Nutrição - Maximização do uso da uréia pelos microorganismos ruminais
A utilização da uréia na nutrição de ruminantes passou a ter maior importância a partir da década de 80, tendo seu apogeu na década de 90 e atualmente é utilizada de forma a maximizar o ambiente ruminal e favorecer a digestibilidade de fibras. O conhecimento dos processos relacionados à produção de proteína microbiana e da importância desta ao suprimento desse nutriente às exigências nutricionais dos bovinos, levaram a grande utilização desse ingrediente no arraçoamento dos bovinos.
Dentre as fontes de nitrogênio (N) utilizadas na nutrição de ruminantes a uréia ainda apresenta custo razoável, devido a sua alta eficiência de conversão em proteína microbiana. O grande aumento do custo da uréia nos últimos anos, aumentou a importância da eficiência de utilização desse ingrediente, sob pena de inviabilizar sua utilização nos casos em que a uréia não for utilizada de forma eficiente.
As principais vantagens de utilizar uréia na nutrição de ruminantes são:
• Elevar a concentração de amônia no rúmen para melhorar a síntese de proteína microbiana;
• Criar uma ação tamponante no rúmen, de modo a manter o pH numa faixa mais adequada para o processo de digestão da celulose;
• Alterar o hábito alimentar no sentido de promover refeições mais frequentes, resultando um possível incremento na eficiência energética da dieta. Nesse campo a uréia tem sido utilizada para limitar o consumo de rações suplementares como exemplo o sal proteinado.
A uréia é rapidamente hidrolisada à amônia pela ação da urease microbiana no rúmen. A velocidade de produção de amônia pode ser 4 vezes superior a capacidade de utilização pelos microorganismos do rúmen, diminuindo drasticamente a utilização dessa fonte de N na produção de proteína microbiana (Makkar et al., 1988). De 1 a 3 horas após o fornecimento da uréia, ocorre um rápido incremento na concentração de amônia no rúmen, que se não utilizada, será absorvida pela parede ruminal, transformada em uréia no fígado e eliminada através da urina ou reciclada ao rúmen pela saliva. Além de ser desperdiçada ao ser eliminada na urina, a "uréia" não utilizada gasta energia ao ser transformada no fígado, gerando um custo energético para eliminar o nitrogênio excedente através da urina. Esse gasto de energia irá retirar parte de energia destinada à produção (ganho de peso/produção de leite). Dependendo do nível de amônia e uréia o organismo não consegue eliminar rapidamente o excedente em amônia, levando à intoxicação do animal.
Para solucionar ou amenizar os efeitos desfavoráveis da utilização da uréia na nutrição de ruminantes, se faz necessário a redução da taxa de hidrólise da uréia no rúmen, amenizando os problemas apresentados, possibilitando melhor utilização da mesma como fonte de N para os microorganismos ruminais.
Algumas técnicas de "proteção" da uréia contra a ação da urease no rúmen foram feitas através do revestimento do grão de uréia com amido, enxofre, barreiras físicas, etc, no intuito de diminuir a liberação de amônia no rúmen, possibilitando a melhor utilização da mesma.
A proteção da uréia através da utilização do amido foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade do Kansas nos Estados Unidos, porém sem apresentar realmente uma forma de liberação "parcelada" que possibilitasse a maximização da utilização, pelo fato do amido ser também rapidamente degradado no ambiente ruminal. Além do aspecto de proteção à degradação ruminal, a proteção da uréia com amido, possibilita a proteção efetiva da mesma nos casos do contato com a água, evitando intoxicações de animais quando a ocorrência de chuvas durante o fornecimento. Vale lembrar também que o amido ao ser fornecido conjuntamente com a uréia, passa a ser fonte de energia para os microorganismos ruminais utilizarem essa fonte de N.
Atualmente, outras formas de proteção, como a proteção física, vem sendo utilizada, porém ainda não apresentam satisfatória avaliação científica para que possamos discutir sobre a eficiência de sua utilização.
Além do aspecto tempo de liberação, é importante salientar que a utilização do nitrogênio não protéico pelos microorganismos ruminais, depende da presença concomitante de uma fonte de carboidrato (energia). Portanto, no intuito de maximizar a utilização da uréia pelos microorganismos ruminais, deve ser fornecida, juntamente com a uréia, uma fonte de energia rapidamente degradável no rúmen, visando a sincronia de liberação amônia/energia no ambiente ruminal.
Referências bibliográficas:
ARELOVICH, H.M.; OWENS, F.N.; HORN, G.W.; VIZCARRA, J.A. Effects of supplemental zinc and manganese on ruminal fermentation, forage intake, and digestion by cattle fed praire hay and urea. J. Anim. Sci., v. 78, p. 2972-2979, 2000.
STANTON, T.L. Urea and NPN for cattle and sheep. Livestock Series. Colorado State University - Cooperative Extension, 6/98, 2003.
Dentre as fontes de nitrogênio (N) utilizadas na nutrição de ruminantes a uréia ainda apresenta custo razoável, devido a sua alta eficiência de conversão em proteína microbiana. O grande aumento do custo da uréia nos últimos anos, aumentou a importância da eficiência de utilização desse ingrediente, sob pena de inviabilizar sua utilização nos casos em que a uréia não for utilizada de forma eficiente.
As principais vantagens de utilizar uréia na nutrição de ruminantes são:
• Elevar a concentração de amônia no rúmen para melhorar a síntese de proteína microbiana;
• Criar uma ação tamponante no rúmen, de modo a manter o pH numa faixa mais adequada para o processo de digestão da celulose;
• Alterar o hábito alimentar no sentido de promover refeições mais frequentes, resultando um possível incremento na eficiência energética da dieta. Nesse campo a uréia tem sido utilizada para limitar o consumo de rações suplementares como exemplo o sal proteinado.
A uréia é rapidamente hidrolisada à amônia pela ação da urease microbiana no rúmen. A velocidade de produção de amônia pode ser 4 vezes superior a capacidade de utilização pelos microorganismos do rúmen, diminuindo drasticamente a utilização dessa fonte de N na produção de proteína microbiana (Makkar et al., 1988). De 1 a 3 horas após o fornecimento da uréia, ocorre um rápido incremento na concentração de amônia no rúmen, que se não utilizada, será absorvida pela parede ruminal, transformada em uréia no fígado e eliminada através da urina ou reciclada ao rúmen pela saliva. Além de ser desperdiçada ao ser eliminada na urina, a "uréia" não utilizada gasta energia ao ser transformada no fígado, gerando um custo energético para eliminar o nitrogênio excedente através da urina. Esse gasto de energia irá retirar parte de energia destinada à produção (ganho de peso/produção de leite). Dependendo do nível de amônia e uréia o organismo não consegue eliminar rapidamente o excedente em amônia, levando à intoxicação do animal.
Para solucionar ou amenizar os efeitos desfavoráveis da utilização da uréia na nutrição de ruminantes, se faz necessário a redução da taxa de hidrólise da uréia no rúmen, amenizando os problemas apresentados, possibilitando melhor utilização da mesma como fonte de N para os microorganismos ruminais.
Algumas técnicas de "proteção" da uréia contra a ação da urease no rúmen foram feitas através do revestimento do grão de uréia com amido, enxofre, barreiras físicas, etc, no intuito de diminuir a liberação de amônia no rúmen, possibilitando a melhor utilização da mesma.
A proteção da uréia através da utilização do amido foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade do Kansas nos Estados Unidos, porém sem apresentar realmente uma forma de liberação "parcelada" que possibilitasse a maximização da utilização, pelo fato do amido ser também rapidamente degradado no ambiente ruminal. Além do aspecto de proteção à degradação ruminal, a proteção da uréia com amido, possibilita a proteção efetiva da mesma nos casos do contato com a água, evitando intoxicações de animais quando a ocorrência de chuvas durante o fornecimento. Vale lembrar também que o amido ao ser fornecido conjuntamente com a uréia, passa a ser fonte de energia para os microorganismos ruminais utilizarem essa fonte de N.
Atualmente, outras formas de proteção, como a proteção física, vem sendo utilizada, porém ainda não apresentam satisfatória avaliação científica para que possamos discutir sobre a eficiência de sua utilização.
Além do aspecto tempo de liberação, é importante salientar que a utilização do nitrogênio não protéico pelos microorganismos ruminais, depende da presença concomitante de uma fonte de carboidrato (energia). Portanto, no intuito de maximizar a utilização da uréia pelos microorganismos ruminais, deve ser fornecida, juntamente com a uréia, uma fonte de energia rapidamente degradável no rúmen, visando a sincronia de liberação amônia/energia no ambiente ruminal.
Referências bibliográficas:
ARELOVICH, H.M.; OWENS, F.N.; HORN, G.W.; VIZCARRA, J.A. Effects of supplemental zinc and manganese on ruminal fermentation, forage intake, and digestion by cattle fed praire hay and urea. J. Anim. Sci., v. 78, p. 2972-2979, 2000.
STANTON, T.L. Urea and NPN for cattle and sheep. Livestock Series. Colorado State University - Cooperative Extension, 6/98, 2003.

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