Brucelose: principal causa de aborto infeccioso no gado de corte
Iveraldo Dutra
A ocorrência de abortos é um problema econômico e sanitário de grande relevância no gado de corte. Dentre os diversos agentes responsabilizados direta ou indiretamente com a ocorrência de abortos, a brucelose destaca-se como a principal causa infecciosa. No Brasil, a enfermidade é amplamente disseminada, sendo responsabilizada também pela infertilidade permanente ou temporária do gado. A inexistência de um programa nacional de controle da doença faz com que o problema se perpetue no nosso meio. Embora existam programas estaduais visando sobretudo a obrigatoriedade da vacinação de fêmeas jovens, as ações são extremamente tímidas diante do impacto econômico que a brucelose representa para a pecuária nacional.
A Brucella abortus infecta bovinos em todas as idades, sendo que as principais vias de transmissão são a ingestão e a penetração pela pele ou conjuntiva intactas. Fetos abortados, bezerros recem-nascidos de mães enfermas, pasto, água e alimentos contaminados são considerados os principais meios de disseminação. A sobrevivência da bactéria no solo pode ser relativamente longa, variando de acordo com as condições ambientais. A transmissao ocorre principalmente pela ingestao de brucelas presentes em fetos abortados, membranas e descargas uterinas. Infectando animais susceptíveis e em idade reprodutiva, a brucela se localiza no útero das fêmeas prenhes, matando o feto e causando o aborto. Outras formas da infecção ocorrem em machos , mas não constituem problemas significativos como os de ordem reprodutiva. Uma crença bastante difundida é sobre o papel do touro na disseminação da brucelose, que não tem valor significativo, constitutindo-se na prática num problema secundário. Portanto, a transmissão venérea da brucelose bovina é rara. No entanto, a inseminação artificial com sêmen contaminado pode eventualmente representar risco.
São duas as categorias de propriedades quanto ao status sanitário relacionado à doença: as positivas e as livres. Nos rebanhos endêmicos ou positivos as fêmeas gestantes, quando primariamente expostas à infecção, geralmente abortam. Nas gestações subsequentes os animais podem ter parto normal; mesmo assim podem eliminar brucelas pelas descargas uterinas. Isto faz com que o fazendeiro, após o impacto inicial da doença, não dê relevância ao problema, acreditando que esteja solucionado. Com o decorrer do tempo podem ocorrer abortos esporádicos ou eventualmente na forma de surtos. São frequentes nos rebanhos positivos a brucelose desencader esterilidade, infecções uterinas secundárias e retenção de placenta, alem da ocorrência de natimortos. Os animais infectados desenvolvem a formação de titulos séricos que podem ser detectados por exame sorológico. O fato é que pelo desconhecimento ou deconsideração dos produtores o problema vai se alastrando. A comercialização de fêmeas sem critérios sanitários, faz com que a doença vá se disseminando de propriedades endêmicas para propriedades livres.
Nas propriedades livres de brucelose a sua introdução ocorre geralmente pela compra de animais reagentes e à sua incorporação ao plantel sem exame sorológico prévio. Quando introduzida, a infecção se dissemina rapidamente em rebanho não vacinado. Geralmente os prejuizos econômicos são extremamente elevados neste periodo, com a ocorrência de abortos, na dependência do número de animais gestantes expostos. Não são raros surtos com até 60% de aborto devido a brucelose em vacada de corte.
Conviver com a brucelose significa baixa produtividade e baixo desempenho do rebanho. È impossivel iniciar qualquer programa reprodutivo num sistema de produção, sem primeiro solucionar o problema da brucelose. Conhecer o status sanitário da vacada, através do exame sorológico é o primeiro passo. Devem ser examinadas todas as fêmeas em idade reprodutiva. Nesta etapa deve-se colher amostras de sangue dos animais e encaminhá-las para o diagnóstico laboratorial. Os exames devem ser realizados por veterinários, que serão responsabilizados pela emissão dos resultados. Com base no diagnóstico deve-se optar por medidas efetivas para solucionar o problema.
Existem várias alernativas para o controle da brucelose. Em rebanhos livres deve-se ter o cuidado ao introduzir novos animais no rebanho. Exigir a comprovação do vendedor sobre o status sanitário para brucelose das fêmeas em idade reprodutiva, é importante e muitas vêzes faz parte das exigências oficiais. Em caso de dúvidas ou desconhecimento é importante examinar os animais, antes de incorporá-los ao plantel. De qualquer maneira, o exame sorológico periódico do rebanho traz seguranca adicional. A frequência com que os animais de rebanhos livres devem ser examinados varia de acordo com o programa sanitário e da orientação do veterinário.
Em rebanhos positivos o controle da doença exige cuidados especiais. Um fator que deve ser considerado é que a brucelose é também uma doença ocupacional, principamente de veterinários e pessoal de lida do gado. A proteção da saúde das pessoas que trabalham na propriedade deve ser observada pela adoção de medidas higiênicas. Em qualquer intervenção que se faça em problemas de parto distócico, retenção de placenta, recolhimento de fetos abortados e membranas fetais de abortos, deve-se utilizar luvas plásticas protetoras e demais cuidados. Deve-se examinar todo o rebanho e preferencialmente eliminar todos os animais positivos. Esta condição ideal muitas das vêzes não é o que acontece na realidade. De qualquer maneira, deve-se ter sempre em mente que o procedimento testa-elimina os positivos, é eficiente quando acompanhado de outras medidas especificas, como por exemplo a vacinação. Não se recomenda vacinar fêmeas adultas; principalmente pelo fato de que após a vacinação com a amostra B19 os animais serão considerados positivos. Não é possível ainda diferenciar laboratorialmente a reação desencadeada pela vacina com a da infecção natural. Com isto, os animais adultos vacinados serão sempre considerados positivos, o que comercialmente é indesejável.
A vacinacao e marcação das bezerras (V na face) na era de 3 a 6 meses é uma medida de valor fundamental em qualquer situação. A vacina protege somente contra a ocorrência de aborto. Sao aplicados 2 ml via subcutânea, com custo individual aproximado de R$0,35. Todos os cuidados devem ser tomados durante a sua aplicação, uma vez que trata-se de vacina viva que pode infectar acidentalmente as pessoas. Neste caso, procurar imediatamente um médico e relatar o ocorrido. A vacinação das bezerras tem como principal objetivo a diminuição de abortos na propriedade e é a base para um bom programa de erradicação da doenca. Nas regiões onde a vacinação de bezerras ainda não e obrigatória, deve-se adotar voluntariamente o procedimento. Os beneficios serão certamente reconhecidos pela diminuição do número de abortos causados pela doença.
Comentário Beefpoint: Critérios sanitários devem ser incorporados nas práticas comerciais. Com a mudança de condutas agrega-se procedimentos que garantem a saúde do rebanho e evita-se os prejuizos econômicos das enfermidades, como é o exemplo da brucelose. Um conceito ainda desconhecido do produtor de carne é o da certificação sanitária. Quando se pergunta a um produtor qual o status do seu rebanho em relação a determinados problemas sanitários, geralmente a resposta não corresponde à realidade. O conhecimento do status do rebanho com bases técnicas e procedimentos criteriosos, traz com segurança a redução de riscos e incertezas relacionados com questões sanitárias extremamente elementares. Comercializar intencionalmente animais positivos para brucelose deve ser uma conduta abolida no setor produtivo. A adoção da vacinação das bezerras na idade correta deve ser implementada , mesmo que eventualmente ainda nao faça parte dos programas oficiais. A tendência natural após a erradicação da aftosa é de que os programas governamentais passem a também priorizar o combate a outras enfermidades, incluindo a brucelose. Alguns estados ja adotaram programas específicos de combate à doença, o que representa um grande avanço nesta questão sanitária.
A ocorrência de abortos é um problema econômico e sanitário de grande relevância no gado de corte. Dentre os diversos agentes responsabilizados direta ou indiretamente com a ocorrência de abortos, a brucelose destaca-se como a principal causa infecciosa. No Brasil, a enfermidade é amplamente disseminada, sendo responsabilizada também pela infertilidade permanente ou temporária do gado. A inexistência de um programa nacional de controle da doença faz com que o problema se perpetue no nosso meio. Embora existam programas estaduais visando sobretudo a obrigatoriedade da vacinação de fêmeas jovens, as ações são extremamente tímidas diante do impacto econômico que a brucelose representa para a pecuária nacional.
A Brucella abortus infecta bovinos em todas as idades, sendo que as principais vias de transmissão são a ingestão e a penetração pela pele ou conjuntiva intactas. Fetos abortados, bezerros recem-nascidos de mães enfermas, pasto, água e alimentos contaminados são considerados os principais meios de disseminação. A sobrevivência da bactéria no solo pode ser relativamente longa, variando de acordo com as condições ambientais. A transmissao ocorre principalmente pela ingestao de brucelas presentes em fetos abortados, membranas e descargas uterinas. Infectando animais susceptíveis e em idade reprodutiva, a brucela se localiza no útero das fêmeas prenhes, matando o feto e causando o aborto. Outras formas da infecção ocorrem em machos , mas não constituem problemas significativos como os de ordem reprodutiva. Uma crença bastante difundida é sobre o papel do touro na disseminação da brucelose, que não tem valor significativo, constitutindo-se na prática num problema secundário. Portanto, a transmissão venérea da brucelose bovina é rara. No entanto, a inseminação artificial com sêmen contaminado pode eventualmente representar risco.
São duas as categorias de propriedades quanto ao status sanitário relacionado à doença: as positivas e as livres. Nos rebanhos endêmicos ou positivos as fêmeas gestantes, quando primariamente expostas à infecção, geralmente abortam. Nas gestações subsequentes os animais podem ter parto normal; mesmo assim podem eliminar brucelas pelas descargas uterinas. Isto faz com que o fazendeiro, após o impacto inicial da doença, não dê relevância ao problema, acreditando que esteja solucionado. Com o decorrer do tempo podem ocorrer abortos esporádicos ou eventualmente na forma de surtos. São frequentes nos rebanhos positivos a brucelose desencader esterilidade, infecções uterinas secundárias e retenção de placenta, alem da ocorrência de natimortos. Os animais infectados desenvolvem a formação de titulos séricos que podem ser detectados por exame sorológico. O fato é que pelo desconhecimento ou deconsideração dos produtores o problema vai se alastrando. A comercialização de fêmeas sem critérios sanitários, faz com que a doença vá se disseminando de propriedades endêmicas para propriedades livres.
Nas propriedades livres de brucelose a sua introdução ocorre geralmente pela compra de animais reagentes e à sua incorporação ao plantel sem exame sorológico prévio. Quando introduzida, a infecção se dissemina rapidamente em rebanho não vacinado. Geralmente os prejuizos econômicos são extremamente elevados neste periodo, com a ocorrência de abortos, na dependência do número de animais gestantes expostos. Não são raros surtos com até 60% de aborto devido a brucelose em vacada de corte.
Conviver com a brucelose significa baixa produtividade e baixo desempenho do rebanho. È impossivel iniciar qualquer programa reprodutivo num sistema de produção, sem primeiro solucionar o problema da brucelose. Conhecer o status sanitário da vacada, através do exame sorológico é o primeiro passo. Devem ser examinadas todas as fêmeas em idade reprodutiva. Nesta etapa deve-se colher amostras de sangue dos animais e encaminhá-las para o diagnóstico laboratorial. Os exames devem ser realizados por veterinários, que serão responsabilizados pela emissão dos resultados. Com base no diagnóstico deve-se optar por medidas efetivas para solucionar o problema.
Existem várias alernativas para o controle da brucelose. Em rebanhos livres deve-se ter o cuidado ao introduzir novos animais no rebanho. Exigir a comprovação do vendedor sobre o status sanitário para brucelose das fêmeas em idade reprodutiva, é importante e muitas vêzes faz parte das exigências oficiais. Em caso de dúvidas ou desconhecimento é importante examinar os animais, antes de incorporá-los ao plantel. De qualquer maneira, o exame sorológico periódico do rebanho traz seguranca adicional. A frequência com que os animais de rebanhos livres devem ser examinados varia de acordo com o programa sanitário e da orientação do veterinário.
Em rebanhos positivos o controle da doença exige cuidados especiais. Um fator que deve ser considerado é que a brucelose é também uma doença ocupacional, principamente de veterinários e pessoal de lida do gado. A proteção da saúde das pessoas que trabalham na propriedade deve ser observada pela adoção de medidas higiênicas. Em qualquer intervenção que se faça em problemas de parto distócico, retenção de placenta, recolhimento de fetos abortados e membranas fetais de abortos, deve-se utilizar luvas plásticas protetoras e demais cuidados. Deve-se examinar todo o rebanho e preferencialmente eliminar todos os animais positivos. Esta condição ideal muitas das vêzes não é o que acontece na realidade. De qualquer maneira, deve-se ter sempre em mente que o procedimento testa-elimina os positivos, é eficiente quando acompanhado de outras medidas especificas, como por exemplo a vacinação. Não se recomenda vacinar fêmeas adultas; principalmente pelo fato de que após a vacinação com a amostra B19 os animais serão considerados positivos. Não é possível ainda diferenciar laboratorialmente a reação desencadeada pela vacina com a da infecção natural. Com isto, os animais adultos vacinados serão sempre considerados positivos, o que comercialmente é indesejável.
A vacinacao e marcação das bezerras (V na face) na era de 3 a 6 meses é uma medida de valor fundamental em qualquer situação. A vacina protege somente contra a ocorrência de aborto. Sao aplicados 2 ml via subcutânea, com custo individual aproximado de R$0,35. Todos os cuidados devem ser tomados durante a sua aplicação, uma vez que trata-se de vacina viva que pode infectar acidentalmente as pessoas. Neste caso, procurar imediatamente um médico e relatar o ocorrido. A vacinação das bezerras tem como principal objetivo a diminuição de abortos na propriedade e é a base para um bom programa de erradicação da doenca. Nas regiões onde a vacinação de bezerras ainda não e obrigatória, deve-se adotar voluntariamente o procedimento. Os beneficios serão certamente reconhecidos pela diminuição do número de abortos causados pela doença.
Comentário Beefpoint: Critérios sanitários devem ser incorporados nas práticas comerciais. Com a mudança de condutas agrega-se procedimentos que garantem a saúde do rebanho e evita-se os prejuizos econômicos das enfermidades, como é o exemplo da brucelose. Um conceito ainda desconhecido do produtor de carne é o da certificação sanitária. Quando se pergunta a um produtor qual o status do seu rebanho em relação a determinados problemas sanitários, geralmente a resposta não corresponde à realidade. O conhecimento do status do rebanho com bases técnicas e procedimentos criteriosos, traz com segurança a redução de riscos e incertezas relacionados com questões sanitárias extremamente elementares. Comercializar intencionalmente animais positivos para brucelose deve ser uma conduta abolida no setor produtivo. A adoção da vacinação das bezerras na idade correta deve ser implementada , mesmo que eventualmente ainda nao faça parte dos programas oficiais. A tendência natural após a erradicação da aftosa é de que os programas governamentais passem a também priorizar o combate a outras enfermidades, incluindo a brucelose. Alguns estados ja adotaram programas específicos de combate à doença, o que representa um grande avanço nesta questão sanitária.

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