Nutrição - Uso de probiótico em vacas no início de lactação

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Após o parto, ocorre uma grande variação na composição da ração para suprir o requerimento de energia visando atender a produção de leite. Este é o momento mais crítico para a saúde de uma vaca leiteira. Grande quantidade de carboidratos rapidamente fermentáveis são geralmente fornecidos para atender a alta demanda por energia, fato este que pode levar à produção de ácidos orgânicos em quantidades que podem exceder a capacidade do rumem, causando desordens metabólicas e conseqüentemente, queda de produção.

Esse problema pode ser ainda mais agravado pelo fato dos produtores nem sempre se preocuparem em fazer um período adequado de adaptação, a fim de que as papilas do epitélio ruminal se desenvolvam e promovam uma alta absorção dos ácidos produzidos, embora existam várias estratégias alimentares e dietas exclusivas para esse período crítico, a exemplo da inclusão de grãos não processados pelo fato de serem menos fermentáveis, do fornecimento de ração total, ou da adoção de sistema de alimentação com pequenas refeições com alta freqüência e intervalos regulares, etc.

Como estratégia para fugir do uso de antibióticos, pesquisas recentes têm avaliado o uso de microrganismos vivos que podem ajudar as vacas em início de lactação à manter o pH ruminal em níveis adequados. Os trabalhos têm estudado microrganismos vivos capazes de crescer rapidamente, fermentando amido e produzindo como produto final principalmente proprionato e succinato.

Um estudo recente foi conduzido com vacas Holandesas em início de lactação utilizando células de Prevotella bryantii da estirpe 25A, isolada no ano de 2003. Essas células são capazes de crescer em meio anaeróbico, de fermentar amido e de produzir como produto final principalmente succinato e proprionato que são os ácidos orgânicos de cadeia curta desejáveis para mantença de ambiente ruminal e produção de leite. A ração total foi a base de silagem de capim, silagem de milho, grão de cevada, farelo de soja e feno de gramíneas, além de tamponantes e minerais. As vacas receberam 25 mL de P. briantii que continha de 2 a 29 bilhões de células viáveis, dosadas uma vez ao dia através da cânula ruminal.

As vacas tratadas com células de P. bryantti tiveram maior concentração de ácidos graxos voláteis após a alimentação, com discretas modificações nas concentrações de acetato e butirato. O proprionato teve concentração similar entre as vacas que receberam ou não as células vivas.

As células tiveram o benefício de produzir succinato como produto final da fermentação de amido (estudo in vitro - em laboratório). No rúmen, o succinato é rapidamente convertido a proprionato. Isso sugere um aumento na concentração de proprionato, fato este que não ocorreu no presente estudo.

Os pesquisadores observaram que nas vacas tratadas, a concentração de ácidos de quatro e cinco carbonos de cadeia ramificada, teve maior concentração. Este aumento sugere que ocorreu aumento na taxa de proteólise dos aminoácidos. Os aumentos em acetato e butirato poderiam sugerir aumento na taxa de fermentação da fibra.

O lactato é um ácido muito forte. Assim, alterações na sua concentração podem ser muito benéficas ou maléficas. As vacas tratadas tiveram menor concentração de lactato (0,7mM, contra 1,4mM das vacas controles). Entretanto, a variação foi muito grande (0,2 a 7,4mM nas vacas controles e 0,2 a 3,2mM nas vacas tratadas).
O pH ruminal, um importante parâmetro, não foi afetado. O pH foi de 6,0 no grupo controle e 5,9 no grupo tratado com as células. Essa falta de efeito positivo no pH pode ser explicado pela maior produção de ácidos orgânicos no grupo tratado, anulando assim o efeito no pH.

A utilização das células não afetou o consumo de matéria seca que apresentou média de 21,2 kg de MS/vaca/dia. Igualmente ao consumo de alimento, a produção de leite (35 kg/dia) também não foi afetada pelos tratamentos. Por outro lado, o teor de gordura do leite tendeu a ser maior no grupo de vacas tratadas. Enquanto nas vacas controles o teor de gordura foi de 3,54%, nas vacas tratadas foi de 3,87%. Entretanto, embora tenha apresentado maior teor de gordura, a produção de gordura por dia (kg) não foi diferente. As produções e concentrações dos outros componentes do leite não foram alterados.

Considerações finais

A dosagem ruminal de P. bryantii 25A aumentou a concentração de produtos da fermentação ruminal, indicando que a digestão foi aumentada. O teor de gordura do leite tendeu a aumentar, em resposta ao aumento de acetato e butirato. O aumento da concentração de iso-ácidos nas vacas tratadas foi indicativo de aumento da proteólise e deaminação da fração protéica. As células também diminuíram a concentração de lactato após a alimentação. Ambos os efeitos (redução da concentração de lactato e aumento na concentração de amônia) poderiam contribuir para a prevenção da acidose ruminal de vacas em início de lactação.

Texto adaptado de:

CHIQUETTE, J., ALLISON, M.J. RASMUSSEN, M.A. Prevotella bryantii 25A Used
as a Probiotic in Early-Lactation Dairy Cows: Effect on Ruminal
Fermentation Characteristics, Milk Production, and Milk Composition
J. Dairy Sci., Savoy, v. 91, p. 3536-3543, 2008.

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