu alimento de maneira bastante prática e simples. Contudo, ressalta-se que a avaliação da composição química também é de muita relevância na avaliação de silagens, principalmente quando o interesse é realizar o balanceamento da dieta.

Abaixo se encontram algumas dicas que podem ser utilizadas para se fazer uso da tabela.

a) O item I (proporção de grãos) pode ser avaliado da seguinte forma: retire amostras da silagem, homogenize essas amostras e faça uma nova amostragem do material homogeneizado. Pese essa amostra e anote o peso. Separe os grãos da amostra, pese-os e anote o peso. Divida o peso dos grãos pelo peso da amostra e multiplique por 100. Desse modo, você terá a proporção de grãos na massa.

b) Os demais itens são observativos, ou seja, são de interpretação individualizada.

c) Procure não amostrar silagem que se encontra na região periférica do silo (topo e próxima as laterais), pois esta zona pode sofrer maior deterioração aeróbia (efeito da presença de ar) que a região central.

d) Atribua pontos, inserindo-os na coluna da direita, de acordo com o intervalo mostrado na coluna do meio. Terminada a aplicação dos pontos, some-os. O valor obtido deve ser comparado com os índices mostrados ao final da tabela, o que indicará se a silagem de milho produzida na sua propriedade é excelente, satisfatória, moderadamente satisfatória ou insatisfatória.

e) Caso a pontuação seja inferior a 80, é necessário que o manejo da ensilagem seja revisto (melhorado), ou que haja mudança de cultura para a produção de silagens, pois índice inferior a este não pode ser permitido em fazendas produtoras de volumosos conservados.

Tabela 1. Avaliação da silagem de milho com base em características físicas e organolépticas


 
Autores:
Thiago Fernandes Bernardes
Engenheiro agrônomo, PhD, Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA)
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Rafael Camargo do Amaral
M.Sc. Rafael Camargo do Amaral, zootecnista e doutorando em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.


TRIGO/CEPEA: Queda externa pressiona cotação no Brasil

Publicado em: 06/10/2010 12h00

Cepea, 6 – As recentes quedas nos preços internacionais do trigo pressionaram as cotações do cereal em grão no mercado brasileiro, conforme indicam pesquisadores do Cepea. Vale ressaltar, no entanto, que os valores externos ainda estão em patamares acima da média histórica. A valorização do Real frente ao dólar também tem favorecido as importações do trigo, o que tem reduzido os negócios no mercado doméstico. Segundo pesquisadores do Cepea, essa baixa liquidez é observada mesmo com a colheita e o beneficiamento do trigo no País. Quanto aos preços, no segmento de lotes (negociações entre empresas), houve queda expressiva em todas as regiões pesquisadas pelo Cepea. (Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br )

Como fazer e fornecer uma boa silagem?

Silagem é um tipo de alimento muito comum nas fazendas leiteiras. Silagens são primariamente utilizadas devido à facilidade para colheita e baixa perda de nutrientes durante a estocagem. O processo de ensilagem é uma fermentação anaeróbica dos açúcares solúveis em água e sua conversão em ácido lático, abaixamento do pH a ponto que iniba a fermentação microbiana. Entretanto, deve ser lembrado que uma silagem nunca está estática, ou seja, é um alimento potencialmente dinâmico que pode piorar drasticamente em qualidade em certas circunstancias, como na adição de oxigênio.

O objetivo deste texto é fornecer informações práticas para gestão da qualidade da silagem e fornecimento aos animais visando determinar e avaliar potenciais problemas de saúde em vacas leiteiras.

Por que avaliar a qualidade dos alimentos ensilados?

Embora as silagens sejam os alimentos mais comuns nas fazendas leiteiras, são elas também os alimentos mais variáveis na alimentação dos animais. Como resultado, elas são geralmente fonte de problemas advindos da alimentação. Então, alguns parâmetros para determinação da qualidade devem ser observados.

1.1 Avaliação sensorial da silagem

Uma caracterização significativa da qualidade da silagem pode ser conseguida por meio do olfato, visão e tato, sugerindo a necessidade de mais produtos químicos ou caracterização física do alimento. Os passos são os seguintes:

a) Coloração da Silagem - pode indicar potenciais problemas de fermentação. Silagens com excessivo ácido lático poderá ter uma coloração amarelada, enquanto aquelas com alto ácido butírico poderá ter tom esverdeado. Silagens marrons e pretas normalmente indicam danos por aquecimento e umidade. Essas silagens têm alto potencial para aparecimento de mofos e não devem ser oferecida aos animais. Coloração branca também indica crescimento de mofos.

b) Odor da silagem - pode também ser utilizada para avaliação do padrão de fermentação da massa ensilada. Silagem normal tem fraco odor devido ao ácido lático. Caso a produção de ácido acético seja alta, então a silagem pode ter um cheiro de vinagre. Alto etanol proveniente da fermentação de levedura provoca cheiro de álcool na silagem. Fermentação clostrídica resulta em cheiro de manteiga rancificada. Fermentação propiônica resulta em cheiro forte e adocicado ao paladar. Danos por aquecimento pode causar caramelização ou cheiro de tabaco. Silagens mofadas têm cheiro de podre. Lembre-se que o cheiro é importante para evitar redução do consumo dos animais.

1.2 Avaliação química da silagem

Esta análise deve ser realizada em laboratórios de análises comerciais, podendo ser analisados os seguintes parâmetros:

a) Umidade - a determinação da quantidade de água é importante para conhecimento da matéria seca e, portanto, para o balanceamento da dieta. Este teste é simples e pode ser feito de forma artesanal na própria fazenda, utilizando um microondas.

b) Proteína bruta - a fornecimento de proteína é o que mais onera a alimentação. Assim, a quantificação correta do teor protéico da forragem é importante para o conhecimento da quantidade de proteína suplementar que deverá ser provida proveniente de concentrados, que são mais onerosos que as forragens.

c) Proteína solúvel - é a medida de quanta proteína é potencialmente utilizada no rúmen para a produção de proteína microbiana. O excesso de proteína será metabolizada pelo fígado e excretada na urina, encarecendo o custo da alimentação. Silagens mal manejadas têm mais de 60% da proteína na forma solúvel, o que não é bom. O ideal é que a fração solúvel permaneça entre 40 e 60% da proteína bruta total.

d) Nitrogênio amoniacal - esta fração corresponde ao nitrogênio não proteico (NNP) da fração solúvel. O objetivo é minimizar o NNP e com ele as aminas, que podem reduzir o consumo dos animais. Bom seria manter essa fração entre 8 e 10% da proteína bruta total.

e) Fibra em Detergente Neutro (FDN) - quantifica a quantidade de parede celular é inversamente proporcional ao consumo de matéria seca. Alta fração FDN tem baixo potencial de consumo, que pode ser minimizado pelo processamento do alimento por meio de uma picagem bem feita.

f) Perfil da fermentação - essa é a mais nova e importante análise química. Visa quantificar cada importante ácido graxo volátil produzido durante o processo fermentativo. Normalmente o ácido lático é o predominante, perfazendo cerca de 60% do total dos AGV da silagem. Excessiva quantidade de acético, propiônico ou butírico, assim como etanol, indica fermentação de baixa qualidade.

1.3 Características físicas

a) pH - é uma medida de acidez. Silagens de alta umidade são instáveis quanto ao pH. Silagem de boa qualidade está associada com baixo pH, variando entre 3,8 e 4,2 para silagem de milho e entre 4,0 e 4,8 para silagem de gramíneas.

b) Temperatura - é uma medida da quantidade de calor produzida, que pode ser facilmente mensurada com a ajuda de um termômetro. Depois de estabilizado o processo fermentativo, a temperatura deverá ser próxima da ambiente. Temperatura acima da temperatura ambiente sugere respiração oxidativa realizada por mofos e outros fungos. Temperatura acima de 49ºC sugere potencial para danos por calor. Boas silagens não esquentam quando no cocho à disposição dos animais.

c) Tamanho de partícula - a fibra é de fundamental importância na dieta de ruminantes para manter as funções do rúmen e a atividade de ruminação. Partículas muito pequenas podem causar problemas metabólicos, mas por outro lado, tamanho de partícula muito grande reduz o consumo e o desempenho dos animais. No Brasil, com os implementos disponíveis, o objetivo é reduzir ao máximo o tamanho de partícula.

Considerações finais

Durante minha vida profissional, muitas vezes eu não me senti confortável para formular dietas a produtores de leite, por razões diversas. Mas com a experiência adquirida, hoje acredito que posso envolver o produtor como um agente monitorador, ou pelo menos essas é a melhor coisa a ser feita, ao meu entender.

Alimentos de qualidade e estratégias de alimentação têm uma percentagem importantíssima na redução dos problemas advindos da alimentação nas fazendas. Um extensionista e um produtor devem trabalhar juntos. Ambos devem entender que a qualidade dos alimentos e o diagnóstico dos componentes críticos é determinante para o sucesso da exploração leiteira. Muitas vezes produtores e extensionistas praticamente "declaram guerra" quando da formulação de uma dieta ou implementação de uma estratégia de alimentação.

Muitos dos conceitos aqui apresentados podem ser usados não somente para diagnosticar problemas, mas também para ajudar os produtores no processo de fazer melhores silagens. O monitoramente deverá começar com o primeiro corte!

Sempre que possível preferir silos trincheiras. Observe o contorno, as bordas e a superfície do silo. O silo deve ter bordas lisas e retas para minimizar o contato com oxigênio. Silos irregulares e com face desigual tem maior área de superfície exposta ao oxigênio e, portanto, maior chance de atividade microbiana indesejável, e pior será a qualidade da silagem.

Autor:
Junio Cesar Martinez
Doutor em Ciência Animal e Pastagens (Esalq/USP)

MILHO/CEPEA: Plantio inicia com preços em alta; clima preocupa

Publicado em: 31/08/2010 12h00

Cepea, 31 – O cultivo de milho inicia no Brasil em momento de preços firmes e de expectativa de continuidade deste cenário, de acordo com pesquisadores do Cepea. Entre 23 e 30 de agosto, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas-SP) subiu 4,65%, fechando a R$ 21,82/saca de 60 kg na segunda-feira, 30. Na parcial do mês (até o dia 30), a alta é de 11,45%. Segundo pesquisas do Cepea, os leilões governamentais têm contribuído para o escoamento do produto até regiões mais deficitárias, assim como para exportação. Ao mesmo tempo, a demanda interna segue aquecida, enquanto vendedores continuam retraídos, na aposta de novos reajustes. De modo geral, agentes consultados pelo Cepea estão preocupados com o impacto da estiagem sobre o desenvolvimento final das culturas de inverno e também sobre o plantio da safra de verão. No Rio Grande do Sul, por exemplo, as atividades de plantio começaram, mas ainda estão em ritmo bem mais lento que o observado no mesmo período de 2009. (Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br )

Período de seca começa antecipado em Goiás

A estiagem está dificultando a vida dos produtores de leite. As reservas de silagem acabaram antes da hora e agora está mais caro comprar o alimento para o gado.

Projeto da Embrapa pode ajudar agricultores e pecuaristas a diversificar suas atividadades

A integração lavoura pecuária promete resolver um problemão que muitos criadores enfrentam nessa época do ano: a falta de comida pro gado.

Bem-estar de bezerros. Parte 1: Instalações

Muitos fatores contribuem para o bem-estar de bezerros em fazendas leiteiras, incluindo instalações e ambiente; manejo nutricional e sanitário; manipulação e interação com o tratador; dinâmica de rebanho; e práticas comuns de transporte, de descorna, remoção do teto e eutanásia.

Garantir e avaliar o bem-estar de bezerras em fazendas leiteiras é um desafio complexo, especialmente porque a terminologia e os fatores que contribuem para avaliar o bem-estar dos animais de produção, como os bezerros leiteiros, não foram claramente definidos dentro da comunidade científica.

Bem-estar tem sido descrito como um estado dinâmico, pois processos fisiológicos tais como o envelhecimento, as respostas imunológicas e hormonais, o crescimento e o estresse, podem apresentar flutuações normais, cíclicas, circadianas. Também em constantes alterações em sistemas de criação estão as influências ambientais, tais como temperatura e umidade, os programas nutricionais, ou sociais e comportamentais, interações com animais contemporâneos e tratadores que podem influenciar o bem-estar dos bezerros. Esta situação dinâmica e interdependente representa um desafio em avaliar o bem-estar do bezerro leiteiro. Trabalhos científicos têm sugerido uma metodologia para avaliar o bem-estar dos animais de produção agrícola que utilizam um sistema integrado de indicadores, incluindo patologias, alterações fisiológicas, desempenho ou produção, além de parâmetros comportamentais. Outra abordagem multidisciplinar para avaliar o bem-estar reconhece três componentes básicos, incluindo a fisiologia (saúde, doença e produção); mente animal (sentimentos, sofrimento) e a natureza animal (comportamento e condições naturais).

Segundo pesquisadores ingleses "bem-estar é um termo amplo que engloba o físico e o bem-estar mental do animal. Qualquer tentativa de avaliar o bem-estar, portanto, deve considerar os sentimentos dos animais que podem ser derivadas de sua estrutura e funções e também do seu comportamento." Assim, o conhecimento do comportamento do bezerro leiteiro auxilia na avaliação do bem-estar dos bezerros em fazendas leiteiras. O comportamento inclui os comportamentos básicos de repouso, em pé, comendo, bebendo, ruminando, andando e brincando. A duração e frequência destes comportamentos mudam com a idade, e são influenciados por fatores como o tipo de piso e da disponibilidade de espaço.

Certas medidas de desempenho têm sido correlacionadas com o comportamento ou com as atividades diárias dos animais. Por exemplo, proporcionar um ambiente adequado para o descanso tem resultado em aumento médio no ganho diário de bezerros leiteiros jovens. Outras medidas comportamentais podem não mostrar correlações estatísticas com parâmetros de desempenho importantes para o produtor de leite, mas podem ser usadas como medidas de bem-estar. A expressão do comportamento de brincar em bezerros tem sido sugerida como um indicador de bem-estar positivo, porque animais jovens de muitas espécies são motivados a jogar, uma vez que suas necessidades primárias são satisfeitas. Fornecer maior espaço disponível para os bezerros, criados individualmente ou em grupo, aumenta apenas a duração e o tipo de brincadeira locomotora (ou seja, saltar, correr, e empurrar com a cabeça) em comparação com os bezerros alojados em áreas menores.

Ambientes satisfatórios para bezerros recém-nascidos e em crescimento devem proporcionar conforto físico, térmico, psicológico e comportamental. Cada uma dessas áreas pode ser uma fonte de estresse para os bezerros, que posteriormente podem predispor os animais a comprometimento de sua resposta imunitária, das taxas de crescimento, e finalmente do bem-estar propriamente dito.

Embora o conforto térmico e físico do ambiente para bezerros tenha sido amplamente avaliado, apenas recomendações gerais foram desenvolvidas para satisfazer as necessidades psicológicas e comportamentais específicas de bezerros leiteiros. As necessidades psicológicas e comportamentais em um ambiente incluem a ausência de frustração, o sentimento de segurança e ausência de possibilidade de lesão, comportamento social de rebanho e interações com o tratador adequadas.

O conforto térmico inclui um ambiente com temperatura amena e sem extremos de temperatura. O estresse por frio ou calor afeta bezerros mais jovens, doentes ou feridos de forma muito mais severa do que animais saudáveis e mais velhos. O conforto térmico para os animais é quantificado como a zona térmica neutra, que varia de 15° C a 25° C para bezerros jovens. Dentro da zona térmica neutra, o bezerro mantém a temperatura corporal (homeotermia) por constrição ou dilatação dos vasos sanguíneos, alterando posturas e comportamentos para conservar ou dissipar o calor, além de alterações nas propriedades isolantes da pelagem. Abaixo de 15 º C (temperatura crítica inferior) o bezerro começa a desviar a energia para manter sua temperatura corporal, de forma que energia extra deva ser incluída na dieta.

Outros fatores que podem afetar a zona térmica neutra de um bezerro são a espessura e teor de umidade da pelagem do animal e a capacidade de se adaptar a baixas temperaturas ao longo do tempo. O estresse por frio também pode ser responsável por diminuir a taxa de absorção do colostro em bezerros recém-nascidos.

A temperatura crítica superior (25° C) ocorre quando o bezerro não consegue dissipar o calor metabólico de forma suficiente para se manter em homeotermia. Geralmente, o consumo de ração é voluntariamente reduzido, diminuindo o calor produção gerado pela digestão e absorção dos nutrientes, o que acaba resultando em redução no desempenho.

O conforto físico do ambiente inclui o espaço disponível, a qualidade ou as condições do espaço, e as superfícies com as quais o bezerro tem contato. O espaço disponível para o bezerro deve ser suficiente para permitir a comportamentos normais de alimentação e consumo de água, repouso e excreção, além de locomoção. Bezerros (nascimento a 2 meses) alojados em baias ou abrigos individuais devem ter aproximadamente 10 m² de espaço, enquanto bezerros alojados em grupos devem ter um mínimo de 8,5 m² por animal.

Uma vez que bezerros passam a maior parte do seu tempo deitado, as condições da área de descanso são importantes para o bem-estar dos bezerros. Baias coletivas ou abrigos individuais situados ao nível do solo são geralmente providos de cama natural para os animais. Dependendo do clima e do tipo de revestimento, materiais de cama são opcionais para a elevação da instalação de forma que animal se deite em local sempre seco e limpo, características importantes da área de descanso. Pisos sem cama devem prover atrito suficiente para evitar escorregamento.

A qualidade do ar também é importante para o conforto físico do bezerro. Altas concentrações de gases tóxicos tais como amônia, podem causar danos ao epitélio pulmonar. Esses gases são frequentemente associados com o acúmulo de urina e esterco ou a circulação de ar limitado em espaços fechados. O limite máximo de 25 ppm de concentração de gás amônia tem sido sugerido para as instalações de bezerros.

Os objetivos gerais das instalações para bezerros são a proteção dos extremos térmicos e climáticos, acesso adequado ao alimento, garantir a segurança no que diz respeito a ferimentos e controlar a saúde e bem-estar dos bezerros. Tanto os sistemas de instalação individual quanto em grupo podem ser projetados para atender a todas estas necessidades. No entanto, muitos tipos de instalação podem atender todas estas premissas em relação ao bem-estar, mas o sucesso ainda depende de gestão adequada.

A maioria das instalações nos Estados Unidos atualmente não segue regulamentação quanto ao tipo ou tamanho, muito embora tenhamos uma sinalização de que este tema será debatido pelo consumidor num futuro próximo. Por outro lado, a União Européia está começando a regulamentar as instalações para bezerros com necessidade de espaço que permita que os animais se virem ou se deitem sem tocar em qualquer lado da instalação ou deitar-se sem tocar no lado oposto do recinto. Bezerros em aleitamento são muito suscetíveis a patógenos, mas abrigos individuais podem minimizar a propagação da doença, uma vez que reduzem o contato entre animais. Abrigos individuais ou baias coletivas permitem que o tratador observe os animais periodicamente e faça o diagnóstico de problemas de saúde e alterações no consumo de alimento de forma individual, além de permitir a contenção do animal no caso de necessidade de tratamento ou práticas de manejo. A desvantagem dos abrigos individuais é que os animais não podem interagir e esse isolamento pode ter impacto no desenvolvimento de comportamentos sociais dos animais.

Bezerros recém-nascidos são normalmente alojados individualmente em abrigos, normalmente colocados diretamente no solo, com pequena área externa para locomoção dos animais. Estes abrigos são geralmente construídos em fibra de vidro, polietileno ou madeira. Bezerros podem escolher entre o ambiente exterior ou interior, e são amarrados ao abrigo ou este tem uma cerca de perímetro. Em algumas situações existe a necessidade de colocação de cama, como palha ou serragem, para manter o bezerro seco e confortável. A correta limpeza e gestão da cama em abrigos individuais é muito trabalhosa e acaba não funcionando de forma adequada. Quando o bezerro é removido de um abrigo, este deve ser limpo e higienizado, além de ter a cama substituída antes da colocação de outro bezerro. Durante período de chuva, o solo imediatamente fora do abrigo pode ficar enlameado devido à má drenagem do solo, havendo necessidade de realocação para aliviar as condições de barro. Essa possibilidade de deslocar abrigos individuais auxilia a redução de estresse pelo frio.

Já as baias coletivas são baseadas no princípio de que os bezerros leiteiros são animais de rebanho, e o alojamento em grupo permite o desenvolvimento de comportamento social. O alojamento coletivo permite o exercício e o jogo entre bezerros dentro do grupo. Normalmente, de dois a seis bezerros são agrupados para facilitar a observação de cada animal. Conforme os animais crescem, estes pequenos grupos podem ser combinados. Além disso, alojamento coletivo pode reduzir a mão de obra envolvida com o tratamento de bezerros, além de ser um ambiente mais rico em estímulos quando comparado ao alojamento individual. Uma desvantagem deste tipo de alojamento é a possibilidade de desenvolvimento de mamada cruzada, que é um comportamento considerado problemático e que pode resultar em lesões no umbigo ou úbere do animal mamado. Além disso, alguns animais desenvolvem o hábito de beber urina associado ao comportamento de mamada cruzada. Já tratamos em outros radares algumas práticas de manejo que podem reduzir este problema, principalmente em animais já desaleitados.

Tem crescido a adoção de alojamento coletivo como consequência da popularização dos sistemas automáticos de aleitamento. Nestes sistemas o animal pode consumir leite ad libitum ou com quantidade programa e controlado por computador de acordo com sua idade e manejo nutricional. Embora muitos trabalhos venham mostrando benefício deste tipo de alimentação por ser semelhante à maneira como o animal se alimentaria normalmente, estes sistemas podem ter várias desvantagens. Diarréias e doenças respiratórias podem se espalhar mais rapidamente quando este tipo de alojamento e de alimentação é adotado. A concorrência por um número limitado de bicos pode alterar comportamentos de alimentação, especialmente quando ocorre a introdução de novos animais ao grupo. Além disso, esses sistemas podem dificultar o tratador no que se refere ao acompanhamento do consumo de alimentos de forma individual de bezerros dentro do grupo.

De maneira geral, qualquer tipo de instalação para bezerros pode ser adequado do ponto de vista de bem-estar desde que atenda as premissas básicas de local limpo e seco, acesso ao alimento e água, sombra, controle de temperaturas extremas e interação com animais contemporâneos.

No próximo radar técnico vamos tratar de bem-estar de bezerros leiteiros do ponto de vista nutricional. Até mais!

Referências

Carolyn Stull & Jim Reynolds. Calf Welfare. Veterinary Clinical Food Animal, v. 24, p. 191-203, 2008.

Autores:

Carla Maris Machado Bittar
Professora do Depto. de Zootecnia - ESALQ/USP
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Lucas Silveira Ferreira
Aluno de Doutorado em Ciência Animal e Pastagem - ESALQ/USP

SOJA/CEPEA: Preços perdem força no Brasil

Publicado em: 30/08/2010 12h00

Cepea, 30 – As cotações da soja no mercado doméstico perderam a força nos últimos sete dias, conforme dados do Cepea. Entre 20 e 27 de agosto, o Indicador CEPEA/ESALQ (média de cinco regiões do Paraná) caiu 0,63% e fechou a R$ 41,26/saca de 60 kg na sexta-feira, 27. Para o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (produto posto armazém de Paranaguá), a baixa foi de 0,2%, passando para R$ 43,84/sc de 60 kg na sexta. Agentes consultados pelo Cepea afirmam que se trata de um ajuste em relação ao aumento anterior, quando os preços no Brasil se descolaram dos internacionais. De acordo com pesquisadores do Cepea, no entanto, o movimento de baixa pode ser uma situação pontual, por conta dos baixos estoques do produto. (Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br )

Efeitos do plano nutricional sobre a qualidade da carne produzida - 2

Além dos aspectos relacionados às concentrações de nutrientes presentes nas dietas de bovinos em terminação, a suplementação com vitaminas também interfere diretamente na qualidade dos cortes produzidos. As vitaminas têm interferência direta sobre características de qualidade dos cortes produzidos, atuando tanto no pré abate, como durante o resfriamento e embalagem.

Vitamina E

A vitamina E é reconhecidamente um nutriente essencial no desenvolvimento de todas as espécies animais, inclusive os bovinos, sendo que sua deficiência pode levar a morte e reabsorção embrionária, degeneração de retina, hemólise de eritrócitos e afetar a biossíntese de prostaglandina. Apesar de todas funções citadas anteriormente, o principal papel da vitamina E é o de anti-oxidante biológico.

A introdução da vitamina E na dieta pode ser feita através da absorção em substrato sólidos como farelo ou milho triturado. A suplementação com vitamina E visa aumentar concentração da mesma no músculo, possibilitando uma maior estabilidade da coloração da carne através do seu papel anti-oxidante.

A aparência (cor e textura) é uma das únicas, ou muitas vezes, a única forma de avaliação da qualidade da carne pelo consumidor no momento da compra. A coloração da carne é devido à três pigmentos: deoximioglobina, oximioglobina e metamioglobina. Deoximioglobina tem cor púrpura, observada na carne fresca. Após alguns minutos de exposição ao oxigênio a deoximioglobina se torna oxigenada formando o pigmento oximioglobina, que é brilhante e de cor vermelho cereja. Depois de horas ou dias de exposição, a oximioglobina dá lugar a um pigmento de cor marron denominado metamioglobina pela substituição da molécula de oxigênio por uma molécula de água. O ciclo de mudanças na coloração da carne e reversível e dinâmico, podendo ocorrer alterações nos pigmentos oxi e metamioglobina. Um típico exemplo desse processo são as carnes embaladas à vácuo (ausência de O2) que apresentam cor amarronzada (metamioglobina) e minutos após serem abertas se tornam de cor vermelho cereja (oximioglobina).

Também a intensidade de iluminação a qual está exposta a carne durante o resfriamento ou gôndola, interfere na sua estabilidade de coloração, sendo que maiores intensidades de luz diminuem o tempo de prateleira do produto.

Já a oxidação de lipídeos é um processo degradativo, resultando em rancificação em carnes não cozidas e um gosto característico em carnes já processadas. Apesar do cozimento não alterar a concentração de alfa tocoferol no músculo, a capacidade de impedir a oxidação de lipídeos fica substancialmente diminuída nas carnes cozidas em relação a carne fresca.

A suplementação com vitamina E (300/UI animal/dia) durante 9 meses melhorou o tempo de prateleira da carne de 4.9 dias (controle) para 7.4 (suplementado). O músculo dos animais controle e suplementado continham 0.9 e 3.8 microgramas/grama de alfa tocoferol, respectivamente. Dose de 360 UI/animal/dia por 120 dias promoveu a estabilidade da coloração igual a dose de 1290 UI/animal/dia no período de 7 dias (LIU et al. 1995). Suplementação de 500 mg/animal/dia durante 126 dias aumentou a estabilidade da coloração dos músculos semi-membranoso e glúteo médio (LIU et al., 1996).

A vitamina E endógena (suplementação) se apresenta mais eficiente do que a exógena (aplicação pós abate) na estabilidade da cor e de lipídeos na carne, provavelmente devido a um contato somente superficial e não intramenbrana (ARNOLD ET AL., 1993).

Com a suplementação de vitamina E ocorre um aumento na concentração desta vitamina nos lipídeos, protegendo contra a oxidação durante o período de exposição da carne em prateleira.

A suplementação de 500 UI/animal/dia durante 126 dias trás benefícios para estabilidade da cor de carnes comercializadas frescas, porém no caso de armazenamento ou exportação que o período necessário de estabilização seria de 60 a 120 dias, sendo necessário uma dose de 63.000 UI/animal/dia durante 126 dias (LIU et al., 1995).

Vitamina A

A vitamina A atua de várias formas no organismo animal sendo essencial para crescimento ósseo e manutenção do tecido epitelial. O ácido retinóico, um derivado da vitamina A, regula a diferenciação e proliferação celular e retarda o processo de diferenciação adipogênica. Portanto é possível que a vitamina A influa na diferenciação de adipócitos e consequentemente no marmoreio.

A concentração sérica da vitamina A é inversamente correlacionada com o marmoreio, sendo que essa correlação se apresenta mais acentuada em animais mais novos, sugerindo que vitamina A pode atuar sobre os graus de marmoreio durante o período inicial de deposição de gordura. O tecido adiposo intramuscular possui um número maior de células, com menor diâmetro e volume por grama, do que o tecido adiposo subcutâneo. Isso sugere que o tecido adiposo intramuscular seja um depósito de adipócitos imaturos (OKA te al. 1997).

Animais deficientes em vitamina A possuem uma menor concentração plasmática e na pituitária de hormônio do crescimento. A presença do hormônio do crescimento inibe a deposição de gordura e consequentemente o marmoreio, sendo assim, sugere-se que a vitamina A atua sobre o hormônio do crescimento e consequentemente sobre o marmoreio.

Há influencia da vitamina A sobre marmoreio em bovinos de corte e, mantendo-se baixos níveis séricos dessa vitamina há aumento no marmoreio (OKA te al. 1997).

Vitamina D

A administração de vitamina D para bovinos nos últimos 10 dias antes do abate, proporciona um aumento na concentração de cálcio plasmático, importante na ativação das proteases dependentes calpaína e calpatastina, melhorando a maciez da carne de animais suplementados. Doses de 0, 2.5, 5,0 e 7.5 x 106 UI vit. D durante 10 dias levou a um aumento linear na concentração de cálcio sanguíneo (SWANEK et al., 1999).

Devido ao controle homeostático da concentração de cálcio plasmático, as tentativas de elevação dessas conentrações através de suplementação ou injeção de cálcio apresenta resultados limitados.

O aumento da concentração de cálcio plasmático através da administração de vitamina D vem sendo estudado desde a década de 50, com resultados positivos, na tentativa de diminuir as incidências de paresia pós parto em vacas de leite.

O aumento do cálcio plasmático como efeito a suplementação de vitamina D3 se deve provavelmente ao aumento da absorção de cálcio no intestino e da reabsorção renal.

A administração oral de 5x106 UI por vaca/dia por 2 semanas pré parto aumentou a concentração de cálcio sérico em 2.1 mg/dl comparado com animais controle.

Segundo SWANEK et al. (1999) a suplementação com 7.5x106 UI por animal/dia durante 10 dias, elevou as concentrações de cálcio para .53 mM de cálcio no músculo. Essa concentração é suficiente para ativação das calpaínas e melhora na maciez da carne, sendo esta diferença também observada por degustadores treinados durante painel de degustação.

A suplementação com vitamina D nas doses 5 a 10 x 106 UI animal/dia não interfere no consumo, podendo ocorrer diminuição de consumo com doses extremamente elevadas ou em longos períodos de suplementação.

Referências bibliográficas:

ARNOLD, R.N.; ARP, S.C.; SCHELLER, S.N.; WILLIAMS, S.N.; SCHAEFER, D.M. Tissue equilibration and subcellular distribuition of vitamin E relative to mioglobin and lipid oxidation in displayed beef. J. Anim. Sci, v. 71, p. 105-111, 1993.

LIU, Q.; LANARI, M.C.; SCHAEFER, D.M. A review of dietary vitamin E supplementation for improvement of beef quality. . J. Anim. Sci, v. 73, p. 3131-3140, 1995.

OKA, A.; YOSHIYUKI, M.; MIKI, T.; YAMASAKI, T.; SAITO, T. Influence of vitamin A on the quality of beef from the Tajima Strain of Japanese Black Cattle. Meat Sci., v. 48, n.1, p. 159-167, 1998.

SWANEK, S.S.; MORGAN, J.B.; OWENS, F.N.; GILL, D.R.; STRASIA, C.A.; DOLEZAL, H.G.; RAY, F.K. Vitamin D3 supplementation of beef steers increases longissimus tenderness. J. Anim. Sci, v. 77, p. 874-881, 1999.

Autor:

André Alves de Souza



Dr. Nutrição e Produção Animal - Consultoria/Extensão - Campo Grande/MS


TRIGO/CEPEA: Cotações domésticas começam a reagir

Publicado em: 25/08/2010 12h00

Cepea, 25 – Os preços do trigo e derivados começaram a subir nos últimos dias no mercado brasileiro, conforme pesquisas do Cepea. A reação ocorreu mesmo com os números apontando para oferta abundante no Brasil e com o início da colheita no Paraná. De acordo com o Cepea, o impulso vem do aumento da demanda pelo trigo brasileiro e pela maior retração vendedora. Por um lado, produtores aguardam preços mais altos por conta da redução da disponibilidade mundial do produto, e por outro, compradores antecipam parte dos negócios, com receio de que os valores internos subam em direção à paridade com os externos. Quanto às farinhas, colaboradores do Cepea comentam que a demanda pelo produto aumentou de forma significativa na semana passada. Boa parte das cooperativas voltou a indicar preços de trigo em grão, devido à movimentação no mercado externo e à maior demanda por derivados. (Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br )

MILHO/CEPEA: Movimento de alta surpreende agentes

Publicado em: 24/08/2010 12h00

Cepea, 24 – Dados do Cepea apontam que os preços do milho têm subido com força no mercado brasileiro, movimento observado desde a segunda quinzena de julho. Entre 16 e 23 de agosto, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas – SP) subiu 2,86% e fechou a R$ 20,85/sc de 60 kg na segunda-feira. De modo geral, nem mesmo agentes consultados pelo Cepea esperavam esse cenário. Muitos acreditavam em queda nos preços, fundamentados nos estoques elevados e na boa produção de safrinha. O impulso vem das altas expressivas nas paridades de exportação e de importação nas últimas semanas, que foram favorecidas pelos maiores valores internacionais. O aumento na cotação externa, por sua vez, foi influenciado pela valorização do trigo. Além disso, a demanda no Brasil está mais firme, mesmo que para pequenas quantidades. Diante desse cenário, vendedores se retraíram, à espera de novas altas. (Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br )

Criadores de gado diminuem número de animais em confinamentos

A alta do preço do boi magro motivou a decisão. Em um ano, o boi magro teve uma valorização de 8% em MG. Em julho, o número de animais confinados caiu 9% em relação ao mesmo período do ano passado.

TRIGO/CEPEA: Farinha valoriza com alta internacional

Publicado em: 18/08/2010 12h00

Cepea, 18 – Os preços internacionais de trigo voltaram a cair nos últimos dias, depois de altas consecutivas observadas por nove semanas, conforme pesquisadores do Cepea. No mercado interno, somente as farinhas valorizaram de forma expressiva, seguindo o aumento dos futuros nas bolsas norte-americanas. Muitos moinhos consultados pelo Cepea aumentaram os valores em 5%, em média. Quanto aos preços do cereal pagos ao produtor e no mercado atacadista, continuam nominais e com poucas oscilações. (Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br )

Bezerra, novinha, precisa de quantos litros de leite por dia?

Na criação de gado leiteiro o bezerro precisa ser apartado da mãe depois do nascimento. Telespectadora quer saber quantos litros de leite devem ser dados a um animal de 15 dias.

Ruminantes - Parâmetros e Exames - Fluidoterapia

Aqui você vai encontar os parâmetros para a avaliação do grau de desidratação em bovinos. Todo conteúdo na integra - download

Preço pago ao produtor de leite de Goiás cai mais de 20%

O preço pago ao produtor de leite em Goiás caiu mais de 20% em quatro meses. Assim como os produtores de outras regiões do país, os goianos têm encontrado dificuldades para se manter na atividade. Um novo programa da Federação de Agricultura do Estado pretende atuar na gestão de riscos e custos da pecuária de leite

Seca castiga o gado na região de Corumbá (MS)

A falta de chuva está castigando as criações de gado na região de Corumbá, em Mato Grosso do Sul. Mesmo quem tem silagem está preocupado. A seca chegou antes do previsto e deve faltar de alimento.

MILHO/CEPEA: Indicador segue firme

Publicado em: 10/08/2010 12h00

Cepea, 10 – Os preços do milho continuam firmes em praticamente todas as praças acompanhadas pelo Cepea, sustentados pelas altas nas cotações externas e pelos maiores volumes destinados aos leilões governamentais. Entre 2 e 9 de agosto, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas – SP) subiu 3,6%, fechando a R$ 20,13/sc de 60 kg na segunda-feira, 9. (Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br )

EUA: compras da China podem elevar preços do milho

A China poderá aumentar suas importações de milho, oferecendo aos produtores rurais dos Estados Unidos a chance de obter maiores lucros, mas aumentando as chances de os produtores de carne do país, que usam o grão para alimentar os gados, terem que aumentar seus custos.

Os produtores dos Estados Unidos disseram que estavam receosos, mas esperançosos, com a possibilidade de fazer mais negócios com a China, que precisa de mais milho para alimentar seus rebanhos em expansão, que fornecem carne para sua crescente classe média. O presidente da Shanghai JC Intelligence Co. Ltd., que faz pesquisas de mercado, Hanver Li, estimou no mês passado que as importações de milho da China aumentariam de 1,7 milhões de toneladas esse ano para 15 milhões de toneladas em 2015.

A China tem sido relutante em importar milho. No entanto, as faltas de terra e água, combinadas com a resistência ao uso de equipamentos mecanizados, que poderiam eliminar empregos, têm dificultado para os produtores rurais chineses produzirem todo o milho que o país precisa.

Falando na reunião anual do Conselho de Grãos dos Estados Unidos em Boston, Li disse que a produção está sendo rapidamente ultrapassada pela crescente demanda dos chineses por carne, leite e ovos. "Chegamos a um momento decisivo. Chegamos à conclusão de que uma nova era da China importando milho começou".

Isso significaria uma boa notícia aos agricultores norte-americanos, disse o diretor de análises econômicas da Associação Nacional de Produtores de Milho, Paul Bertels, mas acrescentou que ainda não é o momento de comemorar. Ele disse que seu ceticismo está relacionado com a história e com a inconsistência da China nas importações.

O Ministério da Agricultura da China não respondeu imediatamente às questões sobre a demanda do país por milho. Entretanto, a agência de planejamento econômico da China, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, disse que o país pode aumentar suas demandas por milho, acrescentando que as maiores importações eram devido aos crescentes preços domésticos.

Apesar disso, se as importações aumentarem como o previsto, a China desafiará o Japão como o maior importador de milho dos Estados Unidos, disse Bertels. O Japão importa cerca de 15 milhões de toneladas por ano. Os Estados Unidos também fixaram novos recordes de exportação, disse ele, passando 2008, quando foram exportadas 61 milhões de toneladas de milho.

Para suprir essa demanda na China, os produtores dos Estados Unidos teriam que expandir a produção de milho em 4 milhões de acres (1,6 milhão de hectares), disse o economista agrícola da Universidade de Illinois, Darrel Good. Mesmo com isso, os preços permaneceriam relativamente altos, pressionando os custos dos alimentos animais e, no final, os preços das carnes e ovos, disse ele.

O produtor de milho de Iowa, Julius Schaaf, disse que espera que as exportações para a China aumentem porque o Governo está agora enfatizando a segurança alimentar acima da auto-suficiência. Além disso, o país não vende mais o excedente de milho para os usuários industriais, como biocombustivel ou bioplástico, deixando esses consumidores precisando do milho dos Estados Unidos, disse Schaaf.

Os Estados Unidos produziram cerca de 13,2 bilhões de bushels de milho em 2009, com cerca de 2 bilhões de bushels exportados. Se as exportações não crescerem até 2,5 bilhões a 3 bilhões de bushels por ano, parte do milho ficará inutilizada devido à maior produtividade, disse Shcaaf.

O representante do Marubeni Research Institute, do Japão, Akio Shibata, disse que, embora os Estados Unidos provavelmente devam suprir as demandas da China por mais milho, o país terá que comprar de outras nações, como o Brasil. "Os preços globais do milho certamente aumentarão".

O economista agrícola da Universidade do Estado de Kansas, Jay O'Neil, disse que a mudança da China de exportador de milho para importador pode levar a flutuações mais dramáticas nos preços, à medida que o mundo conta com menos países para fornecer milho. "Isso significa que existem menos países suprindo as demandas de um mundo crescente e o potencial de queda na produção é um risco maior para todos".

A reportagem é do The Associated Press, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

PR: vaca holandesa vermelha e branca é a aposta para aumentar teor de sólidos

Depois de consolidar os Campos Gerais como a bacia leiteira mais produtiva do país, com médias acima de 35 litros por animal ao dia, os pecuaristas da região tentam melhorar o valor nutritivo do leite. Para isso, aprimoram o manejo das vacas, investem em tecnologia e, mais recentemente, partem para opções como a vaca holandesa vermelha e branca. O animal ganhou status de estrela da Agroleite 2010, que começa hoje e segue até sábado em Castro, no Paraná.

A vaca holandesa vermelha e branca até produz menos leite que a branca e preta, mas pode render mais se o critério for o teor de sólidos. A produção leiteira desse animal é mais "pesada" e apresenta maior valor nutritivo, características valorizadas na comercialização do produto. A diferença entre o preço do leite menos e mais concentrado passa de 5% nos Campos Gerais. O desafio tem sido encontrar animais que, através da qualidade, compensem a redução na quantidade ordenhada.

A grande maioria dos animais da raça holandesa nasce preta e branca. No entanto, com a identificação de touros pretos e brancos que possuem o gene recessivo da cor avermelhada, esse quadro passou a mudar. O cruzamento controlado permite tornar o rebanho leiteiro mais heterogêneo, informa a Associação Brasileira Criadores de Bovinos da Raça Holandesa. O animal também é mais resistente ao calor, o que significa menor gasto com o resfriamento dos estábulos. Sentindo-se mais confortáveis, as vacas leiteiras rendem mais.

A matéria é de Ismael de Freitas, publicada no jornal Gazeta do Povo/PR, resumida e adaptada pela Equipe MilkPoint.

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