Girolando - Formação da raça visou produção e padrão do gado
Produto do cruzamento do Holandês com o Gir, passando por vários graus de sangue, a formação da Raça Girolando visa a fixação de um gado produtivo e padronizado.
A utilização de heterose – choque de sangue, ou estado em que a primeira geração dum híbrido é mais forte que qualquer das raças paternas — é a mais útil e extensiva aplicação da moderna genética. Processo de resposta rápida, sendo ainda o método que pode utilizar mais intensamente as qualidades existentes nas raças puras. Geralmente, o nível de resposta do vigor híbrido é maior para os caracteres de baixa herdabilidade, e que por sua vez possuem maior valor econômico. Modernamente, não se cogita de fazer comparações entre raças com espírito competitivo, mas trabalhar de maneira a buscar as qualidades que cada uma possa oferecer, em diferentes ambientes, para que se complementem com mais eficácia econômica.
A raça, fundamentalmente produto do cruzamento do Holandês com o Gir, passando por variados graus de sangue, direciona-se visando a fixação do padrão racial, no grau de 5/8 Hol + 3/8 Gir, objetivando um gado produtivo e padronizado. Conforme relatório da ASBIA, a comercialização de sêmen de touros Girolando em 2006 foi de 109.828 mil doses, tendo um incremento nas vendas no período de 2002 a 2006 de 124,33%, comprovando-se, assim, o grande potencial da raça, que apesar do seu pouco tempo de seleção, já disponibiliza ao mercado, sêmen de oito touros provados.
O Reprodutor (5/8 Hol + 3/8 Gir) é o responsável direto pela consolidação do Programa Girolando, por isso, a Associação Brasileira de Criadores de Girolando está investindo muito no Teste de Progênie. É ele que vai ser utilizado para fixar a raça no 5/8 bimestiço (Puro Sintético) por meio do acasalamento com as matrizes 5/8, resultando em um produto bastante equilibrado, com boa rusticidade e satisfatória produção leiteira, favorecendo a redução dos custos de produção.
Opções de acasalamento
Uma das grandes vantagens do touro 5/8, é a sua versatilidade em termos de acasalamento. As principais opções são:
1º) Touro 5/8 em vaca 5/8 = 5/8 Bi (Girolando – raça em formação).
2º) Touro 5/8 em vaca ¾ = 11/16 Aproximadamente 5/8, ou seja, as fêmeas nascidas deste acasalamento serão controladas como 5/8 por aproximação e os machos como 11/16.
3º) Touro 5/8 em vaca 7/8 = ¾ Hol + ¼ Gir: Uma alternativa para manter o grau de sangue do rebanho em até 75% de holandês.
4º) Touro 5/8 em vaca ½ sangue = 9/16 Aproximadamente 5/8, como no caso do 11/16, as fêmeas nascidas deste acasalamento serão controladas como 5/8 e os machos como 9/16.
Lembrete importante: em matrizes 5/8 Hol. somente é permitido, para efeito de Registro Genealógico, a utilização de touro 5/8. Se o criador usar qualquer outro touro que não seja o 5/8, o produto nascido perderá o Registro de Nascimento.
Brinco de identificação - A marcação a fogo na perna do animal foi abolida do Sistema de Identificação oficial do Girolando. Além de ser uma técnica que causa um grande stress ao gado leiteiro, a visualização das marcas não correspondia com eficiência, devido ser a maioria desses animais, de pelagem negra e de pelos mais compridos e densos.
Com a brincagem de identificação, vem gravado o nome GIROLANDO e a marca símbolo do Programa, o grau de sangue do animal e a numeração específica do registro (letras e quatro dígitos numéricos). O brinco é duplo, ou seja, composto por duas partes idênticas (macho e fêmea), ficando uma parte na frente, e a outra, na face posterior da orelha do animal.
Depois de aplicado, o brinco é intransferível, e, se violado o sistema, o brinco não pode ser reaplicado. Para o Controle de Genealogia Definitivo, a aplicação do brinco é efetuada na orelha direita, e para o Controle de Genealogia de Nascimento utiliza-se a orelha esquerda, e a marcação a fogo do “G Baldinho“ (marca símbolo do programa), na face direita da cara do animal.
Histórico Detalhado dos Cruzamentos
Para fixação de uma nova raça, é necessário o acasalamento entre touros e vacas mestiças, geralmente de um mesmo grau de sangue, como, por exemplo, o bimestiço Girolando, que é o 5/8 HZ. A partir do F1, pode-se obter o girolando ou 5/8 H + 3/8 Gir, como demonstrado nos e II, fixando o grau de sangue da nova raça.
O diagrama I ilustra a estratégia de cruzamento mais comum utilizada para obtenção do gado Girolando. Touros P.O. da raça Holandesa, de preferência provados para leite, são cruzados com vacas Gir, obtendo-se o F1. As fêmeas F1 são cruzadas com touro Gir, também provado, obtendo-se o ¼ H + ¾ G. As fêmeas ¼ H + ¾ G são então cruzadas com touro Holandês P.O. obtendo-se animais 5/8 H + 3/8 G que, acasalados entre si, formam o bimestiço que se pretende fixar como raça pura, adaptada aos trópicos. Para implementar este esquema, estão disponíveis no mercado touros Holandês P.O e Gir leiteiro P.O. provados (pelo teste de progênie) para produção de leite.
Outra opção para obter animais bimestiços é cruzar touro Holandês P.O. com vacas Gir, obtendo-se o F1. As fêmeas F1 são cruzadas com touro Holandês P.O. obtendo-se as ¾ H + ¼ Gir. As fêmeas ¾ H + ¼ G são, então, cruzadas com touros ½ HG (F1), ou o inverso, fêmeas ½ HZ cruzados com touro ¾ HZ, obtendo-se o 5/8 H + 3/8 G. O problema neste esquema é que não se dispõe de touros meio-sangue, e nem touros ¾ HZ, provados para leite. Neste caso, o melhor é escolher o touro pelo "pedigree" e pela produção da mãe.
A Associação Girolando aceita o uso de touros 5/8 H + 3/8 G para cruzar com vacas ¾ H + ¼ G, visando formar um grupamento de animais próximo ao grau de sangue desejado de 5/8 H + 3/8 G, (4,5 de H + 3,5/8 de G), conforme demonstrado no diagrama II
Estratégia de Cruzamento - Após atingir o grau de sangue desejado de 5/8 H + 3/8 G, o rebanho deve ser estabilizado, utilizando-se touros 5/8 H + 3/8 G, mantendo-se assim o bimestiço Girolando. Esse é o exemplo clássico de estabilização de raças bimestiças em todo o mundo. Isso será acelerado após dispor de touros 5/8 H + 3/8 G provados para leite. Com o processo de seleção, a raça poderá aumentar sua média de produção de leite.
O tempo requerido para estabilizar a raça Girolando em 5/8 H + 3/8 G é considerável, no mínimo de 10 a 15 anos. Para acelerar este processo, o produtor poderá adquirir fêmeas ¾ H + 1/4 G e cruzá-las com touro ½ HG, ou fêmeas ½ HG cruzadas com touro ¾ HG. Fêmeas ¼ H + ¾ G têm pouca disponibilidade no mercado, mas cruzadas com touro Holandês P.O. vai dar o 5/8 H + 3/8 G, como no diagrama I.
Atualmente, a Associação Girolando, em convênio com a Embrapa Gado de Leite, tendo como parceiros diversas instituições nacionais, executa um programa de teste de progênie de touros, nos graus de sangue ¾H G e 5/8 H G.
Utilização de vacas ½ sangue Holandês-Zebu ou uso do F1
Um rebanho leiteiro de animais F1 explora ao máximo a Heterose ou vigor híbrido entre as raças Holandesa e Zebu. São animais rústicos, com boa resistência a carrapatos (Tabela 2) e ao calor, bom porte, boa produção leiteira, bem valorizada no mercado. Os machos F1 são bons para corte. O produtor de leite pode optar por comprar fêmeas F1 no mercado ou dispor de um rebanho de vacas Zebu para fazer o F1 para reposição anual de 20% a 25% do seu rebanho. Em pesquisa realizada pela Embrapa Gado de Leite, os animais ½ HZ (ou F1) apresentaram desempenho superior aos de outros cruzamentos, nas condições predominantes de manejo na região, conforme se nota na Tabela 1, sendo, portanto, uma alternativa recomendável para as mesmas.
Dispondo-se de animais F1, vários esquemas de cruzamentos são possíveis:
Cruzamento com Holandês e venda de fêmeas ¾ HZ
As fêmeas F1 são cruzadas com touro Holandês P.O. obtendo-se o ¾ H + 1/4 Z. As fêmeas ¾ HZ são boas produtoras de leite, porém são mais exigentes em trato do que as F1 e são mais sensíveis a carrapatos e ao calor. Produtores que não desejam manter as fêmeas ¾ HZ no rebanho leiteiro poderão recriá-las e cruzá-las (ou inseminar) em julho e agosto, de modo a parirem em abril e maio do ano seguinte, quando serão vendidas a bom preço, já que são animais muito valorizados no mercado brasileiro. O rebanho leiteiro seria formado apenas por vacas F1, fazendo-se a reposição anual sempre com fêmeas F1.
Cruzamento terminal
As fêmeas F1 são cruzadas com touros de raças de corte, como Nelore, Canchim, Tabapuã, Guzerá, etc., destinando-se para abate todas as crias, machos e fêmeas. Neste caso, o produtor obtém uma boa renda com a venda de animais para corte, mas deverá adqüirir as fêmeas F1 ou ter um rebanho de vacas Zebu (Gir ou Guzerá) para produzir as fêmeas F1 na própria fazenda. No caso de se utilizar touro Guzerá, de preferência provado para leite, poderá vender as novilhas ¾ HZ para produtores de leite, obtendo melhor renda do que vendê-las para abate.
Este é o esquema conhecido como "vaca de leite, bezerro de corte". Uma vaca F1 de boa genética, mantida em pasto de boa qualidade e mais o uso de 1 a 2 kg de concentrado/vaca/dia, pode produzir uma média de oito litros de leite por dia, em lactação de 300 dias. Neste caso, têm-se 2.400 litros de leite para venda, o que rende cerca de R$ 720,00/ano (2.400 litros x R$ 0,30). Se considerar o bezerro criado ao pé da vaca, pode-se ter uma renda de R$ 1.000.00 por vaca/ano. Nenhuma vaca de corte rende tanto, exceto as de genética de ponta.
Rebanho F1 e ¾ HZ
Neste caso, o produtor também poderá optar por cruzar as fêmeas F1 com um touro Holandês, obtendo as ¾ HZ e aproveitando os machos ¾ HZ para corte, fazendo a cria e recria dependendo da disponibilidade de pastagem, ou vendendo os bezerros no mercado local. As fêmeas ¾ HZ poderão ser cruzadas com touros de raças de corte, (Nelore, Canchim, Tabapuã, Guzerá, etc.) e destinando para abate tanto os machos como as fêmeas, repetindo o bordão "vaca de leite, bezerro de corte". Neste caso o rebanho leiteiro é formado por vacas F1 e ¾ HZ. De vez em quando, o produtor deverá adquirir fêmeas F1 para repor até 30% das F1, selecionando no próprio rebanho as fêmeas para repor as ¾ HZ.
Uso de vacas ¾ HZ
As vacas ¾ HZ são boas produtoras de leite e não têm tanto problema de carrapatos como as mais holandesadas. Assim, muitos produtores preferem produzir leite só com rebanho de vacas ¾ HZ. As fêmeas ¾ HZ podem ser cruzadas com touros de raças de corte, como Nelore, Canchim, Tabapuã, Guzerá, etc., destinando-se para abate todas as crias, machos e fêmeas. Neste caso, o produtor obtém uma boa renda com a venda de animais para corte, mas deverá adqüirir as fêmeas ¾ HZ no mercado regional. No caso de se utilizar touro Guzerá, poderá vender as novilhas (filhas das vacas ¾ HZ) para produtores de leite, obtendo melhor renda do que vendê-las para abate. Este esquema retorna ao conhecido "vaca de leite, bezerro de corte".
Cruzamento triplo ou "tricross"
Consiste na utilização de uma segunda raça européia, geralmente a Pardo-Suíça, a Jersey ou Simental, nos cruzamentos com animais Holandês X Zebu, obtendo-se animais denominados "tricross", mantendo-se um bom nível de heterose.
Embora não se disponha de muitos resultados de pesquisa no Brasil, é tecnicamente recomendável que as fêmeas HZ sejam cruzadas com touro Jersey, para obtenção do tricross, mantendo-se o vigor híbrido. Se as fêmeas são F1, as crias serão 50% Jersey, 25% Zebu (Gir ou Guzerá ) e 25% Holandês, com os machos de baixo valor como animais de corte.
As fêmeas são muito valorizadas porque o Jersey transmite precocidade, alta fertilidade, docilidade, longevidade, além de as fêmeas serem menores, possibilitando criar maior número de animais por hectare. Também, a Jersey corrige muitos problemas de teto e úbere, além de as vacas "tricross" produzirem leite com maior teor de sólidos totais, que é muito importante para quem faz queijos.
Tabela 1. Características de primeira lactação, em animais de seis graus de sangue H-Z, em fazendas de dois níveis de manejo.
Tabela 2. Infestações por ecto e endoparasitos em novilhas de seis graus de sangue H-Z.
Fonte da matéria: Associação Brasileira dos Criadores de Girolando






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