Nível de vácuo na teteira afeta a velocidade de ordenha

06:57 Unknown 0 Comentarios


A avaliação do nível de vácuo de um equipamento de ordenha pode ser efetuada em diferentes localizações. Essas medições seguem padrões estabelecidos pelo Conselho Nacional de Mastite dos EUA (NMC - National Mastitis Council) e pelas Normas ISO (International Organization for Standardization). No Brasil, os padrões legalmente usados sãos os baseados nas normas ISO 3918: 1996, cuja regulamentação foi definida pela Instrução Normativa Nº 48, 12/08/2002, do MAPA (http://extranet.agricultura.gov.br/sislegis-consulta/consultarLegislacao.do?operacao=visualizar&id=2458).

De maneira resumida, a medição do nível de vácuo no sistema de ordenha pode fornecer informações importantes sobre o sistema de produção (bomba de vácuo) e regulação (regulador) de vácuo. É consenso entre os especialistas que o local mais adequado para uma avaliação do efeito do nível de vácuo sobre a saúde da glândula mamária e eficácia de ordenha é no copo da teteira, quando o sistema está sob uma condição normal de uso.

A interpretação dos resultados da flutuação de vácuo no copo da teteira depende dos procedimentos realizados, sendo que a recomendação é que as avaliações sejam feitas no mínimo de 5 a 20 segundos, durante o pico de fluxo de extração de leite das vacas. É recomendável a avaliação de um mínimo de 10 vacas por rebanho, selecionadas aleatoriamente.

O vácuo médio na teteira, quando avaliado durante o pico de fluxo de leite, é um parâmetro para saber se as vacas são ordenhadas de forma gentil (sem agressões ao tecido mamário), rápida e completa. As recomendações de faixas de variação para esse parâmetro, de acordo com a Norma ISO, é de 32 kPa a 42 kPa, enquanto que o NMC recomenda faixa de variação de 35 a 42 kPa. É importante destacar que ambas as faixas descritas são apenas recomendações e não exigências rígidas e absolutas, uma vez que diversos fatores podem interferir nesses resultados, como: a velocidade de ordenha, a extração completa do leite, o tipo de teteira e o tipo de equipamento usado.

Pode-se perceber que as faixas de variação recomendadas para as normas ISO são ligeiramente menores que para os EUA. Entre as razões para esta diferença, temos a tendência de maior tamanho dos rebanhos e maior demanda por ordenhas rápidas nos rebanhos americanos. Deve-se levar em conta, contudo, que:

- Níveis de vácuo maiores aumentam a velocidade de ordenha, mas podem ser mais agressivos e resultar em ordenha incompleta.
- Níveis de vácuo menores proporcionam uma ordenha mais tranqüila (gentil) e completa, mas mais demorada.

É interessante notar que o vácuo na teteira é inversamente proporcional ao fluxo médio de leite, já que com o aumento do fluxo de leite ocorre redução do nível de vácuo na teteira. Quando a unidade de ordenha é colocada na vaca antes do início da ordenha ocorre grande aumento no nível de vácuo, e na medida em que o fluxo de leite aumenta esse vácuo sofre redução. Quando se aproxima do final da ordenha, momento no qual o fluxo de leite é reduzido, o nível de vácuo aumenta e tende a se aproximar do vácuo de trabalho do sistema.

Em um rebanho leiteiro, em razão da diversidade de velocidade de ordenha das vacas, o nível médio de vácuo na teteira deve ser ajustado visando atender um objetivo específico de cada rebanho em termos de velocidade de ordenha, sem prejudicar a saúde das vacas. Sendo assim, a recomendação dos especialistas é de que rebanhos que tem prioridade no aumento da velocidade de ordenha devem ajustar o sistema de ordenha de modo que o nível médio de vácuo da teteira fique acima do limite inferior (32 ou 35 kPa) para as vacas com ordenha mais rápida (com maiores taxas de fluxo de leite). Já os produtores com maior preocupação com a ordenha completa e gentil podem ajustar o sistema de ordenha para que o vácuo na teteira fique logo abaixo do limite superior (40 ou 42 kPa) para as vacas com ordenha mais lenta (menores fluxos de leite).

Fonte:

Claw vacuum is most direct measure of milking system's effect on the cow. Udder Toppics (NMC), v.31, n.5, p.2, 2008.
Douglas J. Reinemann, Norman Schuring, and Robert D. Bade. Methods for Measuring and Interpreting Milking Vacuum, ASABE International Dairy Housing Conference, Minneapolis, Minnesota, USA, (2007).

0 comentários:

Postagem mais recente Página inicial Postagem mais antiga