O mistério do excesso de oferta de leite do segundo semestre de 2008
Em artigo publicado em 12/05/2009, no Espaço Aberto do MilkPoint - Podemos evitar os "trancos e barrancos" no setor leiteiro nacional? - comentávamos uma situação estranha: até o final de 2008 se falava numa grande oferta de leite por parte dos produtores e grandes estoques de leite em pó, para justificar substancial redução no preço pago ao produtor (caiu de R$ 0,76/litro em junho para R$ 0,58 em dezembro). Ora, se essa situação era verdadeira, é de se estranhar esse grande volume de importações de leite em pó da Argentina e os preços ao produtor continuarem baixos até março de 2009 (da ordem de R$ 0,60/litro). Se não era verdadeira essa situação, teria sido um blefe para justificar a redução de preços ao produtor.
Isso nos levou a fazer neste artigo a pergunta: está havendo abuso de poder econômico nos elos mais fortes da cadeia produtiva, prejudicando não só a pecuária de leite, mas a geração de empregos e renda no país?
A menos que a lei da oferta e procura tenha sido revogada, o excesso de oferta tenha sido revogado, no segundo semestre de 2008, junto com a redução do preço ao produtor, deveria ter havido aumento da captação.
Na matéria "IBGE: volume captado no 1º trimestre fica estável comparado a 2008", publicado no Giro Lácteo do MilkPoint, são apresentados dados de captação de leite cru que levam aos seguintes totais para o Brasil:
1º trimestre de 2008 - 4.984.108 mil litros
4º trimestre de 2008 - 4.928.953 mil litros
1º trimestre de 2009 - 4.954.181 mil litros
A captação do último trimestre de 2008 foi 1,11% menor do que o primeiro trimestre de 2008, mostrando e justificando o título da matéria: em 2008 o volume captado foi estável!
Esses dados parecem indicar que o ocorrido no segundo semestre de 2008 foi o excesso de oferta "Conceição": se existiu, ninguém sabe, ninguém viu!
Alguém pode argumentar que a captação ao longo de todo 2008 esteve num volume muito acima do consumo que teria caído, talvez em decorrência da crise, caracterizando excesso de oferta com relação ao nível de consumo.
Mas como explicar que no primeiro trimestre de 2009 a captação ficou da média de 2008 e ainda ocorreu um incremento assustador nas importações de leite em pó, que se mantidas ao longo do ano poderiam levar as importações de leite do País superar o equivalente a 500 milhões de litros?
Isso nos leva de volta a pergunta que não quer calar: está havendo abuso de poder econômico nos elos mais fortes da cadeia produtiva, prejudicando não só a pecuária de leite, mas a geração de empregos e renda no país?
Para esclarecer esse mistério e responder essa pergunta, o MAPA poderia contratar um Sherlock Holmes.
Mas isso, que poderia esclarecer o passado, não evitaria novos mistérios e novas perguntas sem resposta no futuro.
Mas acreditamos que o melhor seria o MAPA criar um grupo permanente, dedicado e ágil, com representantes dos produtores, da indústria e do comércio, com coordenação e mediação do Governo, para cuidar da política e do planejamento do setor leiteiro, onde, entre outras, questões relacionadas à oferta e procura, e a correlação entre os preços ao consumidor e ao produtor, sejam debatidas e estabelecidas diretrizes para equilíbrio entre oferta e procura, justa correlação de preços ao consumidor e ao produtor e para assegurar a sustentabilidade econômica de todos os elos da cadeia produtiva.
Entendemos que essa proposta, que a Associação dos Produtores de Leite do Estado de São Paulo - Leite São Paulo - defende desde a criação da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados, é o melhor caminho para a transparência na cadeia produtiva e evitar no futuro mistérios e perguntas sem resposta como essa de ter havido abuso de poder econômico em algum elo da cadeia produtiva.
Isso nos levou a fazer neste artigo a pergunta: está havendo abuso de poder econômico nos elos mais fortes da cadeia produtiva, prejudicando não só a pecuária de leite, mas a geração de empregos e renda no país?
A menos que a lei da oferta e procura tenha sido revogada, o excesso de oferta tenha sido revogado, no segundo semestre de 2008, junto com a redução do preço ao produtor, deveria ter havido aumento da captação.
Na matéria "IBGE: volume captado no 1º trimestre fica estável comparado a 2008", publicado no Giro Lácteo do MilkPoint, são apresentados dados de captação de leite cru que levam aos seguintes totais para o Brasil:
1º trimestre de 2008 - 4.984.108 mil litros
4º trimestre de 2008 - 4.928.953 mil litros
1º trimestre de 2009 - 4.954.181 mil litros
A captação do último trimestre de 2008 foi 1,11% menor do que o primeiro trimestre de 2008, mostrando e justificando o título da matéria: em 2008 o volume captado foi estável!
Esses dados parecem indicar que o ocorrido no segundo semestre de 2008 foi o excesso de oferta "Conceição": se existiu, ninguém sabe, ninguém viu!
Alguém pode argumentar que a captação ao longo de todo 2008 esteve num volume muito acima do consumo que teria caído, talvez em decorrência da crise, caracterizando excesso de oferta com relação ao nível de consumo.
Mas como explicar que no primeiro trimestre de 2009 a captação ficou da média de 2008 e ainda ocorreu um incremento assustador nas importações de leite em pó, que se mantidas ao longo do ano poderiam levar as importações de leite do País superar o equivalente a 500 milhões de litros?
Isso nos leva de volta a pergunta que não quer calar: está havendo abuso de poder econômico nos elos mais fortes da cadeia produtiva, prejudicando não só a pecuária de leite, mas a geração de empregos e renda no país?
Para esclarecer esse mistério e responder essa pergunta, o MAPA poderia contratar um Sherlock Holmes.
Mas isso, que poderia esclarecer o passado, não evitaria novos mistérios e novas perguntas sem resposta no futuro.
Mas acreditamos que o melhor seria o MAPA criar um grupo permanente, dedicado e ágil, com representantes dos produtores, da indústria e do comércio, com coordenação e mediação do Governo, para cuidar da política e do planejamento do setor leiteiro, onde, entre outras, questões relacionadas à oferta e procura, e a correlação entre os preços ao consumidor e ao produtor, sejam debatidas e estabelecidas diretrizes para equilíbrio entre oferta e procura, justa correlação de preços ao consumidor e ao produtor e para assegurar a sustentabilidade econômica de todos os elos da cadeia produtiva.
Entendemos que essa proposta, que a Associação dos Produtores de Leite do Estado de São Paulo - Leite São Paulo - defende desde a criação da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados, é o melhor caminho para a transparência na cadeia produtiva e evitar no futuro mistérios e perguntas sem resposta como essa de ter havido abuso de poder econômico em algum elo da cadeia produtiva.

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