Gerenciamento - Venda de animais e lucratividade
Um comentário cada vez mais ouvido no meio agropecuário é: "Na pecuária leiteira, o produto leite apenas cobre os custos de produção, enquanto a venda de animais gera o lucro."
É simples compreender o por quê disso tudo, considerando que a receita proveniente do comércio do leite é constante (a cada 15 ou 30 dias), o produtor acaba contando com esse capital para cobrir suas despesas diárias, enquanto o apurado esporadicamente com a venda de animais é lançado à parte, entrando livre de ônus no sistema, ficando, dessa forma, como o "lucro" com a atividade.
Apesar de, no final das contas, essa forma de avaliação econômica chegar ao mesmo resultado em termos de lucratividade do sistema de produção, ela peca por não identificar com clareza os responsáveis pelos custos e, conseqüentemente, quem dá origem realmente ao lucro ou a melhor relação benefício/custo.
Por ser um tema que gera muita discussão, mesmo entre técnicos que atuam no setor, é preciso que fique muito claro que, quando vamos abordar o real custo da produção de leite, é fundamental quantificar os gastos referentes apenas a essa atividade. Uma boa forma de avaliar esse tema é adotar a prática de setorização dentro da fazenda (matéria de 27.06.2001), separando os custos referentes à produção de leite, daqueles inerentes à criação de animais de reposição (tourinhos e novilhas). Identificando a proporção de cada área, é possível determinar com clareza qual o lucro real apurado, tanto com o leite como com a venda de animais.
Sabemos que por vezes já é complicado promover a anotação de todos os custos, quanto mais destrinchá-los em setores. Mas, para compreender o fluxo de caixa e identificar problemas no sistema, é preciso algum refinamento na escrituração contábil da fazenda; separar custos é o primeiro passo nesse sentido.
O cálculo pode complicar um pouco naquelas situações onde ao bezerro é ofertada uma quantidade de leite desconhecida, quando se deixa que ele mame um resíduo no úbere da vaca após cada ordenha. Nesses casos, embora difícil, é preciso quantificar o leite consumido (que deixou de ser tirado) e incluí-lo no custo de produção do bezerro.
Outro caso interessante é aquele onde, após a desmama, o bezerro é solto em invernada e, após 2 ou 3 anos, resgatado para comércio como boi gordo ou integrado ao rebanho como novilha primípara. É comum o pecuarista dizer que este animal não representou nenhum custo, que foi solto no pasto e não gerou despesa. Ficam as perguntas: Quem pagou o sal mineral, vermífugos, vacinas e demais insumos dados a esses animais? Quem custeou a mão-de-obra utilizada em seu manejo, mesmo que em poucas horas por dia ou por semana?
Não se surpreenda se os custos de produção de animais de reposição forem altos, principalmente se o seu sistema de criação adota animais de melhor potencial genético e raças em que os machos são criados para comércio como reprodutores. Nesses casos, essa parcela pode chegar a valores da ordem de 45% do total dos gastos.
Segundo dados do CEPEA/FEALQ/USP e da EMBRAPA, o custo médio de produção de uma novilha, do nascimento até o primeiro parto, está por volta de R$ 675,00 a R$ 1.000,00, enquanto que a criação de tourinhos do nascimento até a puberdade, ao redor de R$ 450,00 por cabeça. Considerando que estes animais são vendidos nessa ocasião, o lucro real de sua comercialização advém do resultado apurado na venda menos esse custo, o que nem sempre implica numa boa lucratividade. Esse levantamento de custo é importante inclusive para ajudar o produtor a determinar qual o momento ideal para vender os animais em crescimento, ou até mesmo se realmente compensa sua criação na fazenda.
Descontados os custos da criação dos animais jovens, é possível chegar ao real valor do custo de produção de cada litro de leite, permitindo verificar qual a rentabilidade real gerada pela atividade. Feito isso, muitos de vocês vão observar que a produção de leite também pode ser um bom investimento financeiro, mesmo com todas as dificuldades encontradas e com o baixo preço pago ao produtor.
Já passa da hora de começar a "dar nome aos bois", verificando a realidade econômica da produção de leite, desmistificando o chavão: "É a venda de animais que gera o lucro da atividade".
É simples compreender o por quê disso tudo, considerando que a receita proveniente do comércio do leite é constante (a cada 15 ou 30 dias), o produtor acaba contando com esse capital para cobrir suas despesas diárias, enquanto o apurado esporadicamente com a venda de animais é lançado à parte, entrando livre de ônus no sistema, ficando, dessa forma, como o "lucro" com a atividade.
Apesar de, no final das contas, essa forma de avaliação econômica chegar ao mesmo resultado em termos de lucratividade do sistema de produção, ela peca por não identificar com clareza os responsáveis pelos custos e, conseqüentemente, quem dá origem realmente ao lucro ou a melhor relação benefício/custo.
Por ser um tema que gera muita discussão, mesmo entre técnicos que atuam no setor, é preciso que fique muito claro que, quando vamos abordar o real custo da produção de leite, é fundamental quantificar os gastos referentes apenas a essa atividade. Uma boa forma de avaliar esse tema é adotar a prática de setorização dentro da fazenda (matéria de 27.06.2001), separando os custos referentes à produção de leite, daqueles inerentes à criação de animais de reposição (tourinhos e novilhas). Identificando a proporção de cada área, é possível determinar com clareza qual o lucro real apurado, tanto com o leite como com a venda de animais.
Sabemos que por vezes já é complicado promover a anotação de todos os custos, quanto mais destrinchá-los em setores. Mas, para compreender o fluxo de caixa e identificar problemas no sistema, é preciso algum refinamento na escrituração contábil da fazenda; separar custos é o primeiro passo nesse sentido.
O cálculo pode complicar um pouco naquelas situações onde ao bezerro é ofertada uma quantidade de leite desconhecida, quando se deixa que ele mame um resíduo no úbere da vaca após cada ordenha. Nesses casos, embora difícil, é preciso quantificar o leite consumido (que deixou de ser tirado) e incluí-lo no custo de produção do bezerro.
Outro caso interessante é aquele onde, após a desmama, o bezerro é solto em invernada e, após 2 ou 3 anos, resgatado para comércio como boi gordo ou integrado ao rebanho como novilha primípara. É comum o pecuarista dizer que este animal não representou nenhum custo, que foi solto no pasto e não gerou despesa. Ficam as perguntas: Quem pagou o sal mineral, vermífugos, vacinas e demais insumos dados a esses animais? Quem custeou a mão-de-obra utilizada em seu manejo, mesmo que em poucas horas por dia ou por semana?
Não se surpreenda se os custos de produção de animais de reposição forem altos, principalmente se o seu sistema de criação adota animais de melhor potencial genético e raças em que os machos são criados para comércio como reprodutores. Nesses casos, essa parcela pode chegar a valores da ordem de 45% do total dos gastos.
Segundo dados do CEPEA/FEALQ/USP e da EMBRAPA, o custo médio de produção de uma novilha, do nascimento até o primeiro parto, está por volta de R$ 675,00 a R$ 1.000,00, enquanto que a criação de tourinhos do nascimento até a puberdade, ao redor de R$ 450,00 por cabeça. Considerando que estes animais são vendidos nessa ocasião, o lucro real de sua comercialização advém do resultado apurado na venda menos esse custo, o que nem sempre implica numa boa lucratividade. Esse levantamento de custo é importante inclusive para ajudar o produtor a determinar qual o momento ideal para vender os animais em crescimento, ou até mesmo se realmente compensa sua criação na fazenda.
Descontados os custos da criação dos animais jovens, é possível chegar ao real valor do custo de produção de cada litro de leite, permitindo verificar qual a rentabilidade real gerada pela atividade. Feito isso, muitos de vocês vão observar que a produção de leite também pode ser um bom investimento financeiro, mesmo com todas as dificuldades encontradas e com o baixo preço pago ao produtor.
Já passa da hora de começar a "dar nome aos bois", verificando a realidade econômica da produção de leite, desmistificando o chavão: "É a venda de animais que gera o lucro da atividade".

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