Credores aceitam plano de recuperação do Independência
A assembleia geral dos credores das empresas Independência S.A. e Nova Carne Indústria de Alimentos Ltda começou às 10 horas no Centro de Convenções do Hotel Transamérica, em São Paulo/SP, depois de 12 horas de discussões, cálculos e propostas rejeitadas, credores do frigorífico Independência fecharam acordo.
Segundo a Famasul (Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul) exatamente às 21h48 da noite desta quinta-feira terminou a última reunião entre credores do frigorífico e representantes do Grupo Independência.
O plano inicial, apresentado na primeira reunião em Cajamar (SP) no fim de setembro, foi totalmente alterado e os credores fizeram novas sugestões de mudanças, que ainda precisariam ser apreciadas pela assembleia. A pressa do Independência era grande, já que na segunda-feira termina o prazo de 180 dias para aprovação do plano. Se isso o acordo não saisse a empresa ficaria sujeita a pedidos de falência.
Os pecuaristas decidiram que vão aceitar a proposta apresentada pelo frigorífico de pagamento à vista de R$ 100 mil e os com crédito superior, receberiam R$ 100 mil de entrada e saldo dividido em 36 parcelas sendo que na 24ª parcela a divida seria quitada, corrigidas pela taxa Selic.
"Esse não é o melhor resultado, mas é a melhor alternativa. Nós evoluímos muitos desde o inicio dessa negociação. O pecuarista mostrou união, profissionalismo e maturidade nas negociações. Com essa situação definida abre uma chance do produtor levar a vida em frente. A lição que todos tivemos neste processo, foi de que vale a pena nos mobilizar e acreditar que juntos somos mais fortes", disse o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari.
Outro ponto conquistado pelos credores foi a garantia de que os sócios das empresas seriam responsabilizados no processo, "o que representa mais uma garantia para os credores", disse o assessor jurídico da Acrimat, Armando Biancardini Candia. Ele ressaltou que ficou definida que a data do pagamento dos R$ 100 mil será até 31 de janeiro 2010, podendo ser antecipado ou retardado até 31 de março de 2010.
"Se os pecuaristas não aceitassem a proposta a falência da empresa seria decretada na hora e essa foi a melhor saída para os pecuaristas e para a empresa voltarem a ter uma relação comercial", acrescentou. "Essa proposta vai quitar a dívida de mais de 75% dos pecuaristas", disse o produtor Marcos da Rosa, presidente da Comissão dos Credores de Mato Grosso, que também considera que esse resultado "foi o melhor diante da situação".
Os credores do frigorífico Independência estão em cinco estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Minas Gerais e Goiás. Ao todo são 1.524 pecuaristas e uma conta a receber na ordem de R$194 milhões.
Segundo o jornal Valor Econômico, a venda do controle tornou-se o foco do Independência, que nega negociações em curso para esse fim. Recentemente, houve rumores de que o frigorífico estaria negociando com JBS, Marfrig e Brasil Foods. Além de tentar vender o controle, o Independência definiu que venderá parte dos ativos, num total de R$ 110 milhões, para pagar dívidas com fornecedores e voltar a operar. Para isso, precisa de R$ 260 milhões. Por isso, também deverá obter novos financiamentos, conforme o plano. Os ativos do Independência são estimados hoje em R$ 1,1 bilhão.
As informações são da Acrimat, Valor Econômico e Campo Grande News, resumidas e adaptadas pela Equipe BeefPoint.

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