Carne bovina: o próximo cigarro?
Na semana passada, na quinta-feira 19 de março, apresentei uma palestra em São Paulo, SP, num evento inédito chamado Epicentro, com o slogan "Ideias que valem a pena espalhar". O objetivo era reunir palestrantes de diversas áreas em um formato inovador: palestras presenciais curtas de 20 minutos, gravadas e disponibilizadas em vídeo pela internet. Fui convidado a apresentar uma visão otimista e real da pecuária de corte. Aceitei, pois acredito que na linha de "ideias que valem a pena espalhar", a pecuária tem muito o que contar.
O tema sugerido pela organização foi "Carne bovina: o próximo cigarro?". O tema era arriscado, mas válido para despertar o interesse. Uma palestra com dados sólidos, comunicados de forma bem pensada poderia ser uma maneira muito boa de mostrar uma série de pontos positivos da pecuária, que são totalmente desconhecidos do consumidor. Felizmente o resultado foi positivo. Recebi comentários de pessoas que assistiram e gostaram, inclusive pessoas que alegaram ter reduzido, no passado, o consumo de carne bovina, graças a notícias negativas. Apresento aqui um resumo da palestra.
Os ataques mais comuns contra a carne bovina
A carne bovina é constantemente relacionada com o aumento do desmatamento, com o aquecimento global, com a epidemia mundial de obesidade, com a má nutrição de crianças. Mostrei uma série de capas de revistas, brasileiras e internacionais, sobre os temas. Em sua maioria, o enfoque dado a pecuária de corte era extremante negativo.
Porque consumimos carne?
O consumo de carne está arraigado na cultura mundial e brasileira. Há milhões de anos, a espécie humana consome carne vermelha e isso influenciou positivamente a evolução da nossa espécie. Diversos estudos comprovam a relação do acesso a proteína da carne com a evolução do cérebro humano. Graças ao maior consumo de proteína de alta qualidade, o homem pode desenvolver um cérebro muito maior do que os outros mamíferos.
Em reportagem recente, a revista inglesa The Economist mostrou um novo estudo que relaciona o consumo de carne vermelha e a introdução de técnicas de cozimento como fatores fundamentais para a evolução do ser humano.
Na Austrália, há tempos o MLA faz campanhas promocionais embasadas em estudos arqueológicos. Em resumo, de forma provocativa, dizem o seguinte: "Seu cérebro tem esse tamanho e capacidade graças ao consumo de carne vermelha por seus antepassados por milhões de anos. Você vai deixar de comer carne vermelha?"
Devemos consumir carne por ser muito saudável. A carne é um alimento naturalmente rico em nutrientes, com proteína de alta qualidade, ferro, zinco e vitaminas, com elevada bio-disponibilidade. É mais fácil ter uma alimentação saudável e balanceada se você consumir carne bovina, do que se restringir esse alimento de sua dieta. Em crianças, isso é ainda mais importante. Em resumo, carne é saudável, a dose é que faz o veneno.
Outro motivo pelo qual consumimos carne é seu sabor incomparável. A carne bovina é amada por milhares de consumidores em todo o mundo. É motivo de festa. É o prato principal. A reação da platéia ao mostrar uma foto apetitosa de um bife assado foi ótima.
Aumento do consumo mundial
O consumo mundial de carne deve aumentar nos próximos anos, pois o mundo segue tendência de longo prazo de aumento da renda per capita. E a principal mudança no padrão de consumo, de quem sai da pobreza para a classe média é o consumo de alimentos de origem animal. Isso vem acontecendo nos últimos anos e deve continuar pelos próximos 10-20 anos, mesmo que desacelere em 2009, devido a crise mundial.
Tradição e economia
Além de tudo isso, a pecuária é de grande importância para a economia brasileira: exporta só em carne bovina, mais de US$ 5 bilhões por ano, representa mais de 7% do PIB brasileiro e gera milhões de empregos. Há no Brasil, mais de um milhão de fazendas na atividade.
A pecuária está arraigada na história e na cultura brasileira. São quase 500 anos de pecuária. Essa tradição tem seus pontos negativos e positivos. Negativo porque sendo tradicional, geralmente tem mais dificuldade em mudar, em atender às novas demandas da sociedade.
Alguns exemplos de sucesso, hoje, no Brasil
Integração lavoura-pecuária-floresta
Um dos exemplos mais interessantes e promissores para a cadeia da carne são as técnicas de integração lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta. Já existem estudos sendo conduzidos em diversas unidades da Embrapa. Também já há aplicação dessa tecnologia no campo, no mercado, ainda que em pequena escala.
Os ganhos são múltiplos. Maior produtividade da pecuária, mais conforto animal e por conseqüência maior produção. Renda extra com a produção florestal. Para a agricultura, há quebra no ciclo de doenças, gerando melhor a maior produção, além de menor custo com defensivos. Além de tudo, esse sistema produtivo é ambientalmente mais correto. Um ganha-ganha econômico e ambiental.
Acredito que essa é uma área que terá grande estímulo nos próximos anos. Seja por questões econômicas ou por questões ambientais. Ou pelos dois motivos combinados.
Carne orgânica no Pantanal
A produção de carne orgânica no Pantanal do MT e MS é outro exemplo de sucesso, ainda que em pequena escala. Duas associações de produtores, uma entidade certificadora e um frigorífico atuam juntos, produzindo de forma sustentável (econômica, social e ambientalmente), com critérios auditados e certificados.
O que mais chama a atenção, ao se divulgar para o público leigo, é o apoio da WWF a esse projeto. Uma ONG ambientalista internacional promove a produção pecuária, desde que atendendo a uma série de critérios. O WWF acredita que ao apoiar uma iniciativa como essa, está ajudando a preservar o Pantanal.
Aliança da Terra no norte do MT
A Aliança da Terra trabalha com fazendas que hoje totalizam mais de dois milhões de hectares. O objetivo dessa ONG de produtores é unir conservação e produção. Produtores e ambientalistas trabalham em parceria, unindo responsabilidade sócio-ambiental com direito de propriedade, boas práticas agropecuárias com viabilidade econômica.
Estão construindo uma rede de produtores responsáveis. Até o nome da entidade tem seu significado. Aliança remete a compromisso e a casamento. Como todo compromisso, aliança e casamento, inclui direitos e deveres. O produtor tem uma aliança com a terra, com o direito de tirar seu sustento, e o dever de preservá-la.
A Aliança da Terra tem conseguido alguns feitos muito interessantes e inéditos para a pecuária de corte. Suas aparições na mídia de massa, brasileira e global, foram sempre positivas. Há reportagens contando do trabalho e do sucesso dessa ONG, em veículos como a revista Time, Veja e The Economist, além do jornal Financial Times.
Outra área que a AT vem colhendo frutos é nas parcerias de pesquisa. Conta com intercâmbio constante e estreito com o IPAM (Instituto de pesquisa ambiental da Amazônia) e Woods Hole Research Center, dos EUA. Este último teve um de seus principais diretores convidado a integrar a secretaria de meio-ambiente do governo de Barack Obama, se tornando um assessor do novo presidente norte-americano nas questões ambientais e de clima. Projetos em conjunto com entidades respeitadas internacionalmente reforçam a imagem e reputação da pecuária bem feita.
Desmatamento e aquecimento global
O desmatamento é outro tema muito sensível para a pecuária de corte, que sempre é associada de forma negativa. O Brasil tem sido notícia por bater recordes de desmatamento nos últimos anos.
O dado que pouca gente sabe é que o Brasil tem praticamente 70% de sua área de florestas ainda não desmatada, segundo dados da Embrapa Monitoramento por Satélite. Utilizando-se o mesmo critério que mostra que o Brasil desmatou cerca de 30% de suas florestas, a Europa já desmatou 99,7%, ou seja, praticamente tudo.
Isso não precisa servir como um estímulo a mais desmatamento, mas como um forte argumento de que o Brasil deve ter uma posição de liderança e credibilidade no debate mundial sobre o assunto.
Sobre o aquecimento global, a pecuária de corte também tem dados interessantes a divulgar. Segundo o completo levantamento feito por inúmeros pesquisadores, a convite de Sebastião Guedes, do CNPC, a pecuária de corte tem seu balanço de carbono negativo, quando é mal explorada, quando há pastagens pouco produtivas e mal manejadas. Quando se utiliza tecnologia e conhecimento, é possível produzir mais a pasto e mudar o balanço de carbono, tornando a pecuária de corte uma atividade que sequestra carbono.
Conhecimento e comunicação
Tudo isso nos faz acreditar que o maior desafio da pecuária é o conhecimento e a comunicação. Precisamos criar formas de fazer com que essas técnicas e exemplos bem sucedidos sejam multiplicados. É preciso fazer com que novos projetos sejam criados, que unam produtividade com sustentabilidade. A questão chave nesse desafio é a criação e difusão do conhecimento.
Outro ponto que será cada vez mais importante é a necessidade de se comunicar, de se contar o que está sendo feito de bom na pecuária. Ao apresentar a palestra, senti um alívio por parte de muitos na platéia. Pessoas que apreciam carne bovina, que sabem de sua importância nutricional, mas que se sentem pressionadas pela avalanche de notícias negativas, que condenam quem consome carne.
Ao mostrar, em apenas 20 minutos, alguns dados que mostram um outro lado, percebi uma motivadora ressonância dessas ideias junto ao público. Uma prova de que o consumidor muito aprecia um bom churrasco, mas precisa ser cada vez mais municiado de informações que embasem e defendam seu prazer.
Vídeo e slides
A palestra pode ser assistida abaixo, em vídeo não oficial do evento. Os slides também estão disponíveis. Assista, reflita e envie seus comentários de como a pecuária pode divulgar mais intensamente seus casos de sucesso.
O tema sugerido pela organização foi "Carne bovina: o próximo cigarro?". O tema era arriscado, mas válido para despertar o interesse. Uma palestra com dados sólidos, comunicados de forma bem pensada poderia ser uma maneira muito boa de mostrar uma série de pontos positivos da pecuária, que são totalmente desconhecidos do consumidor. Felizmente o resultado foi positivo. Recebi comentários de pessoas que assistiram e gostaram, inclusive pessoas que alegaram ter reduzido, no passado, o consumo de carne bovina, graças a notícias negativas. Apresento aqui um resumo da palestra.
Os ataques mais comuns contra a carne bovina
A carne bovina é constantemente relacionada com o aumento do desmatamento, com o aquecimento global, com a epidemia mundial de obesidade, com a má nutrição de crianças. Mostrei uma série de capas de revistas, brasileiras e internacionais, sobre os temas. Em sua maioria, o enfoque dado a pecuária de corte era extremante negativo.
Porque consumimos carne?
O consumo de carne está arraigado na cultura mundial e brasileira. Há milhões de anos, a espécie humana consome carne vermelha e isso influenciou positivamente a evolução da nossa espécie. Diversos estudos comprovam a relação do acesso a proteína da carne com a evolução do cérebro humano. Graças ao maior consumo de proteína de alta qualidade, o homem pode desenvolver um cérebro muito maior do que os outros mamíferos.
Em reportagem recente, a revista inglesa The Economist mostrou um novo estudo que relaciona o consumo de carne vermelha e a introdução de técnicas de cozimento como fatores fundamentais para a evolução do ser humano.
Na Austrália, há tempos o MLA faz campanhas promocionais embasadas em estudos arqueológicos. Em resumo, de forma provocativa, dizem o seguinte: "Seu cérebro tem esse tamanho e capacidade graças ao consumo de carne vermelha por seus antepassados por milhões de anos. Você vai deixar de comer carne vermelha?"
Devemos consumir carne por ser muito saudável. A carne é um alimento naturalmente rico em nutrientes, com proteína de alta qualidade, ferro, zinco e vitaminas, com elevada bio-disponibilidade. É mais fácil ter uma alimentação saudável e balanceada se você consumir carne bovina, do que se restringir esse alimento de sua dieta. Em crianças, isso é ainda mais importante. Em resumo, carne é saudável, a dose é que faz o veneno.
Outro motivo pelo qual consumimos carne é seu sabor incomparável. A carne bovina é amada por milhares de consumidores em todo o mundo. É motivo de festa. É o prato principal. A reação da platéia ao mostrar uma foto apetitosa de um bife assado foi ótima.
Aumento do consumo mundial
O consumo mundial de carne deve aumentar nos próximos anos, pois o mundo segue tendência de longo prazo de aumento da renda per capita. E a principal mudança no padrão de consumo, de quem sai da pobreza para a classe média é o consumo de alimentos de origem animal. Isso vem acontecendo nos últimos anos e deve continuar pelos próximos 10-20 anos, mesmo que desacelere em 2009, devido a crise mundial.
Tradição e economia
Além de tudo isso, a pecuária é de grande importância para a economia brasileira: exporta só em carne bovina, mais de US$ 5 bilhões por ano, representa mais de 7% do PIB brasileiro e gera milhões de empregos. Há no Brasil, mais de um milhão de fazendas na atividade.
A pecuária está arraigada na história e na cultura brasileira. São quase 500 anos de pecuária. Essa tradição tem seus pontos negativos e positivos. Negativo porque sendo tradicional, geralmente tem mais dificuldade em mudar, em atender às novas demandas da sociedade.
Alguns exemplos de sucesso, hoje, no Brasil
Integração lavoura-pecuária-floresta
Um dos exemplos mais interessantes e promissores para a cadeia da carne são as técnicas de integração lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta. Já existem estudos sendo conduzidos em diversas unidades da Embrapa. Também já há aplicação dessa tecnologia no campo, no mercado, ainda que em pequena escala.
Os ganhos são múltiplos. Maior produtividade da pecuária, mais conforto animal e por conseqüência maior produção. Renda extra com a produção florestal. Para a agricultura, há quebra no ciclo de doenças, gerando melhor a maior produção, além de menor custo com defensivos. Além de tudo, esse sistema produtivo é ambientalmente mais correto. Um ganha-ganha econômico e ambiental.
Acredito que essa é uma área que terá grande estímulo nos próximos anos. Seja por questões econômicas ou por questões ambientais. Ou pelos dois motivos combinados.
Carne orgânica no Pantanal
A produção de carne orgânica no Pantanal do MT e MS é outro exemplo de sucesso, ainda que em pequena escala. Duas associações de produtores, uma entidade certificadora e um frigorífico atuam juntos, produzindo de forma sustentável (econômica, social e ambientalmente), com critérios auditados e certificados.
O que mais chama a atenção, ao se divulgar para o público leigo, é o apoio da WWF a esse projeto. Uma ONG ambientalista internacional promove a produção pecuária, desde que atendendo a uma série de critérios. O WWF acredita que ao apoiar uma iniciativa como essa, está ajudando a preservar o Pantanal.
Aliança da Terra no norte do MT
A Aliança da Terra trabalha com fazendas que hoje totalizam mais de dois milhões de hectares. O objetivo dessa ONG de produtores é unir conservação e produção. Produtores e ambientalistas trabalham em parceria, unindo responsabilidade sócio-ambiental com direito de propriedade, boas práticas agropecuárias com viabilidade econômica.
Estão construindo uma rede de produtores responsáveis. Até o nome da entidade tem seu significado. Aliança remete a compromisso e a casamento. Como todo compromisso, aliança e casamento, inclui direitos e deveres. O produtor tem uma aliança com a terra, com o direito de tirar seu sustento, e o dever de preservá-la.
A Aliança da Terra tem conseguido alguns feitos muito interessantes e inéditos para a pecuária de corte. Suas aparições na mídia de massa, brasileira e global, foram sempre positivas. Há reportagens contando do trabalho e do sucesso dessa ONG, em veículos como a revista Time, Veja e The Economist, além do jornal Financial Times.
Outra área que a AT vem colhendo frutos é nas parcerias de pesquisa. Conta com intercâmbio constante e estreito com o IPAM (Instituto de pesquisa ambiental da Amazônia) e Woods Hole Research Center, dos EUA. Este último teve um de seus principais diretores convidado a integrar a secretaria de meio-ambiente do governo de Barack Obama, se tornando um assessor do novo presidente norte-americano nas questões ambientais e de clima. Projetos em conjunto com entidades respeitadas internacionalmente reforçam a imagem e reputação da pecuária bem feita.
Desmatamento e aquecimento global
O desmatamento é outro tema muito sensível para a pecuária de corte, que sempre é associada de forma negativa. O Brasil tem sido notícia por bater recordes de desmatamento nos últimos anos.
O dado que pouca gente sabe é que o Brasil tem praticamente 70% de sua área de florestas ainda não desmatada, segundo dados da Embrapa Monitoramento por Satélite. Utilizando-se o mesmo critério que mostra que o Brasil desmatou cerca de 30% de suas florestas, a Europa já desmatou 99,7%, ou seja, praticamente tudo.
Isso não precisa servir como um estímulo a mais desmatamento, mas como um forte argumento de que o Brasil deve ter uma posição de liderança e credibilidade no debate mundial sobre o assunto.
Sobre o aquecimento global, a pecuária de corte também tem dados interessantes a divulgar. Segundo o completo levantamento feito por inúmeros pesquisadores, a convite de Sebastião Guedes, do CNPC, a pecuária de corte tem seu balanço de carbono negativo, quando é mal explorada, quando há pastagens pouco produtivas e mal manejadas. Quando se utiliza tecnologia e conhecimento, é possível produzir mais a pasto e mudar o balanço de carbono, tornando a pecuária de corte uma atividade que sequestra carbono.
Conhecimento e comunicação
Tudo isso nos faz acreditar que o maior desafio da pecuária é o conhecimento e a comunicação. Precisamos criar formas de fazer com que essas técnicas e exemplos bem sucedidos sejam multiplicados. É preciso fazer com que novos projetos sejam criados, que unam produtividade com sustentabilidade. A questão chave nesse desafio é a criação e difusão do conhecimento.
Outro ponto que será cada vez mais importante é a necessidade de se comunicar, de se contar o que está sendo feito de bom na pecuária. Ao apresentar a palestra, senti um alívio por parte de muitos na platéia. Pessoas que apreciam carne bovina, que sabem de sua importância nutricional, mas que se sentem pressionadas pela avalanche de notícias negativas, que condenam quem consome carne.
Ao mostrar, em apenas 20 minutos, alguns dados que mostram um outro lado, percebi uma motivadora ressonância dessas ideias junto ao público. Uma prova de que o consumidor muito aprecia um bom churrasco, mas precisa ser cada vez mais municiado de informações que embasem e defendam seu prazer.
Vídeo e slides
A palestra pode ser assistida abaixo, em vídeo não oficial do evento. Os slides também estão disponíveis. Assista, reflita e envie seus comentários de como a pecuária pode divulgar mais intensamente seus casos de sucesso.

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