Como manejar sua capineira de forma correta

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Introduçao

A capineira como forma de suplementaçao volumosa do rebanho leiteiro ainda se constitui em alimento tradicional como complemento da pastagem na estaçao chuvosa e o principal volumoso, durante o período seco do ano, na maioria das propriedades que desenvolvem a atividade leiteira. No entanto, os resultados em termos de produçao de leite sao bastante variáveis. Essa variaçao na produçao animal, é causada, quase sempre, pela utilizaçao de forragem com diferentes idades, e que apresentam valores nutritivos muito diferentes, afetando, conseqüentemente o consumo diário dos animais.
O capim-elefante é considerado uma das mais importantes forrageiras tropicais devido ao seu elevado potencial de produçao de biomassa, boa adaptaçao aos diversos ecossistemas e boa aceitaçao pelo animal, sendo largamente utilizado na alimentaçao de rebanhos leiteiros sob diversas formas como: capineira, feno, silagem e, também, sob pastejo.

É a forrageira mais indicada para a formaçao de capineiras, para corte e fornecimento de forragem verde picada no cocho, pois, além de uma elevada produtividade, apresenta as vantagens de propiciar maior aproveitamento da forragem produzida e uma reduçao de perdas no campo. Como desvantagem, apresenta uma rápida perda de qualidade decorrente do aumento da idade da planta, fator observado na maioria das forrageiras tropicais.

Existem diversas cultivares de capim-elefante sendo utilizadas para corte e fornecimento no cocho, mas tanto a produtividade como a qualidade da forragem estao mais relacionadas com o manejo adequado do que com a cultivar utilizada. Entre as cultivares mais utilizadas para corte em propriedades produtoras de leite, pode-se citar a Mineiro, a Napier, a Taiwan, a Cameroon e a cultivar Roxo, com plantas que apresentam diferentes tipos morfológicos. No entanto, certos produtores tem usado características individuais da planta para orientar a melhor forma de uso das cultivares. Como exemplo, variedades com elevado grau de pilosidade nao tem sido utilizadas na formaçao de capineiras, em face do desconforto pelo seu manuseio.

Outros capins, como o Venezuela, o Guatemala e o Coloniao, tem sido utilizados, porém em menor escala e com produtividade mais baixa que a observada em capim-elefante.

Utilizaçao da capineira como forragem

Em geral, na maioria das propriedades leiteiras, as capineiras sao mal manejadas; entretanto, quando manejada corretamente, poderá possibilitar utilizaçao mais eficiente desse recurso forrageiro. É preciso, no entanto, relacionar a área disponível de capineira com o número de animais a serem arraçoados, devendo-se manejá-la durante todo o ano. Para tanto, a capineira deve ser manejada em talhoes com diferentes alturas do capim, o que facilita o seu manejo, permite ao produtor estabelecer comparaçoes entre os talhoes e, também, possibilita estimar a quantidade de capim disponível a curto prazo. Em geral, com um hectare de capineira bem formada e manejada pode-se alimentar dez vacas de leite durante aproximadamente 120 dias, com uma produçao diária de leite em torno de 6 kg/vaca, exclusivamente com forragem da capineira. A inclusao de outros ingredientes na dieta, como os concentrados, dependerá do nível de produçao do rebanho e do estágio de lactaçao dos animais.

Quando e como cortar

Os cortes podem ser realizados manual ou mecanicamente, quando o capim-elefante estiver com 1,80 metros de altura ou a cada 60 dias, na época chuvosa; na época seca, cortá-lo com 1,50 metros. Esse manejo visa obter a melhor relaçao entre a quantidade e a qualidade da forragem, uma vez que tanto o rendimento forrageiro quanto o valor nutritivo sao afetados pela idade da capineira e, conseqüentemente, influenciando o desempenho animal. Dessa maneira, quando a forragem verde é a única ou a principal fonte de alimento, esta deve apresentar elevada qualidade, propiciando ao animal consumir quantidades de energia e proteína que possibilitem bom desempenho em ganho de peso ou produçao de leite.

O capim-elefante deve ser cortado em quantidade suficiente para dois dias de fornecimento aos animais, para maior racionalidade no uso da mao-de-obra da fazenda, mas nunca deixá-lo “passar” para cortá-lo no ano seguinte.

Em caso de sobra de capim de um talhao, este deve ser cortado e fornecido para categorias animal menos exigentes. Uma outra alternativa seria cortá-lo e utilizá-lo para ensilagem, caso haja previsao de sobra de capim no período de maior crescimento.

O corte manual deve ser feito rente ao solo, de preferencia com enxada bem afiada, facilitando os cortes seguintes, o que nao é conseguido quando se faz o corte a 10 ou 20 cm de altura. O corte baixo facilita a entrada de carroças e carretas na área para recolher o capim, além de propiciar brotaçao mais robusta. Numa capineira cujo manejo de cortes é alto, com cortes a 10 ou 20 cm, podem ocorrer problemas de esmagamento de plantas pelo tráfego de carroças ou carretas, prejudicando as gemas acima do nível do solo e, em conseqüencia, a rebrota seguinte, com reduçao drástica na sua produtividade e longevidade.

No corte mecanizado, a colhedeira tipo TAARUP ou similar deve ser acoplada ao trator, com engate para carreta ou vagao. Este equipamento, além do corte, faz uma picagem grosseira do material cortado, que é conduzido a carreta ou vagao forrageiro por meio de um tubo. No entanto, equipamentos do tipo TAARUP possuem um mecanismo de corte que abala a base da touceira, comprometendo a rebrota do capim-elefante e sua produtividade a médio prazo, devendo ser preteridos em relaçao aqueles que trabalham com sistemas de facas oscilantes, hoje os mais recomendados para essa prática.

Transporte, picagem e fornecimento aos animais

O material cortado manualmente pode ser transportado por carroça ou carreta até o local onde se encontra a picadeira de forragem.

O manejo da carreta ou carroça para recolhimento do capim cortado deverá ser orientado no sentido de evitar a entrada de máquinas nas áreas recém-cortadas e em fase de rebrota. Dessa maneira, o corte deverá ser iniciado do fundo para a frente da capineira.

Em seguida processa-se a picagem do material, tendo-se o cuidado de verificar se as facas estao afiadas e a picadeira regulada de modo que pique o material no tamanho de 1-2 cm, considerado o ideal e que possibilita aos animais um aumento no consumo de forragem.

Facas desreguladas e cegas permitem o corte do material em pedaços muito grandes, desfibrados e desuniformes, fazendo que o consumo pelo animal seja reduzido e haja muita sobra de forragem no cocho. Além disso, pode prejudicar o equipamento com desgastes e aumentar o consumo de combustível ou energia.

No caso do corte mecanizado, o capim é picado pela própria máquina na capineira, nao necessitando fazer a operaçao anterior. Os mesmos cuidados no procedimento da regulagem e afiaçao das facas devem ser observados antes de cada corte mecânico de forragem na capineira. Para evitar problemas com o desgaste das facas e com a regulagem da picadeira, o proprietário deve seguir as recomendaçoes de uso do fabricante.

Uma vez cortada, a forragem deve ser colocada no cocho para os animais, em balaios ou material similar, em quantidade suficiente para que o consumo animal nao seja restringido, podendo ser administrada em uma ou duas porçoes diárias. O consumo de forragem verde pelo animal é variável e dependente do seu teor em matéria seca e do uso ou nao de alimento concentrado ou pasto, entre outros fatores. Um animal adulto consome entre 25 e 35 kg/dia de forragem verde como alimento exclusivo, além do concentrado.

Adubaçao de manutençao

Como os cortes da forragem retiram grandes quantidades de nutrientes do solo na área da capineira, é necessário que se proceda a adubaçao de manutençao, de modo que se equilibrem os vários elementos do solo e possibilite um bom desenvolvimento da capineira, o que deve ser feito em funçao da produçao de forragem removida da área. O conhecimento de quais nutrientes e em que quantidade foram removidos permitirao estimar em que base se deve fazer a sua reposiçao ao solo. Sem a reposiçao dos elementos retirados após cada corte a durabilidade da capineira poderá ser prejudicada.

Normalmente, sao utilizados 150 kg/ha de nitrogenio, 60 kg/ha de P2O5 e 180 kg/ha de K2O, aplicados proporcionalmente aos cortes efetuados no período chuvoso após 10-15 dias do corte e sempre com o solo úmido. Para exemplificar, 150 kg/ha de nitrogenio correspondem a 750 kg/ha de sulfato de amônio por apresentar na fórmula 20% de nitrogenio ou a 330 kg/ha de uréia, por conter na fórmula 45% de nitrogenio; 60 kg/ha de P2O5 correspondem a 300 kg/ha de superfosfato simples, por apresentar na fórmula 20% de fósforo e 180 kg/ha de K2O correspondentes a 300 kg/ha de cloreto de potássio, por apresentar na fórmula 60% de potássio.

Elementos como o cálcio e o magnésio devem ser repostos pela calagem, desde que recomendados pela análise do solo, que deve ser realizada anualmente. O enxofre passa a assumir importância, na medida em que outras fontes tradicionais de outros nutrientes como o sulfato de amônio ou o superfosfato simples estao sendo substituídas por fontes mais concentradas ou mais baratas, devendo ser suplementado. Em geral, para solos com deficiencia de enxofre, tem sido recomendada a aplicaçao de 20 a 40 kg/ha de enxofre.

Em regioes onde existe uma comprovada deficiencia de micronutrientes, especialmente zinco, como em áreas de cerrados, torna-se necessária a aplicaçao de 2 kg/ha de zinco, equivalentes a 10 kg/ha de sulfato de zinco, juntamente com o fósforo, por ocasiao do plantio. Para locais ou regioes onde ocorram deficiencias de zinco, cobre e boro, aconselha-se o emprego de FTE BR-10 ou FTE BR-16, a base de 30 a 50 kg/ha, junto com a adubaçao fosfatada de plantio.

A adubaçao orgânica também pode e deve ser aplicada na capineira, desde que haja disponibilidade desse material na fazenda. Aplicaçoes de 20 a 50 toneladas por hectare de esterco bovino por ano sao comumente recomendadas. Caso haja disponibilidade de cama de frango, usar entre 5 e 8 t/ha/ano.

O esterco verde, removido diariamente do curral após as ordenhas, deve ser espalhado uniformemente sobre toda a área de capineira recém-cortada, independente da época do ano.

Irrigaçao da capineira

A irrigaçao constitui um importante fator para a manutençao da produçao de forragem por ocasiao de veranicos, bem como na época seca, especialmente em regioes onde o índice pluviométrico é muito baixo. A sua utilizaçao ainda é pouco difundida, para capineiras e pastagens, devido ao pequeno conhecimento dessa prática.

Para regioes em que a temperatura e a luminosidade, durante todo o ano, permanecem favoráveis ao crescimento das plantas, onde a água se constitui no principal fator limitante, o uso de irrigaçao possibilita manter elevada produçao do capim-elefante. Nessas regioes, o uso da irrigaçao poderá possibilitar uma reduçao no uso de volumosos conservados e concentrados durante o ano. Em propriedades onde se utiliza a irrigaçao durante todo o ano, a adubaçao química da capineira deverá ser conduzida em níveis superiores aos indicados acima, parcelando-a após cada corte.

Consideraçoes finais

As capineiras se constituem em alimento volumoso tradicional na maioria das propriedades leiteiras no Centro-Sul do País, com maior grau de utilizaçao no período de estiagem, sendo, via de regra, mal manejadas. Trata-se de recurso forrageiro de razoável qualidade, cuja persistencia depende do sistema de manejo a que é submetida ao longo do tempo.

O emprego de um manejo inadequado de cortes e a restriçao ou a adubaçao de manutençao incorreta originarao capineiras com baixa cobertura vegetal e, em conseqüencia, propiciarao baixo crescimento e pequena produtividade, além de permitirem a penetraçao de ervas indesejáveis na área. Nesse caso, o produtor terá que realizar a sua reforma em curto espaço de tempo, com custos relativamente elevados. Por outro lado, capineiras manejadas observando as recomendaçoes aqui prescritas, com segurança, produzirao grandes quantidades de forragem por um longo período de tempo, tornando-as mais econômicas.







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