Efeito do Rumensin e do sebo na alimentação de vacas leiteiras
O artigo desse mês é um apanhado de dois trabalhos publicados na Reunião da Sociedade Norte Americana de Zootecnia, evento que aconteceu em Denver, Colorado, entre os dias 11 e 15 de julho deste ano. Farei uma tradução dos pontos mais interessantes sobre o assunto intitulado.
Os ionóforos têm sido usados em ruminantes para diminuir acidose e minimizar a emissão de gases para a atmosfera. Também, o sebo é uma fonte alternativa de energia com pouca alteração na digestibilidade da fibra e produção de gases, principalmente devido à interação dos componentes insaturados com os microrganismos do rúmen.
A presença de protozoários ciliados resulta em fermentação ruminal mais estável. Também, a grande biomassa de protozoário, que pode compreender entre 40 a 80% da biomassa microbial total, e a sua habilidade para atacar os principais componentes do alimento (carboidratos solúveis em água), sugerem que embora não essencial, são importantes para a fermentação ruminal, por exemplo, reciclando o nitrogênio microbiano através da predação de bactérias.
O pH é um importante indicador de condições de fermentação no rúmen, determinando ambiente ótimo para crescimento bacteriano (normal por volta de 6,0 a 6,9). Baixo pH ruminal pode diminuir a digestibilidade da fibra, produção de massa microbiana e produção de leite, que por sua vez pode levar a um maior custo de alimentação. Além de pH específico, o rumem é anaeróbico e tem um potencial redox negativo. Ambos, pH e potencial redox podem ser manipulados através dos alimentos e aditivos fornecidos ao animal.
Nos anos recentes, os ionóforos têm sido usados para vários propósitos, dentre os quais, a minimização das emissões de metano, fato muito importante para controle do efeito estufa nos dias atuais. Neste sentido, um estudo metabólico foi conduzido com 4 vacas holandesas, canuladas no rúmen, pesando 650 kg de peso vivo, em dois estágios fisiológicos, período seco e com 30 dias de lactação. O Rumensin foi fornecido na dose de 2 e 3,3 gramas e o sebo na proporção de 3,3% da matéria seca da dieta.
Concordando com estudos anteriores, o ionóforo estudado, bem como o sebo, não alteraram o pH ruminal. O consumo de alimento e a digestibilidade da fibra foi similar em todos os tratamentos e para vacas secas ou lactantes. Os estudos publicados na reunião não relataram a produção de leite. Estou em contato com os pesquisadores para obter essa informação.
Considerações finais
Embora sem informações sobre a produção de leite, cito estas publicações pelo fato do ionóforo estudado ser muito comum no Brasil. Também, porque tenho conhecimento de outro estudo, publicado no mesmo congresso, usando um produto similar de uma empresa de nome Biofórmula, de Goiânia, onde o custo estimado é de R$0,08 por vaca/dia e a diferença na produção de leite foi de 0,9 kg por vaca/dia.
Fonte:
H. Castillo, M. Rivas, M. Arana, D. Domínguez, J. Ortega, G. Villalobos. Proceedings, Western Section, American Society of Animal Science Volume 61, 2010. Influence of Rumensin200® and Tallow on the Rumen Parameters and Fiber Digestion on Dairy Cows. Universidad Autónoma de Chihuahua.
H. Castillo, A. Castillo, M. Arana, D. Dominguez, J. Ortega, G. Villalobos1. Proceedings, Western Section, American Society of Animal Science. Volume 61, 2010. Population Dynamics of Protozoa in Dairy Cows Fed with Rumensin200 and Tallow During Dry and Lactating Stages. Universidad Autónoma de Chihuahua.
Autores:
Junio Cesar Martinez
Doutor em Ciência Animal e Pastagens (Esalq/USP)

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