A bovinocultura de corte brasileira na linha de tiro

07:04 Unknown 0 Comentarios


A pecuária brasileira vive a ação de múltiplas frentes incógnitas dispostas a fomentar a desestruturação da produção. Seja desmotivando o consumo da carne bovina e/ou embargando os frigoríficos e os comerciantes, porém sempre com a alegação generalizada de enfoque ambiental.

A produção deve seguir os "Domínios Ecológicos Brasileiros" e não basear-se nos "Biomas do Brasil", para que não ocorram surpresas onde quer que a bovinocultura se estabeleça de maneira legal, sem sofrer contestações de qualquer espécie, o que vem desqualificando a carne tanto para o consumo interno quanto prejudicando a exportação, como está acontecendo no momento.

Os biomas impostos se estendem erroneamente (como exemplo o da Mata Atlântica) e devem ser corrigidos, no tocante aos ecossistemas rurais tecnologicamente implantados. A pecuária bovina paranaense, em sua preponderância, está estabelecida no domínio ecológico de Florestas e Campos Meridionais, circunscritos por situações de campos naturais, mata de araucária, solo roxo, vermelho, amarelo, litólico, terra roxa estruturada e outros. Todos com capacidade produtiva apropriada ao desenvolvimento da agropecuária, e não naquele bioma Atlântico que abrange o Litoral até a Serra do Mar.

O mesmo deve estar acontecendo na chamada Amazônia Legal, ao serem esquecidos os milhões de hectares de campos e cerrados, no mal traçado "Biomas do Brasil".

São mostradas estatísticas que não separam os animais exclusivos para a produção de leite dos animais de corte, como se todos tivessem igual aptidão, tornando a população bovina para carne, embora portentosa, maior do que realmente é. A simples separação do gado de corte na estatística oficial modificará substancialmente o índice de desfrute para o sistema preponderante de produção de carne com qualidade natural a pasto.

No passado foi preciso haver as "filas da carne", para que a pecuária florescesse. Após os retrocessos havidos no passado, a pecuária teme que o mesmo ocorra no presente.

A desobediência civil não se constitui na única arma dos produtores rurais, mas também é arma a adoção de uma política de flexibilidade produtiva, cadenciando a oferta de bois em função de demanda e do retorno econômico.

Os preços anômalos, em plena entressafra, traduzem os óbices impostos por muitos - orquestrados por não sei quem - sem reconhecer a pujança tecnológica da bovinocultura de corte, impondo defeitos de toda ordem. Deixa transparecer que, em algum momento, a carne bovina apresentou problema de segurança alimentar, mesmo sabendo da qualidade superior dessa proteína em qualquer rincão brasileiro.

No preço final da carne descobriu-se que o maior vilão, pela ordem, é a alta tributação e a ponta final da comercialização.

Como o couro e outros subprodutos que davam sustentação aos abatedouros estão em crise, urgiu-se em socorrê-los para que não ocorresse o desabastecimento imposto pela quebra geral do comprador do boi pronto.

A intenção é manter o sistema produtivo combalido, sem forças para reagir, esperando que muitos desistam do negocio e desocupem o espaço, daí transcendem os aumentos das exigências nos índices de produtividade - mas ignoram que a intensificação produtiva usa de recursos não renováveis como o fósforo.

Com a diminuição tributária, a indústria sobrevive e lucra, descontando na compra do boi o valor correspondente ao couro o que se constitui em fator determinante para que o boi gordo não suba em plena entressafra.

O pecuarista, ao vender os animais no segundo quadrimestre de 2009, não recebe duas vezes pelo couro, sebo e outros subprodutos, já que houve contenção deliberada pela "colocação da botina", achatando o preço da carne no varejo, com prejuízo ao pecuarista e reflexos negativos na oferta futura.

Diante disso, o prudente é não aumentar a oferta de bois para abate - em especial de gado confinado - para que possa haver alinhamento econômico evitando, sobretudo, que ocorra a falta do produto e o retorno das filas para compra de carne do passado.

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